Pelo Flamengo, torcedor perde namorada e conhece ídolos.

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GLOBO
ESPORTE – Existem jogos que são marcantes no futebol. Duelos que vão além de
uma mera partida e se tornam inesquecíveis. E quando se trata de um clássico
então, aí nem se fala, a emoção só aumenta e qualquer jogada diferente já torna
o confronto espetacular. Mas, imagina tudo isso junto numa final de Campeonato
Brasileiro? Foi diante de um panorama como esse que o torcedor fanático do
Flamengo Watson Santos se juntou à nação rubro-negra. E, desde então, conheceu
uma nova paixão.
Com
apenas 10 anos de idade, ele assistiu pela TV à decisão do Brasileirão de 1992
entre Flamengo e Botafogo, quando o time da Gávea conseguiu seu quarto título
brasileiro. Além de ver craques como Paulo Nunes, Júnior, Wilson Gottardo,
Zinho e Júnior Baiano, o garoto se encantou pela massa rubro-negra, a torcida apaixonada
que embalou a conquista. Depois disso, o fanatismo já estava no sangue e ele
começou a seguir os passos do time. Crescido e já flamenguista de “corpo e
alma”, as histórias de loucuras pelo clube começaram a surgir. Uma delas,
a mais engraçada e exótica, segundo ele:
– Eu
estava ficando com uma garota, e começamos a namorar. Ela marcou um almoço 15
dias antes da grande final do Carioca (de 2001), numa tarde de domingo, e nem
lembrei do jogo. Ela falou com o pai, que era muito rígido, e a mãe era
evangélica. Eu gostava muito dela e disse que iria participar. Falei que iria
ficar no máximo até 14h, pois o jogo começava às 16h e não iria perder por
nada. Pois bem, o pai dela saiu logo cedo e só chegou 13h50… e eu esperando.
Tive que ficar para almoçar, e começou o jogo. No fim do primeiro tempo,
ficamos conversando, e o pai dela: “Você vai terminar de assistir ao jogo
comigo, né?” Passei o jogo todinho sem chamar um único palavrão! No último
lance, doido para soltar um palavrão apenas, veio a falta do Pet… Fiquei de
olhos fechados esperando que na TV surgisse o grito de gol. Só abri o olho um
pouco pra confirmar o gol e soltei uns 40 palavrões dos mais baixos que
existem, de olhos fechados (risos), e quando abri, estavam todos calados me
olhando. Fui embora correndo até chegar no bar para encontrar os amigos! No
outro dia, com bastante ressaca, liguei para a namorada, e ela falou:
“Meus pais disseram que nunca mais você venha aqui em casa”. Assim, o
namoro, que mal havia começado, terminou.
A
paixão do fanático torcedor ficou tão notória que ele fez amizade com Peu
Santos, ex-jogador rubro-negro, campeão da Libertadores e Mundial de 1981, e
Brasileiro de 82. O ídolo flamenguista mandou até um recado para Watson,
ressaltando o amor dele pelo clube.
Com
o passar dos anos, o paraibano de Campina Grande, que mora em Caruaru, no
Agreste de Pernambuco, foi “perseguindo” o Rubro-Negro por onde ele
passava no Nordeste.

Fui em quase todos os jogos do Flamengo em nossa região. Nesses últimos dois
anos, acho que fui em todos. Já estive nas partidas realizadas em Recife, na
Arena das Dunas, em Natal, recentemente em Salgueiro, estive na grande final em
Maceió (da Copa dos Campeões de 2001, no Estádio Rei Pelé), em Campina
Grande… Sempre que dá, e até quando não dá, eu vou (risos).
Entre
idas e vindas, Watson tem cada vez mais se aproximado dos jogadores do
Rubro-Negro. Com o velho “jeitinho brasileiro”, ele tem conseguido
conhecer os ídolos e até já levou o filho Vinícius Santos para entrar com o
time em duas oportunidades, na Arena Pernambuco. O amor ao time da Gávea é tão
grande que a festa de aniversário do filho – que ocorre no mesmo mês do Fla –
homenageará a equipe.
– O
aniversário do meu filho é este mês, e adivinha o tema? Mengão! E ele quem
escolheu, ele tem 6 anos. No último jogo do Flamengo em Recife, Vinícius e eu
conhecemos e tiramos fotos com Emerson Sheik e todos os jogadores. Todas as
vezes que o time vem jogar na capital pernambucana, meu filho entra em campo
com os atletas.

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