Flamengo e Flu temem retaliação de FERJ no Carioca.

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UOL – A briga nos bastidores do futebol carioca
tem causado temor por parte de Flamengo e Fluminense de uma represália da Ferj
(Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro) durante o Estadual. O medo
de um ‘troco’ marcou as partidas das duas equipes na 11ª rodada da competição,
até mesmo quando uma forte chuva interrompeu o clássico entre o Rubro-negro e o
Vasco, aliado da federação.
Durante a paralisação de cerca de 50 minutos do
clássico no Maracanã, o presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello,
deixou clara o seu temor de que a partida fosse adiada e, assim, reiniciada do
zero em outra data. Em certo momento, o mandatário rubro-negro chegou a dizer
que a partida, que estava 1 a 0 para o time da Gávea, poderia começar até ‘1 a
0 para o Vasco’ no que dependesse da Ferj.
O clima de apreensão dominou os bastidores
antes da decisão final da arbitragem de prosseguir com o clássico no Maracanã,
principalmente do lado do Flamengo. Tanto é que toda diretoria rubro-negra
manifestou o medo de uma interferência a favor dos rivais, o que acabou não
acontecendo. O Vasco, por sua vez, jogou com a situação e só deixou o vestiário
para retornar ao campo instantes antes da retomada do duelo.
“É malandragem de futebol interpretar o
que está acontecendo. Não tinha condição de ter jogo e o árbitro fez correto.
No meio do caminho, estava atento a tudo, os jogadores do Vasco queriam que o
jogo parasse porque se acabasse o jogo teria outro. Tinha a informação e falei:
‘Vamos para dentro de campo mostrar que queremos jogo’. Já vi muitos jogos com
gramados piores”, analisou o técnico do Flamengo, Vanderlei Luxemburgo.
Curiosamente, apesar de todo clima de medo de
uma represália, foi o Flamengo que saiu vitorioso com uma decisão da
arbitragem: o pênalti de Guiñazu sobre Marcelo Cirino, em falta clara dentro da
área. Aliado da federação nos bastidores, o Vasco também teve Bernardo e
Guiñazu expulsos em uma confusão no fim do confronto. Na ocasião, dois
jogadores do Rubro-negro também foram punidos com vermelho.
O Fluminense, por sua vez, não só temeu, como
também insinuou ter sido prejudicado pela briga nos bastidores. Principal alvo
do presidente da Ferj, Rubens Lopes, nos últimos dias, o Tricolor teve dois
gols mal anulados no empate por 1 a 1 com o Tigres do Brasil, no Maracanã, no
último sábado. No fim da partida, Fred fez questão de falar sobre o assunto.
“Temos visto algumas situações que não
competem a jogador falar. Estou inteirado sobre tudo. Muita gente reclama.
Nosso vice de futebol [Mário Bittencourt] foi suspenso por 15 dias. Parece que
tem muita rivalidade extracampo. Algum tipo de ‘puniçãozinha’ com o
Fluminense”, disse Fred.
“É triste essa situação. Erram muita
contra a gente. Não é desculpa. Temos que ganhar de qualquer jeito, mas
sabíamos que isso iria acontecer esse ano. Já tem a dificuldade do campeonato
em si. Com essas polêmicas extracampo… Por tudo que temos passado,
classificar e ganhar esse titulo seria especial. Mas a realidade é que a cada
rodada está ficando mais difícil”, lamentou o capitão do Fluminense.
O clima entre Fluminense e Ferj esquentou
bastante nos últimos dias por causa de uma divída de cerca de R$ 400 mil
cobrada pela federação. O Tricolor questiona a legitimidade do débito, já que
metade do valor se refere à taxa de 10% que a entidade tem direito nas receitas
brutas de jogos, e o clube entende que foi lesado na mudança de locais de
partidas suas contra Friburguense e Vasco, ambas marcadas inicialmente para o
Maracanã e depois disputadas em Volta Redonda e Engenhão, respectivamente.

O certo é que o clima beligerante nos
bastidores do futebol carioca não mudará tão cedo. Aliados, Rubens Lopes e
Eurico Miranda, presidentes de Ferj e Vasco, respectivamente, não escondem suas
restrições a Flamengo e Fluminense, inclusive com medidas como mudanças de
locais de jogos tomadas justamente como forma de represália neste Carioca.

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