Pesquisa: Sócio-Torcedor do Flamengo 2015.

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Teoria
dos Jogos – Há exatos dois anos, a diretoria do Flamengo aplacava uma histórica
demanda reprimida ao finalmente lançar seu projeto de Sócio-Torcedor – o Nação Rubro-Negra. Com base em seis pacotes – que depois se tornaram sete – o projeto
dividiu opiniões. A maioria (entre eles este blogueiro) enxergou menos virtudes
do que o desejado. Outros elogiaram a empreitada com base na aprovação tácita
dos quase 30 mil associados em suas primeiras semanas. Veio a arrancada para o
título da Copa do Brasil e o NRN sofreu seu segundo boom, ultrapassando a
barreira dos 64 mil sócios. Tudo parecia uma festa.
Entretanto,
os audaciosos objetivos da diretoria (que chegou a falar até em 200 mil
associados) estancaram. Em 2014, desanabolizado pelos resultados em campo, o
que se viu foi uma perda em massa de integrantes. Estagnado em 2015, o Nação
Rubro Negra se encontra hoje com pouco mais de 55 mil sócios, na modesta sétima
posição do ranking do Movimento por um Futebol Melhor – onde chegou a ser
terceiro. Apesar da torcida imensamente maior, nos últimos meses o Flamengo foi
ultrapassado por Palmeiras, Corinthians, Cruzeiro e Santos.
Visando
identificar o porquê da não conversão de torcedores em novos sócios, o Prof.
Rodrigo Fortuna coordenou – em parceria com a Trevisan Escola de Negócios e o
Instituto Brasileiro de Gestão e Marketing Esportivo (IBGME) – uma pesquisa
tendo o Sócio-Torcedor do Flamengo como mote. Segundo o material – gentilmente
disponibilizado para o Blog Teoria dos Jogos em primeira mão – o objetivo é
“mapear os motivos pelos quais o torcedor do Clube de Regatas do Flamengo não
adere como esperado ao programa”, bem como “identificar potenciais
oportunidades para maior exploração deste programa”. Para tanto, foram
aplicados 746 questionários entre torcedores (associados e não-associados) via
internet. Os resultados serão expostos a seguir.
Percebam
que a localização geográfica dos respondentes é oposta à dos sócios-torcedores,
mas está em linha com a distribuição nacional da torcida do Flamengo (cerca de
80% fora do estado do Rio). Isto significa que a pesquisa é mais fiel na
leitura da opinião dos não-sócios – 69% dos que responderam ao questionário. A
concentração entre homens é a convencional em se tratando do consumidor de
futebol no Brasil. Já a maioria de respondentes jovens (de 13 a 24 anos) torna
delicada a questão dos custos, como veremos adiante.
Entre os sócios-torcedores:
Considerando
que o único plano entre R$ 30,01 e R$ 60,00 é o “Raça” (R$ 39,90 por mês),
pode-se dizer que nada menos que 67,1% aderiram a ele. O pacote “Tradição” (R$
29,90), lançado posteriormente e com menos benefícios, cooptou 23,3% dos
respondentes. Juntos, nos levam à leitura de que 90,4% dos flamenguistas
refutam as cinco modalidades mais caras (de R$ 69,90 a R$ 199,90 mensais).
A
motivação de 81,6% dos associados em “apoiarem financeiramente o clube” presume
o que se convenciona por heavy user – torcedores que “compram areia no deserto”
quando o assunto é Flamengo. Trata-se de um perfil de consumidor restrito,
possivelmente quase que totalmente cooptado pelo programa. Novos sócios que se
pretende atrair possuem perfil diferente.
Os
não-sócios até afirmam que ajudar é prioridade – embora num percentual
representativamente inferior (55,3%). Mas conforme veremos, para eles o
problema mesmo envolve o dispêndio. Sejam valores ou formas de pagamento.
Simplesmente
47,8% desejariam pagar menos de R$ 20 nas mensalidades – algo que não é
oferecido pelo clube. Outros 23,9% gostariam de pagar entre R$ 20,01 e R$
30,00, intervalo em que já se encontra o pacote “Tradição”, ao qual não se associam
por outras razões. Importante salientar que apenas 4,9% dos respondentes se
mostram dispostos a arcar com mais de R$ 60 por mês – e que quase metade destes
arcaria com mais de R$ 100. Trata-se de um público que não deve ser desprezado,
mas só será cativado por experiências prime.
Finalmente,
o mais importante. A ausência de cartão de crédito é justificativa para 26% dos
que ainda não se associaram. Este percentual pode ser somado aos 12% que não
gostariam de pagar à vista no boleto – fazendo da “forma de pagamento” a maior
desvantagem para 38% dos entrevistados. A falta de benefícios é alegada por 22%
dos não-sócios, enquanto 21% acham altos os valores dos planos. Apenas 11%
dependem do desempenho do time de futebol. Meros 1% não confiam na atual
diretoria, um trunfo e tanto para a reversão do cenário aqui exposto.
Outro
trunfo são as relações comerciais dos não-sócios com patrocinadores do Fla:
Diante
do exposto, o Blog Teoria dos Jogos conclui que o foco dado a descontos e
prioridades sobre ingressos atingiu o esgotamento. A maioria – sócios ou não –
quer contribuir financeiramente com o Flamengo, mas os que não o fazem
encontram dificuldades com métodos de pagamento e preços dos pacotes. Um número
nada insignificante se vê distanciado pela falta de benefícios, ao se encontrar
geograficamente afastado do clube. Portanto, a disponibilização das seguintes
modalidades supriria grande parte da demanda:
1) Um
plano a R$ 9,90 mensais com possibilidade de pagamento via boleto e sem
qualquer benefício além de uma carteirinha de sócio. Viria a suprir a demanda
dos que querem contribuir mas não podem por falta de dinheiro ou cartão de
crédito. Boletos possuem alto inadimplemento, mas a completa ausência de
benefícios não canibalizaria pacotes superiores. Parcerias com a Caixa (para
expedição dos boletos) ou com a Tim (pagamento via conta telefônica) reduziriam
sobremaneira a inadimplência.
2)
Envio anual de mix de produtos oficiais e/ou licenciados para todos os
associados entre os pacotes +Raça (R$ 69,90) e Paixão (R$ 159,90). Quanto mais
cara a mensalidade, melhores os produtos – em linha com o palmeirense Avanti.
3)
Disponibilização de uma experiência avançada por ano (lugar no camarote do
Maracanã ou viagem com o elenco em partida fora do estado) aos assinantes do
pacote +Paixão (R$ 199,90), além do melhor mix de produtos conforme descrição
do item anterior.
O Blog
Teoria dos Jogos agradece e parabeniza o Prof. Rodrigo Fortuna, a quem maiores
informações podem ser solicitadas através do e-mail rodrigo.fortuna@ibgme.org
Um
grande abraço e saudações!
E-mail
da coluna: teoriadosjogos@globo.com

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