Após eleição, Flamengo tem nova divisão política e oposição light

14

UOL – Uma semana depois da eleição que
garantiu mais três anos de mandato ao presidente Eduardo Bandeira de Mello, o Flamengo já vivencia a nova divisão política e
lida com uma oposição light. O mandatário tem maioria nos conselhos do clube,
mas o principal foco de resistência está no grupo União Rubro-Negra, liderado
por Cacau Cotta – dono de 259 votos no pleito.
A diferença no que promete ser o Flamengo no triênio 2016-17-18 está
justamente na abordagem da oposição. Os sócios contrários ao presidente
pretendem realizar um confronto de idéias longe do radicalismo de outrora. A
relação é tão diferente que um bom número de integrantes da oposição mantém
convivência saudável com o SóFla – base do mandatário e responsável pela
campanha eleitoral.
Os dois lados nem se olhavam em um passado
pouco distante. Recentemente, os conselheiros Leonardo Ribeiro, o Capitão Léo,
e Gonçalo Veronese foram expulsos do quadro social e só podem retomar a
condição através da Justiça. Este tipo de atitude foi o motivo para inúmeras discussões
e uma relação ao menos saudável era considerada difícil.
O panorama mudou na campanha eleitoral. O
grupo de Cacau Cotta terminou bem mencionado pelos cabeças da Chapa Azul e no
dia do pleito foram observados cumprimentos amistosos entre as partes. Depois
que os líderes da Chapa Verde afirmaram em nota oficial que se afastariam da
política rubro-negra, a Chapa Branca firmou base como o principal foco de
oposição no clube.
A chapa de Wallim Vasconcellos na última
eleição ainda é tratada na Gávea como dissidência da situação, o que aumenta a
cobrança no grupo de Cacau Cotta.
“A oposição do Flamengo precisa amadurecer. Nossa
oposição é propositiva, responsável e não odiosa. O resultado das urnas é
soberano. A instituição Flamengo deve estar acima de tudo. A relação será
amistosa e não teremos vergonha de votar a favor da situação quando julgarmos
as reivindicações corretas. Em caso de divergências, firmaremos posição com o
voto contrário. É uma oposição de diálogo. O tempo do radicalismo acabou”,
afirmou Cotta.
Situação tem 40% do Conselho Deliberativo
Pouco mais de dois mil conselheiros farão a
inscrição no Conselho Deliberativo para os próximos três anos. A divisão entre
eles mostra a vantagem da situação. São 40% da Chapa Azul, 20% independentes, 20%
do chamado “centrão” – formado por ex-presidentes e caciques
políticos – e 20% da oposição. O Deliberativo será comandado no triênio pelo
presidente Rodrigo Dunshee de Abranches e pelo vice Ricardo Lomba.
A dupla recebeu o apoio do grupo União
Rubro-Negra. Nos bastidores, a escolha foi considerada uma amostra do novo
modelo político. “Optamos pelo bem do Flamengo e referendamos o candidato mais bem
preparado”, explicou Cacau.
Já o Conselho de Administração terá a
aclamação de Bernardo Amaral. Marcos Braz será o vice-presidente e Marco Asseff
segue na função de secretário.
Eleição do Conselho Fiscal em março
Depois das três eleições, o quadro político
será concluído em março com o pleito para o Conselho Fiscal. Quatro figuras
políticas lançaram pré-candidatura. Mário Esteves representa a situação, Lysias
Itapicurú segue ao lado da dissidência, enquanto Francisco Goulart e José Pires
são de correntes oposicionistas.

Inclusive, o último possui bom trânsito no
clube e não será surpresa se for escolhido como o candidato de consenso das
chapas envolvidas.

COMENTÁRIOS: