Delair e Eduardo mantém troca de farpas: “Cuida do seu.”

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Globo Esporte – A política do Flamengo viveu um
novo capítulo complicado nesta sexta-feira. Presidente do conselho deliberativo
do clube, Delair Dumbrosck renunciou ao cargo por meio de uma carta, alegando
orientação médica e citando “recentes episódios de confronto” que vêm
acontecendo junto ao conselho diretor. Em entrevista ao GloboEsporte.com,
Delair disse que vinha se estressando com muitos problemas internos do Fla.

– Tenho problema médico, mas sempre o
contornei. Tenho recomendações para não me envolver em confusões. Porém,
ultimamente o Flamengo não vinha me trazendo essa tranquilidade, e sim
aborrecimento – afirmou ele, que já sofreu dois infartos e tem três pontes de
safena e três “stents”.
A mágoa maior de Delair é com o presidente
Eduardo Bandeira de Mello. O ex-presidente do conselho deliberativo diz que foi
ele quem levou Bandeira para a vida política do Flamengo anos atrás e enfatizou
que não coloca qualquer dúvida em relação à idoneidade dele e dos demais que
comandam o clube atualmente, mas criticou o fato de o mandatário estar
antecipando receitas de contratos que têm vencimento nos próximos anos. Segundo
Delair, Bandeira está prejudicando o caixa de quem assumir o Fla lá na frente.
– Ele está apoiado por uma turma de rapazes
novos, que chegaram ontem e já querem sentar na janela. Tudo bem, ignora as
pessoas experientes do Flamengo.
O maior problema entre os dois ocorreu por
conta de uma lei de responsabilidade fiscal. De acordo com Delair, houve
ingerência por parte de Bandeira, que teria se intrometido numa questão do
deliberativo “talvez por vaidade”.
– Nós estávamos discutindo uma reforma
estatutária, e como parte disso uma lei de responsabilidade fiscal. O Eduardo
tirou uma emenda sobre essa lei, que nós já estávamos discutindo. Falei com ele
que não precisava, mas ele é teimoso, não sei se por vaidade, para dizer que
ele fez. O problema é que convoquei o conselho para o dia 7 de abril às 19h30
para discutir a apreciação e a aprovação desse capítulo novo no estatuto, e ele
foi lá e fez uma convocação para a emenda, que não tem uma vírgula diferente,
para o mesmo dia, às 20h30. Isso tudo tem me trazido mais problema do que
prazer de servir ao Flamengo. Então, preferi me afastar, porque daqui a pouco
vou me aborrecer seriamente, e isso será prejudicial à minha saúde.
Os desentendimentos entre as partes, de fato,
foram vários. Segundo Delair, um deles foi porque todos os conselheiros queriam
saber mais sobre a negociação que o Flamengo estava fazendo com o Maracanã, e a
diretoria atual estaria arredia para dar explicações. Outro ocorreu porque a
administração de Eduardo Bandeira de Mello queria colocar cota extra para os
associados e cota de manutenção dos dependentes sem passar pelo conselho
deliberativo.
– Jamais me meti e não me meteria nunca nas
funções de qualquer outro poder, principalmente do Eduardo. Nunca quis discutir
com ele se o Carlos Eduardo, quando foi contratado, custava muito ou pouco, se
ele pagou quase um ano e meio de salário para o Felipe ficar sem jogar e depois
o deixou ir embora, se está pagando muito ou pouco ao Eduardo da Silva, não
discuto isso. Então, ele não pode querer se envolver nas questões políticas que
são tratadas dentro do conselho deliberativo. Cada um cuida do seu pedaço.
Contactado pela reportagem após a entrevista de
Delair, Bandeira de Mello disse não ter nada pessoal contra o ex-presidente do
conselho deliberativo e comentou a opção dele.
– É uma decisão dele, e temos que respeitá-la.
Ele colocou as razões dele, de saúde, e temos que respeitar isso.
A versão
de Bandeira: adiantamento de receita aprovado
O presidente do Flamengo se defendeu das
críticas, deu sua versão sobre o adiantamento de receitas e afirmou que Delair,
em sua função no deliberativo, vinha perdendo os prazos estatutários para a
votação das propostas da atual administração.
– Em primeiro lugar, todas elas foram aprovadas
por unanimidade, inclusive com o voto dele. Em segundo lugar, as alterações foram
todas feito dentro da MP de responsabilidade fiscal, que acabou de ser editada
pela presidente da República, como de acordo com as emendas que a gente está
querendo aprovar, que foi o que gerou essa situação toda. Eu e todos os outros
presidentes de poder, vários ex-presidentes do clube e grandes rubro-negros
protocolamos em setembro, se não me engano. Ele deixou passar todos os prazos
estatutários e não colocou para votação. Esse conjunto de emendas está
perfeitamente de acordo com as operações de adiantamento que fizemos. Em
terceiro lugar, o Flamengo é o único grande clube brasileiro que está reduzindo
o endividamento nos últimos dois anos, segundo qualquer entidade que avalia
isso. Não faz o menor sentido dizer que o que estamos fazendo está em desacordo
com a política de responsabilidade fiscal, muito pelo contrário.
Eduardo Bandeira de Mello também disse que
“não é bem assim” a história de Delair tê-lo colocado na vida
política do Flamengo.
– Ele me indicou para o conselho de
administração quando foi vice-presidente de marketing. Mas só entrei na vida
política mesmo agora, quando fui candidato, atrás do grupo que está comandando
o clube hoje.

Dividido por grupos políticas, o Flamengo terá
eleição no fim do ano, e ainda existem muitas indefinições. Mas uma coisa certa
é que, mesmo em desacordo com vários pontos da atual administração, Delair
Dumbrosck vai ficar fora. Ele garantiu que não quer mais saber de vida
política.

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