Eleição no Flamengo: ‘Continuaremos com o feito dos últimos anos’

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LANCE! – Inicia nesta quarta-feira a série
especial com os três candidatos à presidência do Flamengo, em eleição prevista para
ocorrer na segunda-feira. Eduardo
Bandeira de Mello (Chapa Azul), Cacau Cotta (Chapa Branca)
e Wallim Vasconcellos (Chapa Verde) são
os postulantes ao cargo para comandar o clube no triênio 2016-2018. Para
começar a série, apresentamos a entrevista com o atual mandatário. Bandeira de Mello tenta a reeleição e
credita na continuidade do trabalho feito nos últimos três anos para fazer o Rubro-Negro
ter sucesso em campo. Bandeira de Mello
ainda destaca a importância do Centro de Inteligência em Mercado e Excelência
em Performance na contribuição para este trabalho:
– Continuaremos com o que fizemos nos últimos
anos no Flamengo.
Para o futebol, por não ser uma ciência exata, eliminar totalmente o risco do
erro é impossível, mas tenho ciência de que já renderam frutos os trabalhos
feitos nos Centros de Inteligência e Excelência.
Faça
uma apresentação.
Eduardo Bandeira de Mello, presidente do Flamengo,
candidato à reeleição e acima de tudo, torcedor do Flamengo. Estou aqui porque sou
torcedor.
Qual o
carro chefe da campanha?
É a continuidade no que foi feito nesses
primeiros três anos. Recuperação da credibilidade do clube, dar exemplo a 40
milhões de torcedores, aproveitando o que já foi conquistado em termos de
melhoria financeira, investir no futebol. Não só em qualificação do time, mas
também em estrutura e excelência em performance. Na base e na conclusão do
centro de treinamento.
Falando
em excelência em performance, na última entrevista nossa foi revelado este
ponto pelo senhor. Os Centros foram implantados neste ano, mas ainda se
questiona a validade por conta dos desempenhos dos atletas contratados por este
viés. O que fazer para em 2016 não ter mais erro?
Eliminar totalmente o risco é impossível.
Afinal de contas, futebol é uma ciência exata e você sempre correrá riscos. Mas
acredito que o trabalho dos nossos Centros já renderam frutos. As nossas
contratações em 2015, principalmente no segundo semestre, já foram bem melhores
do que no passado. O Guerrero, nos últimos jogos, não vem tendo o desempenho
tão bom quanto nos primeiros, mas estamos falando de dois, três jogos depois de
uma contusão. Ele é um jogador consagrado. O Ederson também é um jogador que
estamos apostando todas as nossas fichas, e o problema que ele teve foi uma
contusão provocada por um trauma. Não teve lesão muscular, que falam que ele é
bichado, é balela para usar em um momento eleitoral. O Kayke foi um jogador que
foi comprado para compor o elenco, selecionado entre os atletas da Série B que
era a nossa única possibilidade no momento, e dentro do objetivo que propormos
tem um aproveitamento muito bom. César Martins certeza que conquistou a
titularidade, tem um trabalho conhecido, apesar de muito jovem, e vem
melhorando. Sem contar que é um jogador sem custo nenhum ao Flamengo.
O Alan Patrick também dispensa apresentações, foi um dos principais
responsáveis pela arrancada que o Flamengo teve, não nos decepcionou. O Pará foi no
início do ano, foi uma indicação do Vanderlei Luxemburgo, mas dentro dos
laterias brasileiros, é um dos melhores. Veio substituir um ídolo a torcida, mas
é um jogador raçudo e tem a cara do Flamengo. O Ayrton veio no pacote do Alan Patrick,
precisávamos de um segundo lateral direito e não nos decepcionou. O Armero é um
jogador de seleção colombiana, ninguém duvida da qualidade técnica dele. E O
Almir se destacou no Campeonato Carioca e veio para compor o elenco. São
jogadores que dispensam julgamentos. Os nossos centros vêm cada vez mais
reunindo dados e foi o responsável por Emerson Sheik, também, um jogador que
vem tendo um desempenho muito bom. A virada do Flamengo se deve muito a esta
qualificação do elenco. Claro que a isso se seguiu essa fase de instabilidade.
