Americano do Flamengo mostra fluência no português.

9
GLOBO
ESPORTE – Levar no bom humor e entender como algumas coisas funcionam no Brasil
não foi um problema para o pivô Jerome Meyinsse, do Flamengo, que joga pelo
Rubro-Negro desde 2013. A adaptação ao basquete brasileiro também não foi uma
complicação. A principal barreira para o jogador, levado na esportiva, são os
regionalismos da língua portuguesa.
– No
primeiro que eu cheguei, joguei em Goiânia e não entendi muito bem os que eles
falavam. A mesma coisa quando visitei o Nordeste e o Norte. Disseram também que
no Sul se fala diferente, de outro jeito – conta o jogador.

Acostumado
a escapar da marcação nos jogos, o pivô não fugiu de expressões normais nas
regiões de Sorocaba e Itapetininga, terra natal de José Neto, técnico da
equipe, e tentou compreender algumas gírias locais.
Meyinsse
e o elenco do Flamengo estão na cidade paulista, que fica a 90 quilômetro de
São Paulo, onde enfrentam a Liga Sorocaba pela quinta rodada rodada no Novo
Basquete Brasil (NBB), nesta quarta-feira, às 20h, no ginásio Gualberto
Moreira. O GloboEsporte.com acompanha o jogo em Tempo Real com vídeos
exclusivos dos principais lances.
Adaptado
ao Rio de Janeiro, o sotaque carioca e as gírias da Cidade Maravilhosa, o pivô
revela que a cultura brasileira é única, mas que é difícil entender o português
de algumas regiões do Brasil. O sotaque e as expressões locais são a maior
dificuldade para o americano, natural do estado de Louisiana.
– Eu
ouvi vários sotaques dentro do meu time mesmo. Meu professor é do Nordeste, ele
fala diferente, demorei para aprender, entender ele. Agora está tranquilo, tem
outros jogadores de São Paulo, consigo entender eles facilmente. Eu entendo a
maioria dos brasileiros.
Dentro
da quadra, o jogador é um dos destaques do time, garantindo o tricampeonato do
NBB, o título da Liga das Américas e da Copa Intercontinental, o mundial de
basquete. Figura fácil no Jogo das Estrelas do NBB, o pivô foi o MVP das finais
do nacional da temporada 2013/2014.
Fora
das quatro linhas, Meyinsse é descontraído, brincalhão e conhecido como “Rei do
Açaí”, pelo gosto que tomou com a fruta do norte brasileiro. A proporção da
brincadeira com a sobremesa foi tamanha, que flamenguistas criaram a “FLAçaí”,
uma torcida organizada em homenagem ao atleta, que faz vídeos usando a fruta e
divulga em suas redes sociais.

Eu, quando cheguei aqui, tinha essa vontade de tentar ser brasileiro. Tentar
aprender o idioma, a cultura. É melhor se acostumar de tudo. Estou aqui
sozinho, não tenho família. Então se eu aprendesse o idioma e a cultura eu
ficaria mais confortável. Então cresceu essa história de Rei do Açaí, não
imaginava, mas para mim fica ótimo. Todo mundo na rua fica falando comigo e eu
gosto. Açaí é meu espinafre
Meyinsse
também comentou o momento do Flamengo, que passou por reformulação no elenco. O
pivô perdeu alguns companheiros, mas também ganhou novos colegas.
– É
parte do basquete, Não vai ter o mesmo time todo ano. Pessoas saem, outros
entram. Os que entraram são bons, mas possuem características diferentes. Aí é
parte de aprender, eles têm que aprender nosso sistema e quem estava aqui tem
que aprender a jogar com eles. Não é só o neto que tem que falar das
expectativas. Os jogadores que já estavam aqui devem ajudar os novos.
VOCABULÁRIO DE SOROCABA E REGIÃO
Tché: interjeição de
“não vai dar” ou “até parece”
Castele:
“preste atenção”; “repare”; “olha só”
Chovendinho:
“chovendo pouco”; faz parte de uma lista de outros diminutivos no
gerúndio usados na cidade
Pode erguer:
“não vai dar”
Dar um pulinho:
“passar rapidamente por um lugar”
Forfé:
“confusão”
Breganhar:
“barganhar”; “trocar objetos”

COMENTÁRIOS: