Corinthians aproveita hibernação do Flamengo.

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GOAL
– O título do Brasileirão 2015 reacende a disputa entre os torcedores de qual é
o clube mais popular do país. Muito mais do que uma simples discussão de
botequim, o duelo levanta fatos que indiscutivelmente tendem a favorecer o
clube paulista, que além de fazer a sua parte, se beneficiam de uma sequência
de erros inacreditáveis dos rivais cariocas.
Se
quem entrar neste debate se basear em dados recentes não terá dúvida de que o
Timão dá uma goleada nos Rubro-Negros. Sim, pois nos últimos 25 anos o
Corinthians levantou o 7 troféus de campeão brasileiro (verdade que um deles da
Série B), enquanto que os cariocas apenas 2.
Até
mesmo o grande argumento dos flamenguistas, de que jamais foram rebaixados,
joga contra, pois nenhum clube do Brasil soube aproveitar tão bem uma crise
como os Corintianos, que utilizaram este ponto como um momento de virada em sua
busca pela conquista do mercado nacional.
Além
de apresentar dois mundiais reconhecidos pela Fifa, título que os cariocas não
possuem nenhum, o Timão também diz que suas conquistas de brasileiros não são
apresentados com nenhum asterisco, fazendo uma alusão a Copa União de 1987,
que  oficialmente sagrou o Sport como
campeão brasileiro daquele ano.
Como
se não bastasse, até mesmo as médias de públicos dos últimos anos mostram que
os paulistas estão goleando os cariocas. Curiosamente o índice que teoricamente
iria favorecer os Rubro-Negros, média do Brasileirão 2015, se torna um balde de
água fria, já que a partir desta edição, os atuais campeões brasileiros
passaram a contar com o seu próprio estádio, que teve uma média de ocupação de
71% contra 41% dos jogos que o Fla foi mandante, o que põe o Timão muito a
frente do Flamengo no quesito arrecadação de bilheteria (Veja o quadro abaixo).

Tudo
isso serve para mostrar que apesar da chamada “espanholização” do nosso
futebol, não basta ter dinheiro em caixa vindo da injusta divisão imposta pela
emissora de TV que faz o repasse dessa verba. É necessário arregaçar as mangas
e trabalhar duro dentro e fora de campo. A atual direção do clube do Rio de
Janeiro trabalha duro para reverter o caos financeiro, porém se baseia em uma
estratégia de trocar dívidas antigas por outras mais novas, se esquecendo de
que essa tática, além de levar muito tempo para dar resultado, precisa de uma
continuidade, que a realidade dos clubes brasileiros não oferecem atualmente.  O próprio Fla serve de exemplo, já que
ninguém sabe se a situação estará no comando do clube no próximo ano e se a
política será mantida na próxima gestão. Aliás, pela primeira vez na história
deste país (como diria um certo político corintiano), ninguém sabe quem é situação
e quem é oposição no time da Gávea, já que o racha na atual diretoria exibiu
ainda mais a fragilidade do sistema.
Até
hoje alguns Rubro-Negros mais apaixonados teimam e bater no peito e dizer que a
“Nação” é a maior torcida do mundo, que ninguém encara o Flamengo no Maracanã,
ou então a famosa frase, “deixou chegar, já era”. Certamente a paixão faz com
que esses fiéis torcedores não vejam que os clubes europeus hoje não se limitam
aos seus próprios países e se tornaram times globais, que o Flamengo teve em
2015 uma das piores campanhas como mandante e que apesar de ficar quatro anos
sem figurar no G4 do Brasileirão, o time não embalou e vai precisar se
contentar a ficar na zona do limbo, mais uma vez. Deixar a soberba de lado
seria o primeiro passo para o crescimento.
Tudo
isso serve para mostrar que se o Flamengo não acordar de sua hibernação, em
pouco tempo verá o seu rival o engolir no mercado nacional também fora de
campo, pois dentro dele já está fazendo isso há tempos.
Rodrigo
Calvozzo | @rodrigocalvozzo

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