Mas a média de pontos do time na segunda metade do Campeonato Brasileiro é
melhor do que na primeira metade.
O
futebol sempre é o termômetro de uma administração, mas é notório que o Flamengo está muito aquém do que o nome representa.
Qual a fórmula e o planejamento para poder equalizar isso da melhor maneira, já
que a austeridade é vista como primordial?
A austeridade é vista como primordial, é o
que marca a nossa administração e não vamos nos afastar disso. Agora,
reconhecemos que o desempenho nosso no futebol foi muito aquém das outras áreas
que atuamos. E isso temos que reconhecer que falhamos e precisamos trabalhar
para melhorar. Como eu tinha dito para vocês na última entrevista, a nossa meta
no momento é trabalhar os pontos que entendemos que falhamos, que foi a coisa
do futebol. Claro que a austeridade impediu que tivéssemos um time tão bom
quanto a nossa torcida merece, mas isso não explica tudo. Temos que reconhecer
e trabalhar para mudar.
O Flamengo terá condições de brigar por títulos
nacionais em 2016? E nos anos seguintes?
Não tenho a menor dúvida disso. O elenco do Flamengo
já é qualificado, apenas não conseguimos extrair todo o seu potencial esse ano.
Além disso, pretendemos qualificar e trabalhar com um perfil de jogadores
experientes, com perfil de liderança, e mais técnicos. Mas entendo que o elenco
de hoje é um excelente ponto de partida. Não estamos satisfeitos totalmente,
mas acredito que a partir do que temos hoje podemos chegar a uma alçada melhor.
Quer
dizer então que não terá mais apostas?
Apostas você sempre pode fazer. Mas a nossa
ideia é qualificar o elenco. Qualificar o elenco com jogadores menos
suscetíveis a pressões, que administrem melhor uma instabilidade. Não que seja
para substituir, mas para agregar valor.
O
planejamento inicial era de um 2013 com dificuldade, 2014 melhor e 2015 bem
melhor financeiramente. Paralelo a isso, o futebol foi ao contrário. Em 2013 o Flamengo foi campeão da Copa do Brasil e depois caiu.
Tem como entender isso?
Todos nós comemoramos a Copa do Brasil de
2013, está aqui inclusive. Mas temos que ter ciência que não significava que o
Flamengo estava pronto. O mata-mata nos dá a possibilidade de irmos mais longe
do que nos pontos corridos. O elenco se fechou depois da saída do Mano Menezes
e a torcida jogava junto. Ano passado chegamos na semifinal, mas não passamos.
O Campeonato Carioca é o menos representativo, disputado em condições nem
sempre iguais, esse ano vocês viram o que aconteceu dentro e fora de campo. O
Carioca não é termômetro para aferir se nosso time está bem ou não.
E o
planejamento para a estrutura do clube? E para o Ninho do Urubu, sendo mais
específico?
Pretendemos que a Gávea seja mais atrativa
para o corpo associativo do clube, estamos trabalhando. Já melhoramos muito em
relação a 2012. Daqui para frente, com a nomeação de Humberto Motta para a vice
de Fla-Gávea,
ele que tem uma experiência muito grande em articulação e investimento, vamos
nos aproximar de ser o melhor clube do Rio de Janeiro, já estamos no melhor
local. Sobre o Ninho do Urubu, em 2016 vamos concluir o módulo profissional do
CT, com recursos economizados pelo Profut e da receita da venda dos 200 títulos
de sócio-proprietário. Vai faltar o módulo da base que pretendemos concluir até
2018.
Em um
clube que o passivo tributário é grande, tem muitas dívidas trabalhistas, qual
é o plano para desta vez tentar sanar de vez e ter o dinheiro para cumprir o
orçamento?
Sanamos com a adesão ao Profut, parte foi
cancelada e a outra parcelada em 240 meses, de maneira que não teremos problema
de fazer frente a este problema.
Qual o
ponto que o senhor considera mais vulnerável da administração do Flamengo?
