Eduardo ameaça e diz que Flamengo sobrevive sem Cota do Carioca.

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Eduardo Bandeira de Mello, Presidente do Flamengo – Foto: Gilvan de Souza / Flamengo

VITOR
SÉRGIO RODRIGUES
: O ano de 2016 não terminou, mas o departamento de futebol do
Flamengo está projetando o ano que vem. Mas se algum torcedor espera muitas
mudanças, pode se decepcionar. A avaliação do grupo de jogadores pela direção
do clube é muito positiva, exigindo apenas alterações pontuais. Pelo menos é o
que pode se deduzir dessa entrevista do presidente Eduardo Bandeira de Mello,
em visita ao Esporte Interativo. Além disso, ele falou também sobre a
organização do futebol brasileiro e sobre o contrato de transmissão do
Campeonato Carioca de 2017.

Na minha avaliação, o Flamengo precisa de
quatro ou cinco reforços. Na visão do departamento de futebol quantos reforços
o Flamengo precisa para ser competitivo no ano que vem?
É uma
prática nossa não falar de reforços, de contratações. O que posso dizer é que o
futebol do Flamengo está fazendo um planejamento, vai cotejar o atual elenco,
com as possibilidades de continuidade de alguns jogadores que têm contrato a se
encerrar, muitos deles não dependem de nós a continuidade, e estamos sempre de
olho no mercado. Em uma maneira geral, a avaliação do elenco do Flamengo neste
ano foi a melhor possível, talvez precisamos trazer um ou outro nome para
agregar, mas sem mudanças radicais.
Quando você diz “um ou outro”, você tem um
número ou não?
Não. É
um ou outro…
Ou outro podem ser dois, mas podem ser
cinco?
Pode
ser um também…
No almoço em que os presidentes de clubes
e o presidente da federação do Rio de Janeiro se encontraram com os candidatos
a prefeito da cidade, foi muito noticiado que houve uma melhora na sua relação
pessoal com o Rubens Lopes (presidente da federação). Essa melhora na relação
pessoal modificou alguma coisa em relação ao Flamengo assinar o contrato de
transmissão do Estadual 2017 ou o clube continua exigindo aquelas demandas
pedidas há alguns meses, como diminuição da cota da federação de 10% para 5%,
mais transparência nas finanças da federação, entre outras?
Não
mudou nada, tanto que o Flamengo não assinou esse contrato, nem vai assinar,
provavelmente. O que aconteceu foi que o presidente Rubens Lopes, em uma
audiência pública na Justiça, teve o ato de grandeza de reconhecer que tinha
exagerado, pediu desculpas a mim e isso acho que reestabelece as relações
cordiais no plano pessoal. Agora, divergências políticas e esportivas é claro
que permanecem, mas, nessa nova situação, elas podem vir a ser debatidas em uma
situação de cordialidade e respeito.
O fato de não assinar a transmissão do
Estadual faria com que o Flamengo abrisse mão de cerca de 15 milhões de reais,
o valor anual desse contrato. O orçamento do Flamengo está equacionado para
abrir mão desse dinheiro e não ter seus jogos do Estadual televisionados?
Vocês
podem ter certeza que o Flamengo sobreviverá sem esse contrato. Consideramos
que esse contrato não é justo para o Flamengo e portanto não temos motivo para
assinar. Vamos compensar isso (falta dessa receita) de outras maneiras.
É um incômodo para mim que o presidente da
CBF seja alguém procurado pelo FBI. Por que os clubes brasileiros não se unem
para retirar do poder alguém que é procurado pelo FBI?
Eu
tenho impressão de que a Justiça Brasileira não se pronunciou com relação a
isso. A investigação do FBI não é algo que seja transparente para os clubes
brasileiros, que são filiados, direta e indiretamente, à CBF. Eu defendo que
tudo que tiver que ser apurado seja apurado de maneira rigorosa e que os
culpados sejam punidos. Eu não tenho condição de fazer um pré-julgamento. Quem
teria condição de trabalho nisso seria a Justiça Brasileira, o Ministério
Público… Não acho que seja justo que recaia sobre os clubes brasileiros fazer
o papel da Justiça.
Nem que seja para assumir o controle do
futebol brasileiro, do qual eles, clubes, são os protagonistas?
Os
clubes brasileiros têm trabalhado nesse sentido. Acho que a CBF tem pontos
positivos e negativos. Existe um processo de modernização, em busca da
transparência, na CBF que não vemos em outras entidades. O processo de
licenciamento de clubes que está em curso é uma coisa altamente positiva… Mas
existe também aquele lado atrasado da CBF, que é representado basicamente pelas
federações, e o Flamengo, desde a época do Profut, tem trabalhado para mudar…
(Interrupção) Esse processo não está lento
demais não?
Olha,
se é lento ou não, a sociedade brasileira deve tentar avaliar… Mas eu estou
no futebol há três anos e pouco, tenho tentado fazer o possível. Nos 50 anos em
que fui torcedor eu não vi mudança nenhuma… Pelo menos nesses três anos, eu e
outros presidentes de clubes, conseguimos com o Profut colocar algumas
restrições, contrapartidas que atingem sim as federações, a CBF e os clubes.
Agora temos que trabalhar para aprofundar essas mudanças, inclusive no momento
em que se discute a Lei Geral do Futebol, com comissões funcionando na Câmara e
no Senado. Temos que estimular a participação dos clubes na busca por essas
mudanças.

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