Wallace resume fim de ano do Flamengo: “Melancólico.”

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GLOBO
ESPORTE – O ano do Flamengo foi decepcionante. Sofreu duas eliminações para o
Vasco – no Carioca e na Copa do Brasil – e tinha no Brasileiro a última chance
de redenção. O título nunca foi uma realidade, mas a equipe chegou a ocupar o
G-4 por duas rodadas após emplacar seis vitórias. A arrancada foi freada
rapidamente. Com sete derrotas em oito jogos, as chances de Libertadores foram
liquidadas, e a frustração ficou exposta nos rostos e discursos de atletas,
treinador e diretor. O capitão Wallace, em longa entrevista coletiva nesta
quarta-feira, externou seu sentimento a respeito do 2015 rubro-negro. 
– O
clima é extremamente melancólico. O Flamengo jamais pode passar tanto tempo
como a gente vem passando e terminando o campeonato (Brasileiro) dessa forma. A
gente lamenta. É triste, é desmotivante, mas temos que dar o mínimo de respeito
ao torcedor e completar as partidas com dignidade – pregou.
Em
certo momento da coletiva, Wallace tentou mostrar otimismo e disse que espera
um 2016 melhor. Porém, perguntado se o Flamengo tem uma espinha dorsal para a
temporada seguinte, não soube responder.

Não sei (se tem espinha dorsal). Temos uma boa equipe, não deu liga. Parece que
estou pontuando, criticando ou apontando. Os resultados não foram favoráveis, e
o futebol, mais do que o desempenho, é resultado. Fizemos partidas horríveis e
vencemos. Fizemos boas e perdemos. A melhor equipe que vi jogar no Brasileiro
foi a do Grêmio. A equipe que tinha me encantado. Mas o fato de o Corinthians
ter vencido faz a imprensa repercutir o campeão.
O
camisa 14 ainda apontou 2015 como o ano mais irregular do Flamengo desde que
chegou ao clube, no início de 2013.

Foi um ano em que o torcedor do Flamengo foi um pouco mais impaciente. Agora:
nem todo jogador assimila isso. Não é fácil ir para o Maracanã, e 60 mil
estarem te vaiando ou criticando. Mas a questão das críticas é normal, mas acho
que esse ano foi diferente dos três anos (em que está no Fla). Foi o ano mais
tenso, mais crítico, mais irregular que a equipe teve e talvez o mais
esperançoso que tivemos. Foi um ano de controvérsias.
Confira
outros tópicos da entrevista:
O que o Flamengo precisa mudar para
2016?
O
Flamengo tem que ser Flamengo. Além da parte de campo, tem que ter mudança
estrutural. A gente sabe que a diretoria está seguindo passo por passo, e nós
atletas precisamos de paciência. Este ano cada um seguiu um pouco de uma linha
e acabamos não nos encontrando. Terminamos o campeonato oscilando de forma
exacerbada. Todo mundo achava que o time iria (dar liga) e não foi.
O que mudou para a melhor nesses três
anos de Flamengo?
Flamengo
se tornou referência. Isso é fato, todo mundo quer vir para cá. O clube hoje
tem credibilidade. Esse respeito foi readquirido. Falo na questão estrutural.
Especulações de nomes para 2016
incomodam?
Não
me incomoda, mas outros jogadores ficam extremamente incomodados, porque
circula na internet e se especula muito. Muitas mentiras se tornam verdades.
Para mim, final de ano é muito tranquilo.
Manter treinador é importante?
Não
estou especulando. A equipe que foi campeã manteve o treinador por todo o ano,
o Atlético manteve o Levir. Talvez para nós, jogadores, não seja fácil nos
adaptarmos a mudanças. Não estamos habituados a mudanças. Então (a mudança) faz
com que tenhamos de nos readaptar a um novo trabalho. Chega um novo chefe e
você tem que se adaptar de um jeito.
Como é lidar com a iminente saída do
Oswaldo de Oliveira?
Não
posso falar, porque não sei. A gente torce para que ele fique e que as coisas
possam se acertar o mais rapidamente possível.
Admite que é difícil o Flamengo manter
técnico
A
questão de o Flamengo estar se reestruturando pesa. E também por o Flamengo ser
esse vulcão todo que é. Flamengo é assim, sempre foi assim até que as coisas
mudem. Mas é preciso esperar.
Quando as coisas desandaram?
Quando
a gente empatou com o Nova Iguaçu, onde começaria o ano extremamente promissor,
o tropeço fez o Flamengo perder a Taça Guanabara. A partir dali as coisas
começaram a mudar. Não conseguimos mais manter sequência de vitórias, tirou a
confiança de todo mundo.
Por que não?
Percepção
minha, mas talvez faltou uma sintonia melhor entre nós, podíamos estar um
pouquinho melhor ajustados. A gente começou a trazer problemas desnecessários
para cá, porque tem peso no campo. O externo influencia no interno. Essa falta
de sintonia nossa também tem questão do campo. Mas o externo do Flamengo entra
muito interno.
Que pergunta faria a um dos candidatos?
Sou
torcedor do Flamengo, mas vou deixar a pergunta para quem vota. Não cabe a mim,
até porque não tenho acompanhado a parte política. Seria incoerente da minha
parte. Não é para ficar em cima do muro.
O Vasco cair é interessante para o
futebol do Rio?
Como
torcedor, claro que quero que o Vasco caia. Mas se for olhar para o futebol
carioca, que já está defasado em questão estrutural e com um campeonato que não
é atrativo, é uma perda grande para um estado que sempre foi referência. O
Flamengo perde, porque não terá um de seus maiores rivais ao lado. Estou
falando de forma racional. Se fosse passional, seria diferente. Quanto mais
cariocas e baianos, porque sou baiano, melhor.

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