Ex-Presidente do Flamengo justifica apoio à Chapa Azul.

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LANCENET
– A três semanas da decisão nas urnas do futuro político do Flamengo, o
ex-presidente Márcio Braga decidiu posicionar-se. Virou Chapa Azul, um apoio
formalizado durante reunião na Gávea com o presidente Eduardo Bandeira de
Mello. Logo após o anúncio, o ex-dirigente rubro-negro, de 79 anos e seis
mandatos à frente do Flamengo, conversou com o LANCE!. Ele explicou o motivo de
ter “demorado” tanto a tomar partido na campanha e falou sobre outros aspectos
do futebol brasileiro.


Estava procurando um meio de juntar as duas chapas, pois acho que esse racha
vem em detrimento de interesses maiores. Como não foi possível, vamos ver se
depois conseguimos trazer essa boa gente que está na Chapa Verde para
contribuir com a grandeza do Flamengo. Estou aqui há anos. O que caracteriza o
Flamengo é que sujeito podia não estar aqui, mas onde estivesse ajudaria o
Flamengo. O que esperamos é que essa gente boa continue colaborando. Um vai
ganhar a eleição, não há empate, ainda que seja por idade, os outros têm de
colaborar – afirmou o ex-cartola.
Como avalia o momento da campanha e o
comportamento da oposição?
Um
dia estavam chamando minha atenção. Essa Chapa Verde colocou uma série pessoas
que apoiam a chapa. Grandes empresários, presidentes, e é maravilhoso ter um
grupo como esse. Mas nunca vi nenhum deles aqui dentro. Destes aí, nenhum é
sócio. A primeira coisa que se tem de fazer é assinar o carnê. Para conversar
sobre Flamengo, tem de ser sócio do Flamengo. Aqueles todos eu acho
maravilhoso, mas tem que colocar todos de sócio, pagar a taxa de manutenção. É
um dos motivos que estou com a Chapa Azul e que devemos desenvolver uma
política para trazer essa gente boa que se tem do lado de lá.
Acha que, pelo caminho que o Flamengo
tem trilhado, o presidente voltará a dizer “acabou o dinheiro”?
Agora,
com o Profut, hoje é outro mundo. O clube vai ter mais capacidade de
investimento, vai liberar os recursos para investir no futebol, vai melhorar.
Quem comandou um clube em eras
diferentes, na última com Adriano no elenco, como vê a situação do “Bonde da
Stella”?
Acho
que o departamento de futebol não teve boa habilidade para tratar do assunto. É
uma coisa complicada. Sempre existiu. Isso de jogador fazer farra é aqui e em
todos os lugares. Mas não se deve deixar explodir como explodiu.
Com a experiência de quem participou do
nascimento do Clube dos 13 e da Copa União, como vê a Sul-Minas-Rio?
O
mundo mudou muito, mas o futebol está mais atrasado ainda no Brasil. O conflito
continua sendo o interesse dos clubes contra o interesse das entidades de
administração. Tem que manter o rumo. Não conseguimos em 1987 porque em 1988 o
Eurico pulou do barco, elegeu o Ricardo Teixeira, que veio com a bandeira de
acabar com o Clube dos 13, com um processo altamente corrupto, que foi
denunciado por mim. Outro dia li um pronunciamento meu ao Otávio Pinto
Guimarães há 30 anos: “Otávio, chama a polícia!” O problema está na
organização, no duto que leva dinheiro para as entidades e não para os clubes.
Então é preciso cuidado porque pode ter
gente pulando fora?
O
Clube dos 13 foi um rompimento com a organização do futebol brasileiro. Quando
Otávio disse que não tinha condições de organizar o campeonato por falta de
datas e recursos, liguei para o Aidar, disse: “Chegou a hora da
revolução”. Mas eles mudaram de lado depois. Estamos vivendo momento mais
significativo do que o da época. O que estamos vendo, exige uma ruptura de
fato. Se estou sentado na cadeira do Bandeira, rompo com a Federação, desfilio
o Flamengo. O que está acontecendo na CBF é um forte indicio da mesma
corrupção, do modelo da Fifa. Está na hora de instituições romperem com esse
sistema e tomarem o poder.
Em relação às cotas de TV e relação com
a Globo, como agir?
Acho
que o Flamengo tem que receber mais. É 70% da receita do futebol carioca, tem
que receber proporcionalmente ao que representa. Hoje, pagam alguma coisa boa
para o Flamengo, mas acho que é pouco pelo que o Flamengo representa. Futebol é
um grande produto e custa menos que as novelas, sai mais barato.

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