Os três pecados capitais na temporada sem títulos do Flamengo.

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Paolo Guerrero e Leandro Damião – Foto: Gilvan de Souza / Flamengo

ANDRÉ
ROCHA
: O Flamengo cumpriu boa atuação coletiva nos 2 a 0 sobre o Santos, a
primeira vitória no Maracanã em 2016 depois de três empates.

Muito
pela inteligência da equipe em dosar energias, ajudada pelo gol logo aos quatro
minutos de Paolo Guerrero. Também porque Zé Ricardo desta vez não mexeu nos
ponteiros, o que bagunçou a equipe em outras partidas. Gabriel só deu lugar a
Fernandinho com o jogo resolvido após o golaço de Diego e Everton ficou em
campo durante os noventa minutos.
Com a
confirmação na fase de grupos da Libertadores, fica para a última rodada apenas
a decisão pelo vice-campeonato, que seria inédito nas edições desde 1971. Se
perder em Curitiba para o Atlético Paranaense ainda na luta pela manutenção do
G-6 e o Santos cumprir sua obrigação na Vila Belmiro diante do rebaixado
América, o time rubro-negro termina em terceiro e receberá menos 3,4 milhões de
reais de premiação da CBF.
Internamente,
o G-3 sempre foi a meta no Brasileiro. Mas se o Palmeiras foi campeão com
méritos, principalmente a regularidade na conquista dos pontos, o Flamengo
ajudou com três pecados capitais na temporada sem títulos que tiveram forte
influência na campanha:
1 – Muricy Ramalho
A
diretoria reeleita comandada por Eduardo Bandeira de Mello usou o treinador
quatro vezes campeão brasileiro como trunfo na eleição e praticamente entregou
as chaves do Ninho do Urubu ao técnico que chegou com discurso de implantar a
filosofia do Barcelona no clube após passar uns dias no clube catalão a convite
de Neymar.
O
tempo mostrou que faltou entendimento da metodologia e também leitura de jogo,
porque o elenco foi montado para executar um modelo de posse de bola com vários
ponteiros velocistas, nenhum jogador mais cerebral no meio-campo e Cuéllar foi
o maior erro de avaliação: o volante colombiano é ofensivo e mostrou quando
esteve em campo que não consegue cumprir minimamente as funções defensivas à
frente da retaguarda. Por isso a titularidade de Márcio Araújo na ”herança”
que Zé Ricardo assumiu e fez o que pôde – muito bem para um estreante, diga-se.
2 – Sem casa
Rodar
o Brasil em viagens sem fim para arrecadar era algo comum nos anos 1980 e 1990.
O Flamengo chegava, fazia a festa dos torcedores locais, lotava o estádio e
vencia equipes bem mais frágeis sem fazer muita força. O futebol não era tão
intenso e exigente na parte física.
A
disputa de um Brasileiro tão parelho sem um estádio no Rio de Janeiro cobrou
caro, especialmente na reta final da temporada com o time exausto física e
mentalmente. Desde 2008 o clube sabia que ficaria sem Maracanã e a opção do
Engenhão no ano da Olimpíada e não tomou nenhuma providência. Sem contar erros
estratégicos que acabaram sendo decisivos, como mandar o jogo contra o
Palmeiras no turno em Brasília, o que na prática significou campo neutro na
derrota por 2 a 1 no Mané Garrincha.
3 – O tal ”cheirinho”
Para
muitos o espírito de galhofa é o que sustenta o futebol e historicamente a
torcida do Flamengo tende a se levar pela euforia e usar sua força para
inflamar seu time e intimidar os rivais.
O”cheirinho
de hepta”, porém, foi algo criado nas redes sociais e se amplificou na mídia
que se aproveita deste entusiasmo para aumentar audiência e caçar cliques e
likes. Só que também ganhou algum eco no clube, ainda que o discurso
”oficial” fosse de seriedade. Mas ao ver a comemoração do título pelos
palmeirenses ficou claro que a petulância de quem garantia o título não tendo completado
sequer uma rodada na liderança absoluta serviu como motivação extra do outro
lado. O tal ”inimigo” que muitos precisam ter como alvo para entregar ainda
mais fibra. O Palmeiras tinha elenco, estrutura e estádio. Ganhou um motivo a
mais para não errar até o final.

Na
confirmação do título alviverde, a vantagem de SETE pontos. Não pode ser só
coincidência.

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