Jornalista vê “manifestação de pequenez” no Flamengo.

20
Jogadores do Flamengo comemorando gol no Maracanã – Foto: Alexandre Loureiro/Getty Images

BLOG
DO MÁRIO MAGALHÃES
: Só clube pequeno ou complexado pode achar bom um ano em que
perdeu os cinco títulos que disputou.

O
Flamengo não é pequeno, muito menos complexado, dado a chororô.
É
grande. Mais que isso, gigante.
Disputou
a Primeira Liga, o Campeonato Estadual, a Copa do Brasil, a Copa Sul-Americana
e o Campeonato Brasileiro.
Quantos
canecos acumulou para a vasta coleção de troféus?
Nenhum.
É
melhor ter do que não ter conquistado a vaga para a Libertadores 2017,
provavelmente na fase de grupos.
Idem
em relação às finanças do clube, que vão se recuperando depois de gestões
desastrosas.
Mas
considerar que um lugar na Libertadores e o caixa mais equilibrado compensam
título zero significa ter cabeça de timinho.
O
diagnóstico sem eufemismos do ano de fracassos é indispensável para duas
coisas:
1)
deixar claro aos jogadores e à comissão técnica que no Flamengo ninguém celebra
derrotas, que a ambição, portanto a cobrança, é imensa;
2)
providenciar as mudanças para que 2017 não seja mais uma temporada em que a
torcida ouvirá a ladainha de que não se ganhou nada, ”mas no ano que vem”…
Parece
correta a decisão da diretoria de renovar com Zé Ricardo.
Foi
ele quem deu padrão competitivo à equipe, a despeito de limitações no elenco,
que no entanto é um dos melhores do Brasil.
Mas o
técnico aparenta uma deficiência que contrasta com uma virtude.
A
virtude é montar um time forte, bem armado, bem treinado.
O
problema evidente são as recorrentes intervenções infelizes durante as
partidas.

Ricardo à beira do campo muitas vezes desmonta o que ele mesmo preparou com
sucesso nos treinos.
Isso voltou
a ocorrer ontem, no empate de 2 a 2 com o Coritiba.
Com o
tempo, Zé Ricardo vai melhorar no que tem de melhorar.
No
momento, é necessário reforçar a comissão técnica _ou o treinador ouvir mais os
seus colaboradores.
A
principal diferença com o hexa de 2009 não foi, contudo, o trabalho do técnico.
E sim
a ausência de dois craques como Adriano e Petkovic.
Posso
estar errado, mas a impressão é que na reta final de 2016 o time achou que já
seria bom ter chegado no bolo dos líderes do Brasileiro.
Essa
manifestação de pequenez não é algo que seja conversado ou mesmo que os
jogadores se deem conta.
Acontece.
Mas
não deveria acontecer num clube como o Flamengo.
Em
suma, 2016 foi um ano de fracassos.
Pelo
menos para quem acha que ”isso aqui é Flamengo”, e não… deixa pra lá.
O
cheirinho passou, e os corações se deixaram levar, mas não deu.
Tomara
que, em 2017, o rubro-negro troque por conquistas a conversa fiada que minimiza
a falta de título.

COMENTÁRIOS: