Diretor de Marketing elogia gestões de Flamengo e Palmeiras.

9
Paulo Nobre e Eduardo Bandeira – Fotos: Levi Bianco/Brazil Photo Press – Celso Pupo / Fotoarena

GLOBO
ESPORTE
: A profissionalização de todas as áreas do esporte é cada vez mais
assunto nos debates que projetam sua evolução. Em entrevista ao programa
“Tá na Área”, que nesta semana está exibindo a série de reportagens
“Esporte e Negócio”, Fernando Chacon, diretor executivo de marketing
do Banco Itaú, ressaltou a importância de uma boa gestão para o desenvolvimento
do esporte em todos os sentidos, desde a base até o profissional de alta
performance. Chacon cita os modelos adotados pelas diretorias de Flamengo e
Palmeiras como transformações recentes na postura em relação a administração
dos clubes.

–  Nós temos hoje dois clubes grandes do futebol
que demonstram uma melhoria na qualidade de gestão importante: o Flamengo e o
Palmeiras. Não estamos aqui julgando se eles estão no melhor modelo de gestão
possível. Mas a transição que eles vêm apresentando na mudança de gestão deles
demonstra que você consegue sim, gradualmente, numa transição trazer qualidade
de gestão e buscar melhoria de performance na ponta também – afirmou.
Além
disso, o Fernando Chacon destacou que entre os impactos causados pelos
consecutivos eventos que o Brasil recebeu nos últimos anos deveria estar o
legado na área administrativa para que o esporte pudesse crescer.
– Eu
tinha, de verdade, uma grande expectativa de que nós saíssemos desses grandes
eventos no Brasil em um processo de gestão diferenciado. Eu acho, percebo uma
cobrança muito grande de legado físico, de legado referente a arenas, a locais
físicos para a prática de esporte. Mas acho que isso é muito pouco do ponto de
vista de expectativa. Eu entendo que se nós tivemos impacto na gestão das
entidades que cuidam do esporte no Brasil, poderíamos estar falando ao longo do
tempo de uma mudança de patamar, tanto do ponto de vista das pessoas que
praticam, como da performance que a gente atingiria no pico, nos atletas de
alta performance. Acho que, talvez, a gente tenha deixado passar essa
oportunidade de aproveitar esses grandes eventos para ter um grande choque de
gestão no esporte brasileiro em todas as entidades que se relacionam com o
esporte. Mas ainda há uma expectativa de que a gente ainda possa estar colhendo
frutos num futuro muito próximo.
O Itaú
investe principalmente no futebol e no tênis, apoia a Caravana do Esporte, um
programa itinerante que atende municípios indicados pela UNICEF, e patrocina a
Liga de Desporto Universitário.
Confira
a entrevista na íntegra abaixo:
Por que investir no esporte?
Quando
a gente acredita no poder transformador do esporte junto às pessoas, a gente
acredita que tem que dar condições para que mais pessoas tenham acesso ao
esporte, que o esporte seja massificado e que de fato possa influenciar as
pessoas e o nosso país. Por isso nós investimos no esporte.
Se você tiver um patrocinado que te dá
muito retorno, mas que não seja ético, não trabalhe com transparência, você
retira esse patrocínio?
Hoje a
gente não tem patrocínio direto a um atleta. Nós participamos uma entidade ou
um esporte. Mas se essa entidade não mostrar uma capacidade de reagir ao que
está sendo acusada, nós podemos colocar em risco de fato essa relação. Nós
temos muito orgulho de termos sido éticos e corretos durante todos os nossos 91
anos de existência. Então usamos desses princípios nas relações que nós
estabelecemos. E entendemos que, sim, há uma oportunidade no esporte de trazer mais
governança, mais transparência e melhor aplicação dos recursos. Então, por
isso, hoje somos conselheiros de atletas pelo Brasil e signatários do Pacto
pelo Esporte. O que significa ser signatário do Pacto pelo Esporte? Ele prega
que entidades, clubes, federações e confederações tem que se adaptar à Lei 18A
da Lei Pelé. A não adaptação a essa lei significa a não transparência, a não
viabilidade de governança, e, com isso, essas entidades não poderão receber os
incentivos, os patrocínios das entidades signatárias do pacto. Porque nós
usamos da força do pacto, da força do artigo 18A da Lei Pelé, para mostrar para
todas as entidades e empresas que recebem nosso patrocínio e nosso apoio que
elas precisam aderir necessariamente a esses princípios. A não adesão desses
princípios significa a não adesão desses patrocínios quando eles vencerem.
Você acha que a capacidade de influência
do investidor em todo esse processo ainda é pequena, talvez aumente com o
impacto?
Acho
que ela ainda é pequena. E eu entendo que ela tem que aumentar gradualmente.
Tudo que você aplica com grande choque, não necessariamente você consegue toda
transformação que você precisa. Seria ótimo se fosse assim. Mas, na prática, a
gente sabe que a gente não consegue que seja assim. A gente precisa de uma
