Jogador que fugiu do Flamengo está perto de disputar o Mundial.

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Foto: Getty Images

GOAL: Nos
últimos anos, a China tem investido bilhões no futebol. Até por isso é normal
imaginar que os clubes de lá sejam favoritos ao título da Champions League da
Ásia, maior competição do continente e que, assim como a sua xará europeia e a
Libertadores, dá uma vaga ao Mundial de Clubes.

Só que
desta vez – ao contrário do que aconteceu na última temporada – eles ficaram
pelo caminho. A finalíssima, sábado (26), será entre o Al Ain, dos Emirados
Árabes, e o Jeonbuk Motors, da Coreia do Sul. No jogo de ida, realizado no
último dia 19, um brasileiro ajudou a colocar a equipe coreana em vantagem. Foi
com dois gols de Leonardo Pereira que a equipe da Hyundai largou na frente com
a vitória por 2 a 1.
Ao
estufar as redes em duas oportunidades, o brasileiro de 30 anos chegou à vice
artilharia do certame continental (10 tentos). Não chega a surpreender, afinal
de contas na atual temporada o capixaba, que só defendeu a Desportiva
Ferroviária em seu país, balançou os barbantes como jamais havia feito: já são
22 gols em 47 jogos disputados. Mas como na história de muita gente, o sucesso
chegou só depois de muito trabalho e apostas ousadas.
Ele mal
tinha completado 18 anos quando tentou a sorte em um dos maiores clubes do
país:

“No começo de 2005 eu estava fazendo testes no Flamengo, na época o
treinador das categorias de base era o Adílio (ex-jogador e ídolo
rubro-negro)”, relata Leonardo com exclusividade para a Goal Brasil. Só que o
ânimo com a chance começou a cair quando a definição sobre o seu futuro passou
a ser sistematicamente adiada. Foi nesse exato momento que uma ligação da
Grécia mudou a sua vida.

“Um
empresário me fez o convite para fazer testes no AEK por uma semana. Eu não
pensei duas vezes, fugi da concentração do Flamengo, peguei o primeiro ônibus
para casa, no Espírito Santo, e dois ou três dias depois estava embarcando para
a Grécia”, relatou. A semana virou um mês, e desta vez não houve indefinição. O
AEK de Atenas, um dos maiores clubes de lá, ofereceu um contrato de cinco anos.
Só que, para o espanto da instituição e dos empresários, Leonardo recusou. Os
moldes do acerto – que previa empréstimos nas primeiras temporadas – não lhe
agradavam, e após uma conversa com seu pai o meia-atacante decidiu disputar a
segunda divisão grega, pelo Thrasyvoulos.
Na
Grécia, Leonardo teve sucesso e ainda passou pelo Levadiakos antes de o AEK,
enfim, resolver fazer uma proposta boa. Durante três anos, o brasileiro
defendeu as cores da equipe ateniense e pôde ver de perto a tensão que era a
cobrança dos fanáticos torcedores gregos, algo muito diferente do apoio
incondicional e respeitoso que ele encontrou na Coreia do Sul. No futebol
asiático, teve um pouco de dificuldades de se adaptar inicialmente ao novo
estilo de jogo . Mas a partir de 2013 tornou-se uma engrenagem fundamental para
o ‘Motors’: recebeu prêmios individuais e conquistou dois títulos da primeira
divisão.
O
terceiro só não veio graças a uma punição imposta pela federação local, que
tirou nove pontos da agremiação por suspeita de manipulação de resultados. O
tema, ainda recente, deixa o ponta-esquerda (que diz gostar de se aproximar da
área, centralizar a jogada e arriscar bons chutes) nervoso:

“É uma coisa que
não sai da minha cabeça. A federação agiu de uma forma amadora, infantil”
afirmou.

“Falam que o Jeonbuk comprou cinco jogos, mas nesses cinco jogos foi
um empate duas derrotas e duas vitórias. Se você comprou cinco jogos, você tem que
ganhar os cinco jogos entendeu? Foi bastante complicado, e ainda não consegui
esquecer isso”.

Ao
menos a temporada espetacular continuou o seu caminho na Champions League da
Ásia. Na fase de grupos o Jeonbuk deixou para trás o Jiangsu Suning, dos brasileiros
Ramires e Alex Teixeira. Nas quartas de final, o Shanghai SIPG, que tem como
estrelas Elkeson, Conca e Hulk, não teve chances. Tudo bem que os desfalques
ajudaram, mas o placar agregado de 5 a 0 serviu para mostrar o poderio da
equipe, elogiada até mesmo por Hulk.
“O
Conca infelizmente machucou o joelho dias antes do primeiro jogo, e o Hulk
estava voltando de lesão e não jogou”, relembra Leonardo.

“Foi um empate sem
gols, e o Elkeson levou cartão amarelo e não pôde jogar a partida de volta. Aí
na volta só o Hulk jogou. Foi um jogo difícil, mas no segundo tempo a gente
conseguiu fazer os gols. Quem vê o placar (5 a 0) acha que foi fácil, mas até o
segundo gol foi muito difícil, e os desfalques teoricamente ajudaram a gente”.

Ao
final do confronto, Leonardo trocou de camisa com Hulk e ficou impressionado
com a humildade do ex-jogador de Porto, Zenit e Seleção Brasileira:

“Ele me
parabenizou pelos gols, classificação e falou que o nosso time era muito forte.
Aí a gente acabou trocando de camisa também. É um jogador com uma humildade
muito grande, o Elkeson também, merecedor de tudo o que aconteceu na vida
dele”.

Concentrado,
apesar de confessar ser impossível não pensar no Mundial de Clubes, Leonardo só
pensa em conquistar o título que para ele seria inédito. O Jeonbuk já levantou
a taça em 2006, quando o brasileiro iniciava a sua epopeia grega. Após 12 anos
de trabalhos hercúleos, o troféu simbolizaria o auge de sua carreira até o
momento. E também coroaria uma etapa especial na sua vida, já que na Coreia ele
se adaptou muito bem junto da esposa e as duas filhas. A comemoração pode até
mesmo incluir um prato bem típico dos coreanos e que Leonardo ainda não
experimentou:

“Dentro do nosso Centro de Treinamento existe um restaurante de
carne de cachorro”, lembrou.

“Nesse ano eu ainda vou experimentar, porque
sempre todo mundo pergunta sobre isso (risos)”.

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