Por Muricy, proposta mais alta é a do Atlético-MG.

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COSME
RIMOLI – Levir Culpi está angustiado. Esperava que seu trabalho no Atlético
Mineiro fosse recompensado com a renovação de contrato. O segundo lugar está
quase assegurado no Brasileiro. O time fez excelente campanha. A diretoria e
ele mesmo protestaram contra arbitragens que teriam ajudado o Corinthians.
Mas
seu discurso de campeonato manchado perdeu força. Por causa do próprio time de
Tite. Os dirigentes atleticanos já estavam preparados para criticar, fazer um
verdadeiro escândalo para a proteção dos árbitros para o time paulista.
Esperavam apenas o jogo do dia primeiro de novembro. Apostavam que venceriam o
Corinthians no Independência. E depois ‘colocariam’ a boca no mundo.
A
data chegou. Levir animou os dirigentes. Principalmente o presidente Daniel
Nepomuceno. O Atlético Mineiro mostraria que deveria ser o campeão brasileiro
de direito em 2015. Mas o time foi goleado pelo Corinthians. A superioridade
foi espantosa. Sem auxílio algum da arbitragem. 3 a 0 acabou sendo até um
placar modesto.
Desde
aquela partida, o futebol do Atlético Mineiro foi murchando. Venceu o
Figueirense, de forma injusta, com um gol no último minuto. 1 a 0. Depois foi
goleado pelo São Paulo por 4 a 2, na rodada passada, que confirmou os
corintianos como hexacampeões. O baixo astral se seguiu. E ontem acabou sendo
vaiada pela própria torcida no medíocre empate contra o Goiás, em Belo
Horizonte.
A
diretoria atleticana perdeu toda a confiança em Levir Culpi. O treinador
percebeu. Não param de surgir notícias sobre o novo treinador do time em 2016.
A identidade varia. Mas em comum, apenas a constatação que o atual técnico não
interessa.
Muricy
Ramalho é o nome da vez. Ele teria recebido uma proposta importante para
comandar o time. Salário imbatível. Nem Internacional ou Flamengo, clubes que o
namoram, poderiam igualar.
Antes
dele, o retorno de Cucar era uma possibilidade. Todos em Minas sabem que ele se
cansou da China. O treinador campeão da Libertadores de 2013 tem as portas
abertas e o respeito dos dirigentes, da torcida.
Além
da dupla, dois argentinos são repetidamente citados. Edgardo Bauza e Alejandro
Sabella.
Levir
demonstra em cada entrevista que está cada vez mais decepcionado. Ele foi
contratado no ano passado para reestruturar o time que fracassou no Mundial.
Substituiu Paulo Autuori de passagem constrangedora na Cidade do Galo. Culpi
teve coragem e mandou embora Ronaldinho Gaúcho. Montou um grupo competitivo.
Derrotou o Cruzeiro que era bicampeão brasileiro e ganhou o título da Copa do
Brasil.
Venceu
o Mineiro. A torcida se animou à toa na Libertadores. Acabou eliminado nas
oitavas, caindo diante do Internacional. O sonho do bicampeonato morreu cedo
demais e já arranhou Levir.
No
Brasileiro, brigou por rodadas e mais rodadas com o Corinthians. Até o fatídico
encontro. Os dirigentes se mostram aliviados por não terem renovado
antecipadamente o contrato com ele. Esta queda de rendimento e até de ânimo dos
atletas é assustadora.
Muita
gente importante no Atlético acredita que o grande erro do treinador foi criar
um clima ruim para o clube. Avisar que o Brasileiro estava ‘manchado’ trouxe
uma desnecessária responsabilidade para os jogadores. Eles precisariam
justificar em campo as declarações do seu técnico. A insinuação que o time
estava sendo prejudicado. Ou por outra, o Corinthians ajudado. Os dirigentes
estavam dispostos a comprar sua tese. E reclamar muito nos veículos de
comunicação.
Mas
o fraco futebol nestas últimas e decisivas partidas acabaram com qualquer
moral. Como um time que é goleado pelo apático São Paulo, não consegue vencer o
fraquíssimo Goiás em casa e é goleado pelo Corinthians no Independência pode
alegar qualquer coisa?
Levir
é inteligente. Sabe que seu cargo é cobiçado. E deixa claro que a diretoria
quer analisar no mercado o que fazer. Estudar as possibilidades.
“Sabem
quantas pessoas estão ligando para o presidente neste momento? Quantos agentes
de técnicos e jogadores? Sabem quantas pessoas estão interessadas no meu lugar?
Muitas. Quem tem que definir isso é o presidente e o diretor. Pode começar com
quem vai ser nosso técnico? Qual a característica do técnico? É muito técnico,
é mau caráter, trabalhador? Que perfil a gente quer para o Atlético-MG? O
presidente e diretor têm que resolver.”
O
treinador tem mercado de trabalho. Sabe que não ficará desempregado caso não
renove com o Atlético. Internacional, São Paulo, Flamengo são possibilidades.
Algo
ele tem certeza em relação a 2016. A diretoria já está estudando o que fará.
Pensando em nomes para reforçar o elenco na disputa de mais uma Libertadores. E
Levir não participa efetivamente dessas conversas. O que é um enorme indício
que suas chances de seguir são pequenas.
“Esta
histeria está prejudicando o clube. Ano passado, fechamos no último dia do ano.
Estamos disputando o segundo lugar. Não vou falar sobre siso. Levir é um bom
treinador. Já falaram que assinei com outro treinador. A verdade é que não
estive com ninguém. Estou esperando definir o campeonato”, afirma
Nepomuceno.
O
presidente do Atlético é muito hábil com as palavras.
Não
se comprometeu com Levir.
Disse
apenas que espera o Brasileiro acabar.
Hoje
já é dia 23 de novembro de 2015.
A
Libertadores de 2016 deverá começar no início de fevereiro.
Um
clube grande como o Atlético sabe o que fazer.
Precisa
se planejar.
E o
mais rápido possível.
Ficar
parado e nem saber quem será o técnico não é uma opção.
Em
Belo Horizonte se aposta que o nome já foi escolhido.
E os
reforços, definidos.
Rádios
insistem em Muricy Ramalho.
O
treinador jura que ainda não assinou com ninguém.
Mas
a sondagem do Atlético Mineiro já seria uma realidade.
Assim
como a do Inter e do Flamengo.
Levir
segue cada vez mais desgostoso.
Não
era esse o final de Brasileiro que imaginava.
Ninguém
mais toca nos erros de arbitragem a favor do Corinthians.
Os
fracassos nos últimos jogos do Atlético tiraram ‘todas as manchas’…

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