Números justificariam Ganso no Flamengo.

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MAURO
CEZAR PEREIRA – No post anterior, a
informação sobre a nova investida que o Flamengo prepara com o intuito de
contratar Paulo Henrique Ganso gerou muitas reclamações de rubro-negros. E
torcedores de outros clubes se manifestaram desejando que o camisa 10 troque o
São Paulo pela Gávea. Nas redes sociais e nos comentários no próprio texto a
maioria massacrante atacou o jogador. Em suma, a rejeição é imensa. Mas faz
sentido?
Na
tentativa de chegar a uma conclusão, o blog separou um grupo de meias que se
destacam neste Campeonato Brasileiro, os melhores em passes para gols,
fundamento no qual os atletas da posição se destacam. E no comparativo entre
Jádson (Corinthians), Diego Souza (Sport), Giovanni Augusto (Atlético) e
Giuliano (Grêmio), o são-paulino não se sai mal. Os números são do Footstats.
Confira!
1)
Ganso é o segundo em assistências no campeonato, tem nove contra 12 de Jadson,
empatado com Diego Souza, mas com média melhor.
2)
Em passes para finalizações ele fica atrás de Jadson, Giovanni Augusto e
Giuliano, mas tem média melhor do que a do gremista.
3)
Entre esses meias é o que terceiro que mais acerta passes, atrás de Jádson e
Giuliano, bem à frente de Giovanni Augusto e Diego Souza.
4)
Na comparação com esses mesmos jogadores, é o que menos perde a posse de bola,
média de 3,9 vezes por jogo. Giuliano, o pior no quesito, registra 6,5.
5)
Neste grupo é o terceiro que mais finaliza (1,2 vez por jogo) e também o
terceiro em arremates certos (0,5 de média). Jádson, o de melhor pontaria, tem
1,8 finalização por partida e 1,1 no alvo.
6)
Ganso também é neste grupo o que mais acerta lançamentos, 51,4%. Giovanni
Augusto tem 47,8% e Diego Souza, o último dessa lista, 39,8%.
7)
Em gols Paulo Henrique Ganso é o pior do grupo, com dois. Jádson tem 13 e Diego
Souza oito tentos, Giuliano seis e Giovanni Augusto cinco.
8) O
dado mais surpreendente para muitos: entre esses meias, os que mais dão
assistência, Ganso é o que mais desarma certo: 57 vezes no total, duas por
jogo. Giovanni Augusto tem 1,5 de média, Giuliano 1,2, Diego Souza um e Jádson
0,7.
E se
compararmos Ganso e o selecionável Lucas Lima, que não está entre os principais
em assistências, e por isso não foi incluído na análise acima? Veja abaixo o
equilíbrio entre os dois nos números do Footstats:
Assistências:
Ganso 9 x 5 Lucas Lima
Passes para finalizações*:
Lucas Lima 2,8, x 2,0 Ganso
Passes certos*:
Lucas Lima 44,2 x 40,5 Ganso
Perda de bola*:
Ganso 3,9 x 7,5 Lucas Lima
Finalizações*:
Ganso 1,2 x 0,8 Lucas Lima
Finalizações certas*:
Ganso 0,5 x 0,4 Lucas Lima
Lançamentos certos*:
Ganso 51,4 x 43,5 Lucas Lima
Gols: Lucas Lima 4 x 2
Ganso
Desarmes*:
Lucas Lima 2,1  x 2,0 Ganso
* média por jogo
O
blog já se atreveu, no começo do ano passado — clique aqui e leia —, a sugerir
Ganso mais recuado, como um quase volante inspirado em Pirlo, Xabi Alonso,
Modric, Schweinsteiger e Gerrard, grandes nomes da função. Independentemente de
uma eventual mudança de posicionamento, o jogador pode, sim, ser uma boa
contratação. Para isso, deve ser encarado como um reforço “normal”,
não como um cracaço que está chegando, pois isso ele não é, ou pelo menos não
tem sido há uns cinco anos.
Importante: se
o custo for compatível com o que vem apresentando, que não é ruim, tampouco
espetacular; sua chegada a outro time para encontrar novos ares pode ser boa
para os envolvidos. De preferência sem a camisa 10. Você duvida: então imagine
o que diriam muitos se os números de Paulo Henrique Ganso acima citados fossem
de outro jogador. Os acharia ruim? A rejeição a ele está muito mais ligada ao
que imaginávamos que seria capaz de apresentar do que pelo que vem mostrando.

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