Volantes x meias.

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Renato Maurício Prado – A proliferação de
volantes no meio-campo da maioria dos times brasileiros e da própria seleção,
além de tornar o jogo feio e retrancado, começa a produzir nocivos efeitos
colaterais. Já há (bons) jornalistas esportivos dizendo que, no futebol
moderno, não existem mais diferenças entre as funções e o que há são “jogadores
de meio-campo”.
É tudo que os treinadores retranqueiros querem
para escalar, sem culpa e sem crítica, um número cada vez maior de brucutus na
área mais nobre do gramado, onde, em priscas eras, maestros requintados regiam
os seus grandes times: Gérson, Ademir da Guia, Dirceu Lopes, Rivelino etc.
Quando se fala em volantes como Clodoaldo,
Falcão, Paulo César Carpegianni, Andrade, Toninho Cerezo e outros do gênero, de
fato, as funções até se confundiam — porque eles eram capazes de desarmar e
armar com brilho e a mesma eficiência. Mas, infelizmente, são exceções.
O que cada vez mais vemos são jogadores apenas
“de contenção”, como Cáceres, Guiñazu, Valência, Willians, Amaral e por aí vai.
Cabeças de área que só sabem fazer faltas, marcar e, rapidamente, passar a bola
para o companheiro mais próximo.
Até mesmo volantes mais habilidosos, como
Elias, Paulinho e Canteros (para usar exemplos bem atuais) não rendem tão bem
quando adiantados. São jogadores que embora saibam tratar bem a bola, caem de
produção quando começam a jogar mais à frente, de costas para o início da
jogada. Seus melhores momentos são vindo de trás, fazendo passes e lançamentos
e, muitas vezes, surgindo até como elemento surpresa no ataque.
Na seleção, por exemplo, Oscar é um armador de
verdade. Mas acabou escalado por Felipão aberto na ponta esquerda… E coube a
Paulinho, Fernandinho, Ramires etc a incumbência maior de armação. Deu no que
deu. Alemanha 7 a 1…
Enquanto, por aqui, qualquer cabeça-de-área um
pouco mais habilidoso logo é avançado para jogar como meia, lá fora ocorre
exatamente o contrário. O italiano Pirlo era armador e virou volante, o alemão
Schweinsteiger era camisa dez e agora ocupa a cabeça-de-área e por aí vai. O
resultado é que na Itália e no Bayern de Munique, a bola sai cada vez mais
redonda da defesa para o ataque.
Naturalmente, é muito mais fácil fazer um
jogador habilidoso aprender a marcar, do que transformar um mero cão de guarda
num lançador refinado. Só que dá trabalho. E encher a meia-cancha com um bando
de “pegadores” é bem mais fácil.
Prova dos
noves
Quantos volantes veremos hoje, no clássico
entre Flamengo e Vasco (interrogação). No mínimo, cinco, possivelmente seis —
três de cada lado. E toma de bola pra frente, num futebol bumba meu boi da pior
qualidade…
Em tempo: o que é Márcio Araújo (interrogação).
Sinceramente, não sei. Mas armador é que não é…. Os (muitos) passes que ele
acerta são de, no máximo, três metros. Para os lados ou para trás.
Tiro
errado
Se o Flamengo tem pouco dinheiro e as
contratações para o Brasileiro serão poucas, por que diabos resolveram
contratar o Armero (interrogação). Do que o rubro-negro precisa mais
(interrogação) De um armador dos bons e um atacante idem ou de um
lateral-esquerdo (interrogação). Uma das maiores promessas das divisões de base
é o lateral-esquerdo Jorginho – que chegou a entrar muito bem no amistoso de
despedida de Léo Moura. Ele deveria ser o reserva imediato de Anderson Pico (e
a impressão que tenho é que quando entrar no time, não sai mais). Com todo
respeito ao Armero, numa análise com um mínimo de bom-senso, ele está longe de
ser prioridade.
Maracanã
x Engenhão

A Federação quer porque quer se intrometer no
contrato do Maracanã com a dupla Fla-Flu, definindo lugares das torcidas e
tornando os custos iguais para todos. Por que não faz o mesmo no Engenhão? Tal
qual o Mário Filho, o Estádio Nilton Santos é um bem público, arrendado a um
particular.

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