Flamengo x Botafogo: Julgamento de Willian Arão ficará para janeiro.

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Willian Arão durante Botafogo x Flamengo – Foto: Buda Mendes/Getty Images

GLOBO
ESPORTE
: A novela envolvendo William Arão, Botafogo e Flamengo ainda vai se
arrastar por pelo menos alguns meses. A expectativa era que o caso fosse
julgado nesse mês, em segunda instância, pelos desembargadores do Tribunal
Regional do Trabalho do Rio de Janeiro. No entanto, o relator entrou de férias,
a Justiça entra em recesso em dezembro, e o processo só será analisado após o
dia 19 de janeiro, quando o TRT retoma os trabalhos.

Willian
Arão não deve comparecer ao julgamento, assim como o Flamengo, que, apesar de
interessado, não faz parte do processo. O certo é que, sem acordo entre as
partes, o impasse está longe do fim. Seja qual for o resultado, ainda caberá
recurso no Supremo Tribunal de Justiça, em Brasília. Há três possibilidades.
Caso a Justiça dê ganho de causa a Arão ou determine que o Flamengo pague R$ 20
milhões ao Botafogo, valor previsto no contrato, as partes irão recorrer.
Existe
também a possibilidade de  o TRT decidir
que Willian Arão retorne imediatamente ao Botafogo. Nesse caso, o jogador
ficaria impedido de treinar e jogar pelo Flamengo até conseguir um efeito
suspensivo. A defesa do jogador trata como improvável essa hipótese e acredita
em nova vitória, uma vez que o volante venceu em primeira instância.
Arão
já obteve duas vitórias na Justiça até o momento: em dezembro do ano passado,
recebeu tutela antecipada que o permitiu se desligar do Alvinegro até o
julgamento e deixou o caminho livre para se transferir para o Rubro-Negro. Em
março, viu a juíza da 27ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro considerar nula a
cláusula de renovação automática que havia em seu contrato em General
Severiano.
No
início de setembro, as partes se reuniram em audiência de conciliação, no
Tribunal Regional do Trabalho. Na ocasião, as três partes concordaram, e o
desembargador determinou que o processo fosse suspenso por duas semanas para
que os clubes tentassem um acordo. Nesse período, segundo o Botafogo, o
Flamengo acenou com uma proposta de R$ 3 milhões por 10 jogos no Engenhão, além
do empréstimo gratuito do meia Adryan. O Alvinegro recusou.
O
Botafogo promete lutar até as últimas instâncias para ser ressarcido pela perda
do jogador. O fato de os advogados do Flamengo terem sido intimados a
comparecer foi visto como sinal de que o desembargador poderia propor ao rival
pagar uma quantia para encerrar o caso. No lado da Gávea, o departamento
jurídico está tranquilo com o caso. A cláusula de quebra de contrato com o
Botafogo era de R$ 20 milhões.
Em
novembro do ano passado, o Botafogo chegou a fazer duas vezes o depósito de R$
400 mil para acionar o dispositivo de renovação automática, mas ambos foram
devolvidos por Arão, que já desejava se transferir para o Flamengo.
A
Justiça tornou sem efeito a cláusula por entender que o contrato fere a nova
resolução da Fifa, que proíbe investidores de ter direitos econômicos de
atletas. Na visão da juíza da 27ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro, o próprio
volante foi considerado seu “investidor” e dono de parte do montante
econômico na renovação. O Botafogo discorda da interpretação e por isso leva o
caso adiante, mas o departamento jurídico acredita que o processo pode durar
meses ou anos para uma definição devido ao ineditismo da matéria.

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