Saiba como uma psicóloga amansou Willians ‘Pitbull’.

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ESPN
– O apelido de Pitbull que o volante Willians recebeu ao longo da carreira não
foi à toa. Conhecido por ser um jogador extremamente voluntarioso, ele muitas
vezes comete um número grande de faltas e recebe muitos cartões – é o líder de
amarelos do Brasileirão.
Atualmente
no Cruzeiro, ele vive uma nova fase sob o comando do técnico Mano Menezes e aos
poucos conquistou espaço na equipe. Virou cobrador de pênaltis, marcou o
primeiro gol e deu uma assistência para o segundo na vitória por 3 a 0 diante
do Sport no Mineirão, no último domingo.
Uma
das responsáveis pelo momento do camisa 8 é Nell Salgado, considerada quase uma
madrinha pelo meio campista. Ela é coaching do atleta de 29 anos desde os
tempos de Flamengo. Há cerca de 20 dias eles se encontraram novamente para mais
uma consulta. O jogador, que havia sido suspenso, gostaria de melhorar seu
desempenho com a camisa mineira.
Willians
viveu altos e baixos na carreira, principalmente após se destacar com a camisa
do Flamengo na conquista do Campeonato Brasileiro de 2009. Dois anos depois de
viver o melhor momento no clube carioca, ele foi afastado pelo técnico
Vanderlei Luxemburgo por indisciplina.
Além
disso, a esposa estava grávida de sete meses e os problemas ocasionados nesta
época estavam desviando a atenção do atleta dos gramados. A profissional achou
a situação perfeita para ajudar Willians e ao mesmo tempo divulgar seu
trabalho.
“Vi
na televisão que ele estava afastado e decidi que ia trabalhar com ele. Pensei:
‘É um caso perfeito, preciso saber o que se passa na cabeça dele’. Ele morava
no mesmo condomínio que eu no Rio de Janeiro e consegui o telefone da casa dele
e liguei”, disse a psicóloga Nell Salgado, membro da Sociedade Brasileira
de Coaching, em entrevista ao ESPN.com.br.
“Ele
estava muito assustado, mas acabou dando certo o trabalho (risos). Nós fizemos
uma primeira sessão muito difícil, porque ele vem de uma origem um pouco
complicada. Depois, o processo foi andando muito bem porque ele via as coisas
funcionarem”, comentou.
Salgado
explica que o processo de “treinamento mental” dura por volta de dez
consultas e é voltado para um objetivo específico, com início meio e fim.
Quando a meta é alcançada, é possível traçar outra ou não, dependendo do
cliente.
“Então
primeiramente nós colocamos como meta ele ser reintegrado pelo Luxemburgo, o
que aconteceu. Depois ele me disse que o sonho dele era ser vendido para a
Europa e ele foi para a Udinese”, analisou.
“Depois
que ele foi para a Itália disso, ele parou de fazer com frequência, mas nós
temos o coaching de agenda, que funciona quando ele tem uma necessidade e entra
em contato comigo. Hoje temos amizade com a família toda dele. Às vezes,
fazemos uma sessão para conversarmos através do Skype”, afirmou.
O
maior problema que a carioca enfrenta é o desconhecimento e a desconfiança com
o trabalho.”Ainda existe muito preconceito no mundo do futebol porque os
jogadores não querem divulgar que passaram por coaching, alguns acham que é
coisa de maluco. Já trabalhei com clientes que foram pra seleção brasileira,
mas que pedem sigilo”, ponderou.
A
prática foi importada do mundo corporativo para aumentar o desempenhos de
profissionais e que é utilzada no esporte desde a década de 70.
“Queremos
transformar o potencial em resultado, mas não podemos mudar a essência da
pessoa, é uma transformação mental. A questão psicológica é uns 70% do atleta.
Nós fazemos um trabalho com foco no objetivo, mas as decisões são dos
jogadores”, explicou.

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