Sempre é possível piorar no futebol do Flamengo.

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ENTRE
AS CANETAS – Na política há uma prática que 515 anos não foram suficientes para
mudar. Cada gestão de presidente, na verdade, é uma meia gestão, porque a
segunda metade e gasta para o mandatário se reeleger ou fazer o sucessor. O
futebol quase sempre reproduz essa prática maldita. Caso do Flamengo, que
poderia estar brigando ou até garantido no G-4 se sua atual administração não
tivesse largado o futebol de lado para cuidar do pleito do próximo dia 7.
E,
pela campanha dos times concorrentes, nem era preciso comprometer a campanha do
presidente Eduardo Bandeira de Mello – parece que ninguém quer o 4º lugar.
Tivesse vencido Santos e Ponte Preta – e dificilmente terá no futuro chance tão
clara de vencer esses dois rivais como na última semana – o Flamengo estaria,
pelo menos, com chance de sonhar com Libertadores, teria de secar Inter e São
Paulo. O que chama a atenção não foram os resultados de empate, em tese
normais. O que é inaceitável em se tratando de um clube do tamanho do Flamengo,
é a preguiça, a indolência, a falta de interesse, o “tanto faz como tanto
fez” dos jogadores.
A
apatia e a pasmaceira rubro-negra contagiaram até Oswaldo de Oliveira, que tem
a desculpa de não ter recebido qualquer tipo de satisfação sobre a intenção da
diretoria quanto a seu futuro – desculpa, sim, porque se não está satisfeito,
que peça o boné, mas se fica até o fim tem de tirar mais desse time. O que se
esperaria, aliás, dos três candidatos à presidência é que apresentassem no
programa de campanha o perfil de elenco que desejam e o nome para comandá-lo.
Mas é querer demais de gente muito mais preocupada com o próprio umbigo.
Que
a atual diretoria entende muito mais de finanças e administração do que de
futebol é fato mais velho do que a bola. Mas, se teve a humildade de entregar a
gestão do futebol a Rodrigo Caetano, tinha, no mínimo, que exigir dele
resultados, exigir que o time corra, exigir que os jogadores tenham um mínimo
de compromisso com a camisa que vestem – que não é qualquer uma. A escolha
anterior, Paulo Pelaipe, já tinha sido infeliz, mas pelo menos ele teve uma
Copa do Brasil brilhantemente vencida para mostrar. Hoje o Flamengo de Rodrigo
Caetano não só nada tem a mostrar, nem sequer uma gota de suor ou sangue, como
ninguém está uma vírgula preocupado com isso.
Ficar
fora do G-4 não é vergonha, há no mínimo 12 candidatos a cada início de
Brasileiro. Mas o Flamengo não tem menos elenco, só para começo de conversa, do
que Sport e Ponte Preta. Poucos times têm dois jogadores de fama e salário como
Sheik e Guerrero. A 180 graus desse Flamengo está, por exemplo, o Grêmio, que em
termos de nomes, de talento individual, não empolgaria ninguém, talvez tenha
menos glamour que o elenco rubro-negro, mas que forjou um baita time, física e
mentalmente forte, com gente que quer muito vencer e que consegue contagiar
todo o clube.
O
fracasso do Flamengo no Brasileiro é culpa da falta de compromisso do elenco,
um pouco mais da apatia que tomou conta de Oswaldo por não se sentir
prestigiado, muito mais da incapacidade de Rodrigo Caetano de comandar o
futebol e cobrar produtividade, e 90% da direção do clube, que escolhe mal o
comandante quando terceiriza o futebol, não percebe o barco afundando e não faz
nada além de campanha.

Ricardo Gonzalez

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