Adaptado ao Flamengo, Jason Robinson abre o coração.

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Foto: FotoJump/LNB

GARRAFÃO
RUBRO-NEGRO
: A vida de um atleta é cercada de momentos bons ou ruins, mas
sempre marcantes. De certeza mesmo, apenas uma definição: só vence quem
persevera e batalha pelos seus objetivos. Dono de uma história de superação no
basquete, Jason Robinson foi às lágrimas no último sábado (11) com a conquista
do NBB 8. O norte-americano de 35 anos, que chegou ao Brasil no início da
temporada após boa passagem pelo Zaragoza, contou, com exclusividade ao
Garrafão Rubro-Negro, detalhes da sua carreira, um pouco das dificuldades que
enfrentou ao longo da sua trajetória, os bastidores do título e o apego à
família. Confira o papo completo na íntegra a seguir.

Avaliação da temporada
“Após
ter tido um tempo para olhar tudo que aconteceu no geral, posso dizer que foi
uma temporada de sucesso. Não ganhamos a Liga das Américas, mas participamos do
Final Four, ficamos na primeira colocação geral da fase regular e, no fim, conquistamos
o tão sonhado título do NBB.”
Mudança de estilo no basquete brasileiro
“Foi
uma grande mudança no estilo de jogo, no nível das competições e nas condições
de cada partida. Mas, a maior razão que me fez vir para cá, foi a intenção de
jogar em um time grande. A única coisa que faltava na minha ‘agenda’ era ganhar
um título. Isso fez essa mudança valer muito a pena.”
Ano difícil
“De
maneiras diferentes, esse ano foi difícil para todos nós. Para mim, foi uma
questão de aprendizado: treinador, novos jogadores e um país completamente
diferente. E, no meio de toda essa mudança, eu não pude trazer minha esposa por
conta do Zika Vírus, já que ela estava grávida. Tudo isso poderia ter
influenciado de forma negativa, mas na realidade, ajudou na minha união com o time.”
Emoção após a conquista
“Não
consegui segurar… A emoção que as pessoas viram foi algo que guardei comigo
durante toda minha carreira. Lembrei de quando acordava cinco horas da manhã
para treinar e ir atrás do meu sonho, de terminar o College e não ter nenhuma
oferta, de enviar e-mails para equipes e treinadores tentando começar a
carreira e ninguém me responder, de alguns especialistas falarem que eu não era
bom como pensava, de um treinador que passou uma temporada inteira dizendo que
ia me mandar para casa todos os dias sem razão, enfim, de todas as coisas
negativas que eu passei para finalmente ganhar. Aqui no Flamengo, as coisas
acabaram se concretizando e vivi um turbilhão de sentimentos diferentes. Eu
tento não deixar este lado aparente em público ou na frente das minhas filhas,
mas dessa vez, não consegui controlar.”
Amizade com Jerome Meyinsse e Ronald Ramon
“Ron
e Jerome são como irmãos. Ficamos bem próximos e nos apoiamos em todos os
momentos nesta temporada, tanto os bons, como os maus. Mantemos contato com as
famílias, um dos outros, fora das quadras. Inclusive a Reba, mulher do Ramon,
criou um vínculo muito forte com a Danielle, minha esposa, apesar de se
conhecerem somente via FaceTime. Jerome é como se fosse meu irmão (grandão) menor
correndo sempre em minha volta. Estes caras são gigantes e estou feliz por
termos conquistado um título juntos. Estamos planejando um encontro no verão
americano quando chegarmos lá.”
Jogo marcante pelo Flamengo
“É
muito difícil escolher um só, mas para surpresa de todos, eu vou ficar com o
que perdemos para Bauru na Liga das Américas depois de estarmos dezessete
pontos à frente. Isso poderia ter destruído nossa temporada, mas nós mudamos de
atitude e ‘ralamos’ bastante para terminar na primeira colocação. Esse jogo é
muito mais mental do que físico, e eu acho que nossa reação após a derrota
mostrou o quanto o grupo era forte e tinha condições de encarar qualquer coisa
que viesse no caminho.”
Nascimento da filha na reta final
“Este
foi um momento que você pôde presenciar. Eu tive que ir para casa algumas
vezes, pois minha mulher só poderia vir ao Brasil em novembro. Minha família é
meu tudo. Minha esposa é uma das mulheres mais fortes que eu conheço e sou
eternamente grato à ela. Minha filha mais velha, a Jayden, é bem parecida
comigo e me perguntava muitas vezes: “papai, quando você vai poder me
ver?”. Agora, tenho a Jaylen, minha outra princesa, e quando chegamos às
finais, eu tive que tomar uma decisão muito díficil: acompanhar o parto ou
ficar aqui. Eu decidi ir porque era muito importante estar com elas num momento
tão sublime. Na minha opinião, ganhar no basquete é ótimo, mas não se compara
com ganhar como homem de família. Este campeonato é todo dedicado à elas.”

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