Luxemburgo: a tênue linha entre o certo e o errado.

Falando
de Flamengo – Lembro-me até hoje do episódio da saída de Jayme de Almeida do
cargo de técnico do Flamengo. Um vazamento da informação, divulgada pela
imprensa, foi o estopim para inúmeras críticas à cúpula rubro-negra. Acredito
que houve falha na comunicação do clube, mas a mídia explorou a brecha de uma
maneira tão sensacionalista que até a esposa do ex-treinador entrou ao vivo em
programas esportivos.

Não
irei discutir um fato já longínquo pela velocidade de novas informações que
vivemos hoje. Mas cabe uma única questão: é possível demitir um técnico sem que
a cúpula se reúna e tome a decisão de maneira antecipada? E pensar em um novo
técnico antes de demitir o anterior? Planejamento ou traição?
E
quando acontece o contrário? Mano Menezes decidiu sair do Flamengo sem maiores
explicações. Pouco depois estava fechando com o Corinthians. Mas nenhuma
negociação prévia vazou para a midia. Ou para a imprensa, não era válido fazer
a divulgação. Mas é muito difícil acreditar que o convite, à época, já não
havia sido feito.
Trago
essa reflexão por conta de uma massiva investida de clubes no atualmente
empregado Vanderlei Luxemburgo. No ano passado foi o Internacional, agora o São
Paulo. Tudo isso com grande repercussão da imprensa. Enquetes, pesquisa entre
jogadores, divulgação de valores. Capas e capas de sites esportivos. Se
questionam a moralidade de tanta especulação e assédio em cima de um treinador
com contrato vigente, respondem: é a lei do mercado.
Isso é
certo ou errado? Confesso que acho correto e comum. O futebol é negócio e é
natural receber propostas de emprego, mesmo quando já empregado. Mas a grande
pergunta a ser feita é: será que se o Flamengo assediasse outros profissionais,
da mesma maneira que está ocorrendo hoje com o Luxa, com a mesma ferocidade, a
imprensa enxergaria essa atitude como profissional ou teria o mesmo
posicionamento que vem tendo? Tenho minhas dúvidas.
Cabe
ao Luxa decidir ficar ou ir embora. E não, ele não será um mercenário se
decidir sair. Mas cabe também uma boa reflexão para que a síndrome de homem mau
que o Flamengo carregou, difundida pela mídia de acordo com o próprio interesse
da mesma, seja repensada. É muito importante refletir sobre isso, porque os
meios de comunicação formam opinião.
A
linha entre o certo e errado é muito tênue. Mas ela é inflexível. Não varia de
clube para clube, ou de estado para estado. É bom que saibamos disso, mas é
melhor ainda que a imprensa também adote essa imparcialidade.

Felipe
Foureaux

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