‘O Flamengo está muito perto de ganhar’, diz Rodrigo Caetano

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UOL Esporte – Ele será o comandante do
departamento de futebol do Flamengo por mais três anos. De contrato renovado
pelo presidente Eduardo Bandeira de Mello, Rodrigo
Caetano
quer conquistar títulos e participar da evolução estrutural no
triênio 2016-17-18. O diretor executivo tem a confiança da administração e a
responsabilidade de responder aos anseios de milhões de torcedores apaixonados
e impacientes.
Em entrevista ao UOL Esporte, o diretor falou
sobre o novo contrato, a prioridade em torno da conclusão do CT Ninho do Urubu,
além da preocupação com o fato de o time estar órfão de uma casa em 2016. A
certeza de que o trabalho será consumado dentro das quatro linhas ganha cada
vez mais espaço. Resta saber o que o futuro reserva para Rodrigo Caetano e
Flamengo.
Confira a íntegra da entrevista:
UOL
Esporte: Você renovou contrato com o Flamengo por três anos. Teve dúvida em
continuar? Como acha que foi avaliado pela torcida?
Rodrigo Caetano: O que talvez tenha me
deixado em dúvida foi o entendimento da função. Falo em relação ao conjunto.
Tenho a certeza absoluta de que o presidente e os seus pares sabem exatamente a
importância do trabalho. Apesar de os resultados não terem acontecido, eles
quiserem permanecer comigo por um bom tempo. Fizemos muitas coisas, mas esse
desconhecimento de grande parte das pessoas promove avaliações precipitadas
sobre o trabalho do executivo. O fato é que diminuímos custos, emprestamos
jogadores, encolhemos o elenco e formamos um grupo de boa qualidade. No
entanto, tivemos os nossos erros e não me isento disso. O que me motivou a
continuar foi o fato de acreditar que o Flamengo está muito perto de ganhar. É um processo
de evolução em todos os sentidos. Todos entendem que precisamos de um
investimento cada vez maior em infraestrutura. Acredito muito que isso vai nos
aproximar dos resultados. Se não modificarmos esse cenário estrutural, apenas
mudaremos os personagens. O Flamengo vai investir no centro de treinamento para
ter a performance que traga resultados. Será um futuro promissor.
UOL
Esporte: Quais são os principais desafios do Flamengo nos próximos três anos?
Acredita que só será bem avaliado pela torcida com conquistas?
Rodrigo Caetano: Não gostaria que fosse
assim. Nos clubes em que passei, talvez tenha sido bem avaliado justamente
pelas conquistas. Mas é muito mais um legado que será deixado. Atuamos muito na
questão de não onerar o clube e ter a responsabilidade orçamentária. O Flamengo
não tem um orçamento infinito como muitos pensam. Não dá para contratar de
qualquer jeito. Qualquer passo errado traz conseqüências. Vamos trabalhar para
facilitar a chegada das vitórias esperadas.
UOL
Esporte: Em que o Flamengo não pode errar na próxima temporada? Como traçar um
ano completamente diferente de 2015?
Rodrigo Caetano: Precisamos fazer com que as
vitórias não sejam esporádicas. Acho que podemos garantir isso direcionando
todos os esforços para o nosso local de trabalho. O Flamengo tem uma grande vantagem no
Rio de Janeiro. Possuímos um centro de treinamento e precisamos transformá-lo
em algo realmente funcional. Queremos tecnologia avançada. Só assim daremos aos
nossos atletas um nível elevado de performance. Tenho a certeza de que
competiremos em tudo deste jeito. Se somarmos torcida, orçamento e investimento
com a infraestrutura fecharemos todas as pontas. Vou lutar muito para que
possamos evoluir no CT. Precisamos nos aproximar de conquistas desta forma. Já
diagnosticamos que alguns jogadores não conseguem elevar a performance no
Flamengo por conta disso. O filme apenas se repete. Queremos que os atletas
saiam melhores do clube.
UOL
Esporte: O Muricy se acostumou a trabalhar com estrutura. O Flamengo está
pronto para receber um profissional deste nível?
Rodrigo Caetano: Ele foi ao CT e entendeu
perfeitamente a situação. O Muricy está totalmente disposto a participar deste
processo evolutivo do Flamengo e completamente motivado. Posso garantir
isso. É um grande cara para trabalhar em equipe. Essas foram as primeiras
impressões.
UOL
Esporte: É possível ser forte administrativamente e vencedor no futebol?
Rodrigo Caetano: Perfeitamente. Muito se fala
que alguns clubes chegaram em cima e são devedores. Acredito muito na
estratégia do Flamengo.
Estamos sofrendo e a torcida paga um preço. Mas tudo é pela organização do
clube. Não existe dúvida sobre isso. É preciso crescer de forma sustentável
para jamais haver retrocesso. As contas do Flamengo estão muito bem organizadas
e temos condições de olhar para frente.
UOL
Esporte: Você falou muito do CT Ninho do Urubu, mas um grande problema que o
Flamengo enfrentará em 2016 está em não possuir estádio para jogar (Maracanã e
Engenhão passarão boa parte do ano fechados por conta dos Jogos Olímpicos). É
possível conquistar títulos sem casa?
