Guerrero não assinou com Fla, que pode perdê-lo para Europa.

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Cosme
Rimoli – “Estou muito agradecido a todos os torcedores por todo o apoio e
carinho que me deram. Agradeço muito também aos meus companheiros, funcionários
do clube, direção, técnico. Infelizmente, não conseguimos chegar a um acordo.
Sigo a minha carreira.”

As
palavras são de Paolo Guerrero, hoje, em Lima, no Peru. Só lá, onde é tratado
com todo o respeito por ser o melhor do país, ele pôde se despedir do
Corinthians. Não havia o clima entre ele e os dirigentes para uma despedida no
Parque São Jorge. Os dois lados não se suportavam mais.
O
peruano tinha a heroica ideia de enfrentar pela última vez o Palmeiras com a
camisa corintiana. O clube que estava disposto a pagar muito mais que o
Flamengo, para onde deixou acertada a transferência, depois da Copa América.
Mostraria aos torcedores o quanto estava ligado ao Corinthians. Daria a vida, a
alma para marcar gols contra o maior rival. E sair ainda mais cultuado,
deixando mais saudades nos torcedores.
Tite
sabia desse desejo. Até o considerava justo. Afinal, Guerrero foi o grande
responsável pela conquista do Mundial de 2012, marcando os gols, nas vitórias
apertadas, por 1 a 0, contra o Al-Ahly e Chelsea. Mas veio a ordem de quem
realmente manda no Parque São Jorge.
“Não
tem que jogar. De jeito nenhum. O melhor é ir embora para a Copa América. E
pronto. Imagine se o Guerrero entra em campo e se machuca? O que o Corinthians
seria obrigado a fazer? Prorrogar seu contrato até se recuperar. De jeito
nenhum. O melhor que ele tem a fazer é seguir o seu caminho. Não vai ficar, não
temos dinheiro para pagar o que ele pede. Vida que segue”, resumiu de
maneira fria, Andrés Sanchez.
O
ex-presidente corintiano ficou frustrado por ter de abrir mão de Guerrero. Ele
tinha a certeza que o responsável pela dificuldade de renovação era o
ex-presidente Mario Gobbi. Houve uma violenta discussão entre ele e agentes do
jogador. O clima ficou insuportável. A ponto de os empresários divulgarem uma
nota avisando que esperariam Roberto de Andrade e Andrés Sanchez assumirem o
clube para voltarem a conversar sobre renovação.
Nos
últimos meses de mandato, Gobbi havia rompido com Andrés. E fazia tudo o que
queria sem consultá-lo. Como contratar Vagner Love, o atacante que, na sua
opinião, livraria o Corinthians do peruano. Amarrou um contrato de um ano e
meio pagando R$ 500 mil ao jogador que voltava da China.
O mais
surreal é que Guerrero fixou sua pedida de luvas em US$ 7 milhões, cerca de R$
22 milhões. Mais R$ 520 mil mensais. Por um contrato de três anos. Gobbi
aceitou os salários e aceitou pagar luvas de US$ 5 milhões, cerca de R$ 15,8
milhões, parceladas no contrato que seria até 2018. Este foi o valor mais alto
oferecido pelo Corinthians.
Andrés
e Roberto de Andrade ficaram nos US$ 3 milhões, cerca de R$ 9,5 milhões, diluídos
nos 36 meses de salários. E os salários desejados pelo atacante. O peruano
ficou revoltado, disse que não baixaria a sua pedida. Ele se lembrava muito bem
dos R$ 43 milhões pagos por Pato. E sabia que Love e Cristian, dois reservas,
ganhavam R$ 500 mil mensais. Na sua lógica, havia dinheiro. Mas o Corinthians
não queria dar ao seu artilheiro.
Do
outro lado, Andrés foi se irritando. Não acreditava que o jogador não aceitava
negociar. Baixar sua pedida. Virou uma guerra de egos. O dirigente se viu diante
de enorme impasse. O Itaquerão está drenando todo o dinheiro do futebol graças
ao péssimo acordo feito com a Odebrecht, Caixa e BNDES.
Como
pagar a Guerrero as maiores luvas do futebol brasileiro, dar um contrato de
três anos a um jogador de 31 anos, sem mercado internacional? Mesmo sendo ídolo