O quesito que fomos pior foi o futebol. Até
porque o futebol não é ciência exata. Ainda temos que aprender muito. Na medida
que você profissionaliza a administração, tenho certeza que teremos sucesso.
É a favor de um presidente de clube receber?
Não tenho nada contra aos clubes que adotam
esta política. Mas isso aqui no Flamengo não está previsto no estatuto e não
pretendemos mudar. Vou continuar trabalhando de graça. Vou ganhar o dobro
(risos). Estou aqui porque eu quis e estou postulando a reeleição. A minha
remuneração é a satisfação de servir ao Flamengo, que é a segunda melhor coisa da minha
vida, apenas atrás da minha família.

existe algum plano para renegociar o contrato com o consórcio do Maracanã?
Estamos trabalhando para isso. A ideia é que
possamos ter o Maracanã para a torcida do Flamengo em bases que permita a gente ter melhores
condições do que temos hoje. O Flamengo foi, é e será sempre o principal conteúdo
do Maracanã. O Maracanã tem que ser com o Flamengo e o Flamengo tem que ser com o Maracanã.
O tema
estádio próprio está sempre como uma das promessas há anos no Flamengo, porém, nunca saiu do papel. Por que o
torcedor pode acreditar que o senhor vencendo a eleição será diferente?
Queremos é ter o Maracanã para o Flamengo.
Mas se entendermos que seja todo impossível, vamos sim partir para um estádio
próprio que é perfeitamente possível. A torcida pode acreditar porque estamos
trabalhando nisso desde 2013. Seria uma irresponsabilidade eu falar isso se não
tivesse tudo avançado. Teríamos que fazer para 50 mil torcedores, não em uma
área central, na Baixada ou em Vargem Grande, Guaratiba… Algum local que seja
servido por transporte de massa. Um grupo empresarial compraria um terreno bem
maior e faria um polo de serviços comerciais.
Um
estádio próprio aumenta os recursos do clube por conta de ações específicas?
Pode ser no Maracanã também, se o Flamengo
for concessionário. O Maracanã pode ser muito bem administrado em relação do
que é hoje. Nosso grupo pode fazer que não dê prejuízo. Assim que soubemos
fazer a diferença nas finanças do Flamengo, faríamos com o Maracanã.
O que
fazer para aumentar ainda mais a credibilidade da marca Flamengo no mercado?
Isso é um processo de continuidade. Não
adianta pegar tudo que conquistamos nesses três anos e ser irresponsáveis de
perder em 15 minutos. O Flamengo é um clube cidadão que dá exemplo a 40
milhões de torcedores.
Falta
capacidade de pensar em formas criativas de ganhar dinheiro para a Gávea?
Temos que começar pelo começo para chegarmos
onde quisermos. Temos alguns pontos para a Gávea, contratamos um responsável de
fazer um plano diretor que fez o nosso norte. Podemos levar 15 anos para
concluir, mesmo tempo que o Minas Tênis Clube demorou, mas para isso temos que
contornar uma série de coisas. É só ver o caso da Arena. Estamos há três anos e
ainda não viabilizamos.
Com o
senhor no comando, o investimento nos esportes olímpicos será como? Planeja
aproveitar de qual forma o legado olímpico depois dos Jogos 2016?
Isso é muito importante. Fizemos negociações
com o Comitê dos EUA e da Grã-Bretanha. O trabalho dos esportes olímpicos
comportará esse legado. Fomos campeões mundiais do basquete. Os esportes
olímpicos são sustentáveis, não depende mais de nada. Graças a nossa política
de responsabilidade, que nos permitiu ter a lei de Incentivo ao Esporte.
Estamos com o Anjo da Guarda, quando a reportagem for ao ar teremos a
capitação, o programa é pouco pulgado porque não temos dinheiro para pagar
propaganda na televisão, mas contamos com a ajuda do LANCE!.
Qual o
plano para melhorar o programa de política de sócio-torcedor, que segue longe
dos mais de 40 milhões de torcedores?
