CBF apequena Brasileiro com novo calendário pegadinha para 2017.

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Bola do Campeonato Brasileiro 2014 no Allianz Parque – Foto: Levi Bianco

RODRIGO
MATTOS
: Quando a Conmebol decidiu transformar a Libertadores em anual, a reação
positiva foi geral: era uma mudança esperada e que fazia todo sentido para a
principal competição do continente. Restava saber como a CBF adaptaria o nosso
calendário à nova realidade. Pois bem, a confederação aprensentou um calendário
que mantém todos os defeitos e vícios atuais, e ainda piora determinadas
situações. Uma verdadeira pegadinha que finge trazer novidades, mas só
apresenta velharias.

Vamos
aos fatos. A Libertadores aumentou em sua fase prévia e passou a estender sua
primeira fase pelo primeiro semestre. Reduziu o número de jogos da competição
sul-americana nesta metade do ano. Seria a chance de a CBF reduzir e comprimir
os Estaduais e estender o Brasileiro por todo o ano.
Em vez
disso, a confederação manteve as competições regionais com 18 datas e aumentou
a sua duração até a primeira semana de maio – antes, acabaria em abril. Ou
seja, se a Libertadores se torna anulizada, o Nacional continua a começar só no
meio de maio, e dura seis meses e meio. Sim, pouco mais de um semestre para o
campeonato mais importante do país que perdeu uma semana em relação ao
primeirao calendário. Enquanto isso, os Estaduais se estendem por longos 15
finais de semana, fora o carnaval.
A Copa
do Brasil continua a ser quase no ano inteiro, começando e acabando um pouco
mais cedo (de fevereiro a outubro), e com jogos únicos das duas primeiras
fases. Mas as duas finais, marcadas para setembro e outubro, agora ocorrerão
dois dias depois de partidas de eliminatórias do Brasil. Se houver algum
convocado de um dos times, terá de jogar no sacrifício com 48 horas de
intervalo, bem abaixo do recomendado. Pior, há uma distância de 35 dias entre
as duas finais, o que muda a realidade dos times entre os jogos.
A
diretoria da CBF prometera que o Brasileiro iria parar durante todo o período
de 15 dias das eliminatórias. Cumpriu agora com sacrifício das finais da Copa
do Brasil. Mais, há quatro datas Fifa (duas duplas), de amistosos da seleção,
que devem afetar seis rodadas do Nacional. Os jogos estão marcados para o dia
seguinte à partida do Brasil, ou para a véspera.
O
calendário da confederação, como esperado, manteve a exclusão da Primeira Liga.
Essa competição é considerada pelos clubes mais interessante do que os
Estaduais: teve média de público bem superior em 2016. Havia a promessa da CBF
de aceitá-la como oficial após disputa no início do ano. Não aconteceu no
primeiro calendário, e nem agora no segundo.
Por
incrível que pareça, com erros e acertos, a Conmebol foi capaz de mudar a
estrutura da Libertadores ao torná-la anual. Em contrapartida, a CBF fez
questão de mexer o menos possível na organização do calendário nacional, e
manter velhos defeitos. Bem do jeito que os presidentes de federações aliados de
Marco Polo Del Nero desejam, e que só prejudica os clubes.

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