Maracanã, Flamengo, Lagardère e CSM.

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Bandeiras da torcida do Flamengo no Maracanã – Foto: Divulgação

COLUNA
DO PVC
: Não foi para não jogar no Maracanã em 2017 o grito do presidente
Eduardo Bandeira de Mello. O Flamengo quer o Maraca. Não quer jogar por preços
exorbitantes cobrados por empreiteiras, seja a Odebrecht, atual detentora da
concessão, seja a Lagardère, candidata à compra no ano que vem.

Até
dois meses atrás, considerava-se certa a devolução do Maracanã ao governo do
Estado e uma nova licitação da qual poderiam participar os clubes. Hoje, o
cenário é diferente. O governo estadual julga que a nova licitação demandaria
tempo demais. Prefere a revenda dos direitos da Odebrecht.
A
empreiteira francesa Lagardère administra 58 arenas no mundo. Uma delas é o
Stade de France, que construiu e herdou num modelo semelhante ao que a
Odebrecht usou no Rio de Janeiro. No Brasil, a Lagardère tem o Castelão.
Em
novembro de 2014, o governo do Ceará retomou o estádio sob o argumento de que
havia graves deficiências na gestão. O consórcio conseguiu recuperar a arena,
mas as reclamações persistem.
A
Lagardère está aliada a Bruno Balsimelli, dono da BWA, concessionária do
estádio Independência, em Belo Horizonte. Há doze meses a empresa não paga o
governo mineiro, sob o argumento de que a operação é deficitária.
O
temor do Flamengo é que o governo fluminense entregue o Maracanã ao consórcio
Lagardère-BWA, por ter sido o segundo colocado da licitação, em 2013. Uma
reunião no Palácio Guanabara nesta semana indicou que não será esta a solução
adotada. Pode haver a revenda. Em tese, como o Maracanã é um bem público, a
única coisa correta a fazer seria uma nova licitação.
Se
houver uma revenda e se ela for considerada legal, Flamengo e Fluminense devem
entrar no processo, mas precisarão de companhia, porque as regras de 2013
impediam os clubes na concorrência.
A
lógica seria um grupo com os dois clubes e mais a empresa de marketing
esportivo CSM, que hoje tem a chave do estádio e faz a operação dos jogos até o
fim do ano. A questão não é se Lagardère-BWA, CSM, Flamengo ou Fluminense serão
os administradores do estádio. O ponto é que o Maracanã é patrimônio cultural do
país.
Se a
Lagardère herdar a concessão da Odebrecht, o Flamengo não jogará lá. Há
lembranças de Balsimelli e de acordos mal explicados para intermediação de
contratos de TV com Eduardo José Farah, na década passada. Também vale lembrar
que a BWA fazia a venda de ingressos na época da Suderj, com aval da federação
do Rio. Voltar no tempo não seria bom nem para a imagem do governo.
No ano
que vem, o Flamengo tem a opção do Engenhão, descartada em princípio por causa
das más relações entre as diretorias rubro-negra e botafoguense. No Botafogo,
só não há quem defenda abertamente a saída do Engenhão e a ida para a Arena da
Ilha do Governador, porque no dia seguinte o Flamengo se instalaria lá.
No
fundo, seria bom para todos. Menos para o Maracanã. Bandeira tem razão ao
afirmar que o Maraca precisa mais do Flamengo do que o inverso. Mas quem
necessita mesmo do Maracanã é o futebol brasileiro. O estádio tem de ser
administrado por quem o faça rentável, eficiente, moderno e presente nos
campeonatos todas as semanas.

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