Aqui jaz, CBB; E agora, quais os próximos passos?

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Alex, do Bauru, disputando a bola com JP Batista e Ronald Ramon, do Flamengo – Foto: Bruno Lorenzo

BALA
NA CESTA
: Nesta altura dos acontecimentos você já sabe que a Federação
Internacional de Basquete, a FIBA, suspendeu no mínimo até 28 de janeiro de
2017 o basquete brasileiro INTEIRO (seleções + clubes) por conta da péssima
administração da Confederação Brasileira. Confederação Brasileira que,
inacreditavelmente, emite uma Nota Oficial demonstrando surpresa com o
ocorrido. Deve ser alguma brincadeira que não pesquei, só pode.

Explicando
o que isso significa para os que não conseguiram pescar o tamanho da gravidade
de coisa: nenhum clube ou seleção brasileira entra em quadra fora da fronteira.
Para ficar em dois exemplos vale dizer que as eliminatórias do Mundial
Masculino de 2019 e a Copa América Feminina que classifica para o Mundial
Feminino de 2018 começam no próximo ano. Caso a suspensão seja prorrogada as
consequências podem ser realmente surreais para a modalidade. Está claro: o dia
de ontem foi o mais triste da história do basquete brasileiro. Não por uma derrota
na quadra, mas sim por ter sido uma derrota final de um modelo de gestão
falido, de um presidente cuja credibilidade é menor que 0 e de seus comandados
tão ruins quanto ele (de assessor de imprensa que prega a censura, a chefe de
departamento técnico que diz que está tudo bem quando a água já está batendo no
pescoço, a diretor financeiro que afirma que dinheiro público não vale). Todos
realmente iguais – ruins, coniventes, pouco críveis, usuários de métodos
intimidatórios pouco recomendáveis contra quem os critica e tudo mais de
péssimo que possa existir em termos de gestão e educação.
Para
quem lê este blog há algum tempo não há surpresa (apenas a Confederação ficou
surpresa, né…). A CBB deve a alma (mais de R$ 17 milhões – obrigado, Professor
Scarpin), deixa de ir a competições por falta de verba, não organiza
campeonatos que se comprometeu a fazê-los e deixa um rastro de pagamentos não
realizados por todos os cantos.
Em
português claríssimo: a entidade máxima do basquete brasileiro morreu. A CBB
coberta de esparadrapos passou do estágio da CTI para, infelizmente, o de
fechamento das portas. A FIBA não reconhece mais a Confederação, e se tivesse
um mínimo de vergonha ou senso do ridículo (algo que não o tem) Carlos Nunes, o
presidente da morta CBB, pediria as contas nesta terça-feira deixando não só
dívidas mas também consequências bizarras e tristes para os clubes do país.
Flamengo
e Bauru estão, de cara, suspenso da Liga das Américas devido a falta de
competência da Confederação Brasileira e Mogi só não entra no mesmo balaio
porque já disputa a Liga Sul-Americana há mais de um mês. Para Nunes não basta
ser ruim no minifúndio que ele comanda. Nunes é um ruim espaçoso, prolongando
os seus tentáculos incompetentes até mesmo para uma Liga Nacional de Basquete
(a organizadora do NBB) que tenta fazer um bom trabalho por aqui. Quero apenas,
antes de seguir, deixar claro que sou completamente contra o que a FIBA fez ao
punir as agremiações que ainda tentam fazer basquete de qualidade no país, mas
infelizmente estas são as regras do jogo (as do estatuto da Federação
Internacional), a hierarquia é clara (Federação Internacional, FIBA Américas e
CBB, que CHANCELA a Liga Nacional) e não cabe outra coisa que não aceitar e
lamentar.
Mas,
bem, voltando, agora a questão é saber o que será do amanhã no basquete
brasileiro. São muitas perguntas e poucas respostas, na verdade. Será formada
mesmo uma Comissão por parte da FIBA para organizar a casa? O espanhol Jose
Luiz Saez voltará ao país para isso? As eleições da CBB serão antecipadas?
Carlos Nunes será deposto do cargo ou pedirá demissão do mesmo? Alguém da tal
comunidade do basquete vai se insurgir contra um cada vez mais fragilizado
Nunes para tentar reformatar a Confederação? Os atletas falarão algo de
realmente útil ou continuarão com muito, muito, muito medo de fazer qualquer
coisa? A Liga Nacional, afetada por conta da incompetência alheia, vai
realmente emudecer?
Choco-me
com essa anestesia do basquete brasileiro, mas não me surpreendo mais porque
sei que o meio é absurdamente contemplativo. De dirigentes, passando por
jogadores, imprensa e até mesmo torcedores, quase ninguém cobra como deveria.
De todo modo, o que vemos é reflexo do que somos. Quem tem Carlos Nunes como
presidente há oito longos anos não pode querer nada de diferente daquilo que
estamos vendo. O basquete, pra quem não conhece, é um meio absurdamente sujo
(MUITO sujo), retrógrado, medroso, melindrado e que pensa muito mal (e em doses
homeopáticas). Os poucos que tentaram mudar a ordem das coisas foram extirpados
e / ou sugados para o lado ruim da força. De todo modo, ninguém aqui é maluco
de dizer que o que aconteceu nesta segunda-feira foi ”normal”. Não, não foi.
O dia 14 de novembro de 2016 foi bem triste para a modalidade. O dia em que o
órgão máximo do esporte mundial (a FIBA) disse pro planeta inteiro ouvir:
”Meus caros colegas da CBB, vocês estão fazendo uma besteira atrás da outra e
a gente não aguenta mais. Grande abraço e passem bem”.
Ontem
foi a morte portanto. Muita gente com quem conversei me disse de forma convicta
(ou otimista) que hoje, 15 de novembro, a proclamação da república do país por
coincidência, é o dia do renascimento do basquete brasileiro. Que será o
primeiro dia de um novo ciclo.
Adoraria
acreditar nisso, mas a verdade é que não consigo. Ainda não consigo ver uma luz
no fim do túnel justamente por não saber quem irá comandar a Confederação a
partir de amanhã ou pós-eleição de 2017. Mais do que um presidente, o basquete
brasileiro precisava mesmo é de uma revolução mental, estrutural e de ideias.
Continuar pensando que dá pra gerenciar a segunda modalidade mais popular do
planeta como se fazia há 40, 50 anos é um erro que não dá mais pra cometer. Não
dá, mas é exatamente isso que faz a CBB ”gerencia” o esporte há duas décadas.
Pobre
basquete brasileiro. Morto ontem. Sem rumo hoje. Indecifrável no futuro.

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