transição, a gente precisa desenvolver pessoas com qualidade e capacitação para
fazer gestão dessas entidades.
Quando o Guga chegou a número 1 do mundo,
a gente viu uma movimentação grande das crianças em querer aprender. Ele virou
um ídolo e os ídolos ajudam a desenvolver um esporte. Mas por que parou ali?
Por que não houve um desenvolvimento do tênis apesar de todos os investimentos?
O Guga
talvez tenha sido uma gigantesca oportunidade por uma janela de tempo que nós
não tenhamos explorado da maneira mais adequada. Eu acho que faltou
aproveitarmos a imagem do Guga para que pudéssemos trazer modelo de gestão,
governança, de transparência, para que pudéssemos arrecadar mais recursos,
usarmos desses recursos de maneira bastante inteligente na construção dessa
massificação. De novo estou falando em condições para a gente poder aumentar a
base para que a gente tenha um celeiro muito maior para que a gente possa ter
mais Gugas no Brasil. Guga é um evento extraordinário, é uma maravilha que
tenha acontecido tão próximo de nós. Mas é o raro caso de um atleta que se
dedicou obsessivamente a um esporte e conseguiu chegar lá. O Guga sempre se
condicionou para chegar no ponto de performance que ele conseguiu. Se não fosse
as restrições físicas, teríamos tido o Guga por muito mais tempo. Mas, por mais
que a gente tivesse tido o Guga por um pouco mais de tempo, eu ainda acho que a
gente não tinha criado condições boas, do ponto de vista de gestão no esporte
brasileiro, para que a gente pudesse tirar o melhor proveito dessa performance
que o Guga entregou para a gente.
Nós tivemos oportunidade de receber os
Jogos Pan-Americanos em 2007, a Copa do Mundo em 2014 e agora a Olimpíada. Que
que é legado para você?  O que essas
competições que recebemos podem deixar para o Brasil?
Eu
tinha, de verdade, uma grande expectativa de que nós saíssemos desses grandes
eventos no Brasil em um processo de gestão diferenciado. Eu acho, percebo uma
cobrança muito grande de legado físico, de legado referente a arenas, a locais
físicos para a prática de esporte. Mas acho que isso é muito pouco do ponto de
vista de expectativa. Eu entendo que se nós tivemos impacto na gestão das
entidades que cuidam do esporte no Brasil, poderíamos estar falando ao longo do
tempo de uma mudança de patamar, tanto do ponto de vista das pessoas que
praticam, como da performance que a gente atingiria no pico, nos atletas de
alta performance. Acho que, talvez, a gente tenha deixado passar essa
oportunidade de aproveitar esses grandes eventos para ter um grande choque de
gestão no esporte brasileiro em todas as entidades que se relacionam com o
esporte. Mas ainda há uma expectativa de que a gente ainda possa estar colhendo
frutos num futuro muito próximo.
A formação de um atleta é baseada em três
pilares: na formação de um talento, no planejamento que envolve a carreira e na
execução, que leva ao resultado. Como fazer essa equação funcionar?
Nós
temos hoje dois clubes grandes do futebol que demonstram uma melhoria na
qualidade de gestão importante: o Flamengo e o Palmeiras. Não estamos aqui
julgando se eles estão no melhor modelo de gestão possível. Mas a transição que
eles vêm apresentando na mudança de gestão deles demonstra que você consegue
sim, gradualmente, numa transição trazer qualidade de gestão e buscar melhoria
de performance na ponta também.
Por que a gente ainda tem clubes grandes
que ainda têm dificuldade de conseguir patrocínio?
Acho
que a gente precisa tratar esses grandes clubes como grandes marcas, produtos.
E se tratar isso com muita qualidade, você consegue mudar o perfil do público
que frequenta o estádio, melhorar receitas, reduzir dependência da receita de
transferência de jogadores. Tem muitas oportunidades a serem exploradas pelos
clubes para que eles possam trazer um pouco mais de perenidade, qualidade,
sustentabilidade na sua gestão e poder fazer melhores investimentos na
construção de seus próprios times.
Que reformulações você espera para o
esporte que você investe, o futebol, o tênis? 
O que você imagina que vai acontecer daqui a 20, 30 anos com esses
esportes?
Nós
esperamos que o esporte esteja massificado, presente em todas as escolas
públicas do Brasil, com aparelhos públicos que atraiam as pessoas. Nós
gostaríamos que educação e esporte estivessem cada vez mais próximos,
influenciando a forma como a gente cria as pessoas. O esporte tem um grande dom
de que ele dá ao atleta a capacidade de entender o prazer da vitória e de
entender como lidar com a dificuldade da derrota. Essa relação de derrota e
vitória é muito importante para a vida de um ser humano. Se nós tivermos
educação e esporte convivendo lado a lado e ocupando o tempo das nossas
crianças, nós vamos ter cidadãos diferentes em algum momento no futuro do nosso
país.

COMENTÁRIOS:

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here