É um processo longo, não vamos chegarmos onde
queremos em pouco tempo e com pouco trabalho. É um programa que não existia
quando chegamos aqui, mas hoje é a terceira maior fonte do clube. Diria que é
fonte de receita com mais potencial. Não existe porque dentro de alguns anos o
programa de sócio do Flamengo não ser a principal fonte do clube,
ultrapassando a Adidas e a Globo. O Internacional de Porto Alegre converte 2,2%
de sua torcida para o programa. Se convertêssemos isso, teríamos 880 mil
sócios-torcedores e todos os nossos problemas estariam resolvidos. A taxa do Benfica
é 4%, se passássemos para cá não só todos os nosso problemas estariam
resolvidos, que resolveríamos os problemas dos outros. Hoje com 70 e poucos mil
já é uma receita expressiva.
É a
favor do sócio-torcedor votar na eleição do clube?
Eu sou a favor, mas isso no Flamengo
requereria uma adaptação do estatuto que deveria ser muito discutido. Como
estamos na véspera da eleição, não adianta falar agora, tem que ser com o tempo
e critério e salvaguardas, para não gerarmos situação que determinado candidato
compre vários títulos e dê poder de voto além do que seria desejado. Mas na
torcida do Flamengo
podemos pensar em algo no futuro com poder de voto na nossa torcida. Os 7.200
aptos a votar hoje representa 40 milhões. Olha a responsabilidade deles… Todo
mundo Chapa Azul dia 7 de dezembro.
Pensa
em criar um plano no sócio-torcedor para quem quer apenas ajudar o Flamengo,
sem ingresso, principalmente para quem mora fora do Rio?
Fora do programa de sócio-torcedor, qualquer
valor pode ser direcionado ao Flamengo no Fla em Dia. Você pode ajudar o Flamengo.
tem o Flamengo
da Nação que tem uma conta bancária que você pode depositar cinco reais, já
compramos placar eletrônico com ele. Mas é claro que estamos estudando
adaptações ao programa que podem vir nessa linha. Tudo isso está em fase
preliminar.
É a
favor de uma reforma estatutária que dê ao presidente um período maior do que
dois mandatos em sequência no comando do Flamengo?
Não. Dois está bom. E até porque a lei
proíbe.
Por que
acha ser o mais capacitado para presidir o Flamengo no triênio 2016-2018?
Existem vários rubro-negros habilitados a
isso. Fui lançado pelo meu grupo e vejo isso com muito orgulho. Não vou
decepcionar.
O Flamengo vem vivendo um crise de egos. O que fazer
para que isso não interfira não só dentro de campo, mas na gestão do clube?
Temos que trabalhar para que isso não venha
interferir. Estamos vivendo uma fase de instabilidade no nosso time que
coincide com o momento eleitoral. Os rubro-negros que postulam ajuda o Flamengo
precisam ter em mente os interesses do clube e não vaidades pessoais.
Aceitaria
trabalhar com a oposição depois do dia 7 de dezembro?
Ninguém vai deixar de ser Flamengo.
É claro que ao longo desse processo muitas feridas são difíceis de se
cicatrizar. Em primeiro lugar, em qualquer ambiente, seja trabalho, família,
casamento, é fundamental que haja respeito e educação. Em ambiente sem
respeito, nada pode acontecer. Eu sendo eleito e as pessoas que quiserem
trabalhar com o Flamengo
em um ambiente de respeito e harmonia, não vejo problema algum.
O que
fazer com a base?
Não existe nada mais importante em um clube
de futebol do que trabalhar com a base. O Flamengo é um clube de excelência,
final os anos 70 éramos os melhores do mundo. Infelizmente com o tempo isso se
deteriorou. Nos últimos anos revelamos muita pouca gente. Dos anos 90 para cá,
Renato Augusto, Adriano, nada muito além disso. Mas isso se conquista com muito
trabalho. Nosso objetivo é voltar a ter a competência que tínhamos antigamente.
Deixe
seu recado ao torcedor.

Peço ao torcedor do Flamengo que acompanhe com muito
cuidado e critério o processo eleitoral. Avalie cada proposta de candidatos e
chapas. Ficando sempre atento ao que a torcida merece, sem baixarias e ataques
pessoais. Da Chapa Azul sempre teremos uma postura compatível do que demonstramos
nesses três anos de Flamengo.

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