Gol do Flamengo.

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RICA
PERRONE – Se Deus soubesse como fazer todos os seus filhos felizes de uma só
vez, o faria. Ele não sabe.
Ninguém,
desde a criação da Terra, conseguiu inventar algo que consiga deixar tanta
gente feliz ao mesmo tempo quanto um gol do Flamengo.
Gols
de seleções são menores, causam menos euforia e são apenas a nosso favor.
Entenda: gols são marcados para misturar minha alegria em faze-lo e outra em te
ver sofre-lo.
Portanto,
assim sendo, nada no mundo pode fazer mais gente feliz ao mesmo tempo do que um
gol do Flamengo.
Essa
energia carioca que se espalha pelo país aos berros em janelas, becos,
coberturas e vielas, intercalando o “Mengoooo!”, “Flamengo!” e “Framengo!”.
Sim,
“Framengo!”. E não há nada de errado nisso, a não ser sua pouca inteligência em
saber interpretar tal forma de expressar o nome de seu clube em “favelês”. Se
tu não fala essa língua, ignorante é você.
Querido,
odiado, perseguido, ajudado. Pouco importa. Não há um só domingo em que haja
uma comoção maior de pessoas voltadas para algo que não um gol do Flamengo.
As
vezes ele acontece, as vezes não. Graças a Deus na maioria das vezes sim,
mantendo o equilíbrio da bolsa de valores, o bom humor característico da cidade
e também o “bom dia” de tanta gente em Manaus, Brasília, Rondonia, Bahia,
Amapá, Acre e Santa Catarina na segunda-feira.
Quantos
domingos em 120 anos foram salvos por um gol do Flamengo? Quantas famílias
terminaram o domingo sorrindo por um bendito gol do Flamengo?
Quantos
filhos não ganharam um afago antes de dormir porque houve gol do Flamengo?
Quantos
pais e filhos não mantém num gol do Flamengo o seu abraço mais sincero e
apertado?
Qual
a manifestação cultural de menor discriminação social no mundo do que um gol do
Flamengo?
Quanta
gente não depende deste gol para explodir tudo que está engasgado?
Quanto
os psicólogos deixaram de ganhar ao terem terceirizado involuntariamente uma
terapia aos gols do Flamengo?
Hoje
é 15 de novembro de 2015. São 17h08…
É
gol do Flamengo.
Luiz
Antônio. O que gol que menos vale no ano, talvez. Mas e dai?
Não
há nada maior do que um gol do Flamengo.

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