Audiências: Champions avança sobre o futebol nacional.

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Teoria dos Jogos – Alguns anos atrás, futebol
europeu na TV era um luxo dirigido às “elites” (palavrinha da moda), aos
detentores de pacotes por assinatura. Até que alguns canais abertos – como Band
e Record, cada qual a seu tempo – identificaram o potencial do espetáculo
proporcionado pela Champions League, principal torneio interclubes do
continente. Passaram, então, a registrar bons índices de audiência. Num
paralelo que também ocorreu quanto ao UFC (antes exclusivo da RedeTV), a Globo
logo mostrou apetite e comprou os direitos de transmissão.
De início foi até estranho. Inserções ao longo
da programação chamavam atenção para clubes como Barcelona, Real Madrid ou
Chelsea onde antes só havia Flamengo, Corinthians ou São Paulo. Jornalistas
acostumados aos gramados do Maracanã abriam link ao vivo do Santiago Bernabeu
ou do Emirates Stadium. Suas reportagens ganharam espaço na concorrida grade do
Jornal Nacional.
Hoje, poucos anos após o início deste processo,
a verdade é que a Globo não consegue mais se imaginar sem a Liga dos Campeões
da Europa. E mais: sorte dos clubes brasileiros a existência do fuso horário. É
ele quem faz não haver concorrência entre as competições jogadas lá e aqui.
Explica-se. Na tarde de ontem, Globo e Band
transmitiram para todo o Brasil a partida Barcelona x Manchester City, pelas
oitavas-de-final da Champions. Seus números consolidados superaram, em termos
proporcionais (share), à veiculação dos jogos da Libertadores e Copa do Brasil
na mesma noite. Em termos absolutos foram apenas alguns pontos de audiência a
menos, algo facilmente explicado pelo menor número de televisores ligados no
horário. Vejamos se não:
São Paulo
Barcelona 1 x 0 Manchester City – 15 pontos com
32% de share na Globo. Quatro pontos com 9% de share na Band. AUDIÊNCIA TOTAL:
19 pontos com 41%;
São Paulo x San Lorenzo – AUDIÊNCIA TOTAL: 21
pontos com 36% na Globo.
Rio de
Janeiro
Barcelona 1 x 0 Manchester City – 19 pontos com
41% de share na Globo. Dois pontos com 4% de share na Band. AUDIÊNCIA TOTAL: 21
pontos com 45%;
Flamengo x Brasil/RS – 22 pontos com 39% na
Globo. Dois pontos com 4% na Band. AUDIÊNCIA TOTAL: 24 pontos com 43%.
Todos sabem que a razão é o futebol bem jogado
nos gramados europeus, completa antítese à realidade brasileira. Questões
organizacionais e técnicas geram apelo de público muitíssimo maior, fazendo
destas partidas um verdadeiro concerto. Mas não é só. O futebol europeu vive o
bônus da “democratização”: trata-se de um espetáculo para todos, independente
do viés clubístico. Qualquer torcedor se interessa por admirar o talento de
Messi, Neymar e cia. Ninguém reclama de um suposto “ excesso de barcelonização”
na mídia. Todos os ventos sopram a favor.
Naturalmente, preferências por times europeus
são voláteis, se esvaindo a ponto de não poderem ser descritas por nada além de
mera simpatia. O chamariz varia ao sabor da fase do clube ou de suas
contratações – especificamente de craques brasileiros. No entanto, não se pode
desconsiderar a formação de uma nova geração de torcedores reais, especialmente
entre os mais jovens. Pesquisa do Blog Teoria dos Jogos na Baixada Santista
identificou 2,1% da população local nesta condição.
Rumores dão conta de insatisfações na cúpula da
Globo pelas baixas audiências do futebol. Por ora, a reclamação recairia sobre
partidas às quartas, as que menos cooptam a audiência do programa anterior
(novela das 21 hs). Mas é justamente aos domingos que Brasil e Europa concorrem
no horário da tarde. Ainda que mudanças soem distantes, os índices em declínio
do futebol brasileiro contrastam com o boom vivido pelo futebol europeu. E como
a TV vive de audiências, é bom que nenhum cenário venha a ser desconsiderado no
longo prazo.
Um grande abraço e saudações!

E-mail da coluna: teoriadosjogos@globo.com

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