Rodrigo Caetano: Isso é muito ruim. É mais um
problema. Torna difícil a missão sem uma interação com a torcida. Não existe fidelidade
ao local. O Atlético-MG, com o Independência, é um exemplo perfeito. O clube
escolheu ganhar menos e jogar onde se sentia melhor. A diretoria está buscando
uma solução, mas é um complicador gigantesco no trabalho. O ideal é que
tenhamos um estádio no Rio de Janeiro capaz de comportar os jogos das equipes
que ficarão sem casa. O Maracanã já tem uma simbologia com o Flamengo. O
problema será agora.
UOL
Esporte: O Flamengo busca um zagueiro e um meia-atacante incontestáveis no
mercado. Como este tipo de reforço é avaliado?
Rodrigo Caetano: Normalmente você contrata um
jogador que não tenha contestação conforme o histórico. Não existe outra forma
de avaliar. Mas depois que veste a camisa é outra avaliação. Temos a validação
do Muricy e a ideia de buscar ainda mais duas ou três peças para a
titularidade. Se conseguiremos, não sei, mas tentamos dia e noite. Vejo como
incontestável um jogador que chega com histórico vencedor e passagens por
grandes equipes. Sabemos que a cobrança no Flamengo é exacerbada. Temos
diversos exemplos de jogadores que chegam sob desconfiança. O Ederson foi
assim. Veio da Lazio-ITA e abriu mão de um contrato depois de dez anos na Europa.
Lamentavelmente, teve uma lesão diferente das do passado e foi rotulado como um
jogador que chegou para se recuperar no Flamengo. O grau de tolerância é outro.
O futebol não é uma ciência exata e trabalhamos frequentemente para minimizar
os erros.
UOL
Esporte: O Ederson ainda pode ser o jogador que se espera em 2016?
Rodrigo Caetano: Eu não tenho motivos para
pensar diferente. É um jogador com bagagem de Europa. Conquistou títulos por
onde passou. Chegou ao Flamengo e fez logo três gols. Infelizmente, a lesão o
impossibilitou de ter uma sequência. Tomara Deus que a situação seja diferente.
Acreditamos muito nele, que já provou a sua qualidade.
UOL
Esporte: O Flamengo trabalha com algum limite de tempo para concretizar as
principais negociações?
Rodrigo Caetano: O mercado possui inúmeras
dificuldades. Montamos o elenco dentro do orçamento e as oportunidades surgem.
O Flamengo
já identificou o que precisa e as coisas podem acontecer a qualquer momento.
Não existe elenco fechado. O grande mérito será mexer as peças da melhor forma
possível no decorrer do ano.
UOL
Esporte: Existe a possibilidade de repatriar jogadores ou atuar no mercado
Sul-Americano?
Rodrigo Caetano: Repatriar é uma
possibilidade, claro. No mercado Sul-Americano aumentamos o nível de estudo e
pesquisa. Já vimos atletas que vieram bem recomendados e acabaram sem conseguir
jogar. Tiveram muitas dificuldades. É um mercado difícil, nem sempre os caras
se adaptam aqui. Existem grandes jogadores, mas os melhores argentinos que se
saíram bem aqui não integraram a seleção. Já vimos muitas vezes selecionáveis
que também não conseguiram jogar. São investimentos caros e precisamos de
cuidado.
UOL
Esporte: Faltou tato da diretoria na saída do Oswaldo? Considera que o clube
demorou a demitir o técnico Cristóvão Borges?
Rodrigo Caetano: Não vou julgar as pessoas.
Estou incluído em todas as decisões. Quase todos os técnicos tiveram o mesmo
aproveitamento. Sempre tentaremos manter o treinador, independente de nome.
Precisamos escolher aquele que julgamos ideal. Isso é o princípio de acreditar
no trabalho mesmo nos momentos difíceis. Defendo a continuidade enquanto
gestor. A questão do Oswaldo foi outra. Procuramos ser o mais correto possível.
Fomos até a casa dele comunicá-lo de que não continuaria em 2016. A coisa tomou
uma proporção enorme e ficou inviável a permanência nos dois últimos jogos.
UOL
Esporte: O que o Flamengo espera de Paolo Guerrero em 2016? É possível ter
outros ídolos deste quilate?
Rodrigo Caetano: Espero muito dele. Mas não
sei se é possível ter outros jogadores com esse peso. Muito se fala no
investimento elevado. Ele era o atleta mais disputado do mercado. Você pensa
que o Corinthians não fez os esforços para que ficasse lá? Óbvio que fez. É
titular da sua seleção e capitão. Quero que esteja aqui feliz e se sinta parte
de um elenco importante e capacitado para vencer. É fundamental que ele observe
no Flamengo as mudanças que viabilizarão a sua melhor performance. Se ele
estiver bem e feliz, não tenho dúvida de que vai corresponder. Sinto que ficou
chateado com a reta final.
UOL
Esporte: A defesa foi o setor mais crítico do time em 2015. Tivemos inúmeras
falhas que deixaram a torcida enfurecida. O que o Flamengo fará para resolver
isso? A contratação do Juan já faz parte deste processo?
Rodrigo Caetano: Será o setor que sofrerá
mais modificações por términos de contrato, vendas e chegadas. Buscaremos
qualificá-lo e o treinador vai corrigir o que precisa. Por uma série de motivos
é a área com mais atenção no Flamengo. Todo o jogador que vier será parte da
solução em algum momento. Ninguém vai tentar trocar para pior. O Juan tem uma
história muito bonita com o Flamengo e trata-se de uma referência positiva.
Acreditamos que ajudará bastante e buscamos mais um atleta de nome para o
setor.

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