Chapa Verde: Os desafios para o Futebol durante a crise.

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CHAPA
VENCER – O futebol brasileiro vive um momento de profundas mudanças. Em meio à
grave crise econômica que o país atravessa, os clubes precisarão praticar uma
nova forma de gestão.

A
aprovação do Profut (Programa de Modernização da Gestão e de Responsabilidade
Fiscal do Futebol Brasileiro) no Congresso, apesar de positiva para auxiliar na
equação dos problemas com o pagamento de impostos atrasados, fará com que os
times tenham que adotar uma rigorosa disciplina no uso de seus recursos para a
realização de custos operacionais e investimentos.
Dentro
desse conceito de responsabilidade financeira e de aprimoramento de gestão, o
Flamengo, então sob nosso comando administrativo/financeiro, iniciou em 2013 um
programa de ajustes que nos possibilitou equacionar dívidas antigas e pagar
despesas correntes em dia.
Conseguimos
um importante resgate de credibilidade e reputação para o clube mais popular do
Brasil nos colocando em situação privilegiada para enfrentar tempos difíceis.
Segundo dados do Itaú BBA, a dívida total dos 23 maiores clubes do Brasil
chegou a R$ 4,5 bilhões em 2014, o que representou um aumento de 22,8% em
relação a 2013.
Ao
mesmo tempo, vimos uma retração de investimento na ordem de 23,5%. Já o
Flamengo, graças a um aumento significativo que conseguimos nas receitas de
marketing e um rigoroso controle de despesas que implementamos, obteve em 2014
o maior lucro da história do futebol brasileiro, com R$ 64,311 milhões.
O
Ebtida (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortizações) subiu 37%
entre 2013 e 2014, chegando a R$ 117 milhões. No ano passado, o Flamengo
conseguiu o valor histórico de R$ 347 milhões de receita bruta, com 27% de
crescimento em relação ao ano anterior e 64% acima do resultado de 2012.
O
esforço financeiro que fizemos em nosso período de administração permitiu o
pagamento de R$ 224 milhões em dívidas, sendo R$ 138 milhões do principal e R$
86 milhões de juros líquidos, fazendo com que a divida do clube caísse dos R$
750 milhões de 2012 para R$ 577 milhões no final de 2014.
Os
direitos de TV, ao contrário da maioria dos clubes, não representam hoje mais
da metade da receita. Com o crescimento das arrecadações com marketing e
competições, o seu percentual caiu de 52% em 2011 para os 33% de 2014.
Ao
nos desligarmos da atual administração do Flamengo para apoiar a candidatura de
Wallim Vasconcellos nas eleições de dezembro, podemos afirmar que é possível
mudar a forma de gerir o futebol brasileiro. Práticas do passado, ainda
vigentes em vários clubes, precisam ser definitivamente descartadas.
É
hora de profissionalizar ainda mais a gestão. É hora de se valorizar quem sabe
administrar. Não se pode aceitar que instituições que fazem parte da paixão dos
brasileiros, muitas delas com faturamento superior a R$ 200 milhões/ano, sejam
gerenciadas com aventuras ou amadorismo. O trabalho que fizemos em nosso clube
do coração é uma prova de que isso é possível. O Flamengo já andou um bom
caminho. Não se pode permitir retrocesso algum.
O
momento exige cada vez mais de seus dirigentes esportivos: experiência,
articulação empresarial e capacidade de execução comprovadas. Só assim o
futebol brasileiro conseguirá retomar a liderança que nunca deveria ter
perdido.

RODOLFO
LANDIM, 58, é presidente da Ouro Preto Óleo e Gás. Foi presidente da BR
Distribuidora e vice-presidente de planejamento e orçamento do Flamengo
RODRIGO
TOSTES, 39, diretor-executivo de operações do Comitê Organizador da Olimpíada
Rio-2016, foi vice-presidente de finanças do Flamengo

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