Com 220 jogos e 62 gols, Pikachu se despede do Paysandu.

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SURGIU
– Em 2012, com dificuldades financeiras, o Paysandu apostou em jogadores da
base no Campeonato Paraense. Sob o comando do técnico Nad, o time que estreou
com derrota por 2 a 1 para o Cametá tinha Tobias, Pablo, Jairinho, Billy, Neto,
Nenê Apeú e um tal Yago Pikachu. De cabelo loiro e sem um grande porte físico,
poucos apostavam no sucesso do lateral direito com nome de personagem de desenho
animado. Quatro temporadas depois, Pikachu é considerado a principal revelação
do futebol paraense nos últimos anos. Depois de 220 partidas e 62 gols
marcados, ele se despede do Papão com status de ídolo e possibilidade de se
transferir para o Flamengo, clube de maior torcida do país.


Esse é o momento de sair. Estou bem preparado, maduro para sair e não bater de
volta, como acontece com alguns jogadores. Não posso divulgar as propostas que
tenho, isso todo mundo vai ficar sabendo nos próximos dias. O momento é de
agradecer a todos, principalmente ao torcedor pela confiança e carinho. Mesmo
nos momentos difíceis, eles ficaram do meu lado.
As
despedidas do Paysandu iniciaram na vitória por 1 a 0 diante do Criciúma, na
penúltima rodada da Série B do Brasileiro. No último jogo em Belém, diante do
torcedor, o atleta de 23 anos vinha tendo uma atuação comum, sem o brilho ideal
para um adeus em casa. Mas quis o destino que, aos 42 minutos do segundo tempo,
o lateral acreditasse em uma jogada praticamente perdida e, muito mais na
vontade do que na técnica, cruzasse rasteiro para a finalização de Edinho. Era
o protagonismo que faltava. O gol não veio, mas Pikachu levou a mão ao rosto no
momento da comemoração. A emoção foi incontrolável.

Queria que a despedida fosse com uma vitória pelo fato de estar jogando em casa
e graças a Deus foi o que aconteceu. Por tudo o que fiz, quero agradecer a
todos. Honrei a camisa do Paysandu do primeiro ao último jogo.
Yago
até que tentou, mas não conseguiu achar o gol mais bonito, a partida ideal com
a camisa do Paysandu. Foram 62 gols incluindo pênaltis, faltas, outros com a
bola rolando e até um olímpico. Hoje, de saída, mais maduro do que naquela
derrota diante do Cametá, no primeiro jogo como profissional, o atleta procura
por voos maiores na carreira. E ele faz questão de levar o Pikachu no nome. O
apelido, se no passado era visto com preconceito, agora é a marca de um lateral
que soube aproveitar as oportunidades e se prepara para escrever uma nova história,
dessa vez fora do futebol paraense.

Lembro de todas as partidas, de todos os jogos. Os confrontos diante do Sport,
em 2012, os jogos contra o Palmeiras… O meu primeiro jogo, contra o Cametá,
mesmo que com derrota. O meu primeiro gol, diante do Águia, em Marabá. Todos os
momentos são importantes, até as derrotas. É um aprendizado grande que temos
diariamente. Infelizmente, o acesso não veio. Seria maravilhoso sair do
Paysandu com o acesso à Série A. Espero um dia voltar e que a porta esteja aberta
pra mim.

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