no Parque São Jorge. Como ficariam os outros atletas que estavam com direito de
imagem, salário e até premiação por disputar a Libertadores atrasados? Os
garotos campeões da Copa São Paulo de 2015, brasileiros e paulistas sub-20,
também não ganharam os prêmios pelas conquistas.
Andrés
decidiu pelo rompimento. O deputado federal do PT é esperto. Ele sabe que
Guerrero tem um medo incrível das organizadas do Corinthians. Desde a invasão
do Centro de Treinamento, quando vândalos cantaram em voz alta que iriam
quebrar as pernas de Alexandre Pato e Sheik. Viu o time todo se esconder no
vestiário, colocando armários nas portas temendo apanhar dos torcedores.
De
acordo com o delegado e ex-presidente Gobbi, alguns desses vândalos se
encontraram com Guerrero e trataram de agarrá-lo, apertando seu pescoço. Apesar
de a Polícia insistir, Guerrero não quis prestar queixa ou dar qualquer
depoimento sobre o que sofreu. Foi aconselhado por companheiros. Tudo poderia
ficar ainda muito pior. E não seria ‘saudável’ circular por São Paulo. O medo
foi tanto que ele até apagou sua conta no Istagram, só para não ser criticado
pelos irritados torcedores corintianos com a sua não renovação.
Guerrero
e seus empresários tentaram a renovação durante todo 2014 e cinco meses de
2015. Não há como chamá-lo de mercenário. O atacante até então negociou só com
o Corinthians.
Os
conselhos para se proteger dos torcedores continuaram valendo agora, quando ele
tinha sim a chance de jogar no Palmeiras. Alexandre Mattos estava convencendo
Paulo Nobre. Guerrero era o homem-gol que o time precisava. Seus empresários
estavam se animando com a possibilidade. Mas o jogador fez questão de avisar.
“No Palmeiras, não.” Ele acreditava que pareceria provocação aos
corintianos. Sabia do interesse do Flamengo. Já tinha apartamento e adora o Rio
de Janeiro, cidade praiana, mais quente que São Paulo.
A proposta
vinda da Gávea: US$ 4 milhões, cerca de R$ 12,6 milhões. R$ 4 milhões à vista.
O restante diluído nos salários de R$ 520 milhões por três anos.
Está
tudo amarrado. Mas não assinado. Se houver uma proposta maior, da Europa, o
Flamengo não terá o que fazer. A não ser aceitar a ida do atacante. Ou seja, o
artilheiro tem a Copa América para usar de vitrine e despertar o interesse de
clubes do Velho Continente.
Quando
os dirigentes corintianos chegaram à conclusão que Guerrero cederia e os
empresários que Andrés não blefava, chegou a hora de acabar a relação. O
peruano pediu ainda uma última vez para enfrentar o Palmeiras. A negativa veio
de Andrés e Roberto de Andrade.
Na
verdade não havia só a preocupação com a contusão por parte dos dirigentes.
Caso Guerrero fizesse uma ótima partida e marcasse, dois, três gols, fosse o
responsável pela vitória no clássico, a diretoria acabaria exposta. E
massacrada pela imprensa, por torcedores por não terem capacidade de segurá-lo
no Parque São Jorge. O mais seguro foi dizer, não. Chega de colocar a camisa
corintiana.
Guerrero
não confirmará. Mas saiu magoado do clube onde foi campeão mundial. Queria
fazer uma apoteótica despedida contra o Palmeiras. Vai seguir sua vida.
Provavelmente no Rio. Badalará, namorará atrizes, celebridades. Mostrará suas
tatuagens na Barra da Tijuca. E tentar ser o ídolo que tanto o Flamengo
precisa.
Andrés
e Roberto Andrade estão aliviados. Não teriam mesmo como comprometer R$ 40
milhões com o artilheiro. Não como estão: agoniados com a dívida com o
Itaquerão.
O
adeus foi inevitável. Mesmo Guerrero sendo o melhor atacante a atuar na América
do Sul e principal responsável pela conquista do Mundial. Não há dinheiro para
um jogador tão importante no Parque São Jorge…

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