Sem Maracanã, Flamengo já avalia outras praças e estádio próprio.

25
Eduardo Bandeira de Mello, Presidente do Flamengo – Foto: Gilvan de Souza / Flamengo

GLOBO
ESPORTE
: As reuniões entre o governo do Estado, a Odebrecht e a Lagardère
acenderam o sinal de alerta – e de decepção – no Flamengo. O clube aguardava a
nova licitação, anunciada em setembro pelo governo estadual, para colocar o
time em campo e entrar na concorrência pelo Maracanã. Mas a mudança de rumo,
que o governo estadual ainda não confirma oficialmente, coloca os franceses a
um passo de assumir o antigo Maior do Mundo.

Nos
bastidores do empate com o Botafogo no último sábado, dirigentes rubro-negros
ainda tratavam com misto de ceticismo e inconformismo a segunda guinada do
governo estadual no caso Maracanã. Segunda porque, num primeiro momento, quem
ficou irritado com a troca de planos foi o Fluminense. Havia pré-acordo para a
empresa CSM, parceira de Flamengo e do Tricolor, assumir a concessão do
Maracanã. Mas o governo decidiu por nova licitação, o que agradava o Flamengo e
desagradava o Fluminense, que tem contrato por mais 30 anos em termos
considerados vantajosos financeiramente. O repasse da concessão é prejudicial
ao Fla, mas é interessante para a diretoria tricolor.
Agora,
a situação se inverteu. Embora o presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de
Mello, e seus pares ainda desconsiderem publicamente a possibilidade, a
diretoria segue avaliando alternativas para o Flamengo como mandante a partir
do ano que vem. Nesta segunda-feira, na reunião semanal na Gávea, os assuntos
voltam à mesa: onde jogar em 2017. Há consenso de que o clube não vai voltar
atrás na decisão de se afastar do Maracanã se não houver nova licitação. Em
paralelo, a diretoria também estuda a construção de estádio próprio, um antigo
sonho que só viraria realidade, na melhor das hipóteses, depois de 2018.
A
possibilidade de rodar o Brasil fazendo partidas fora do Rio de Janeiro não
está descartada. Se para o departamento de futebol é desgastante e se torna
desafio para a preparação física, seria forma de faturar mais com bilheteria,
incrementar o programa sócio torcedor e garantir mais receitas para investir no
time. No Campeonato Carioca, porém, como não há mando de campo definido – quem
indica o local de jogo nos clássicos é a Ferj -, o Flamengo deve jogar os
clássicos no Maracanã.
Em
evento neste domingo na Gávea para embaixadas rubro-negras, o diretor geral do
Flamengo, Fred Luz, disse que ainda espera a licitação até março de 2017. Ele
deixou claro: se o clube não for protagonista na operação do estádio, vai
investir na construção de estádio próprio.
– O
Flamengo tem que ser protagonista neste processo. Qualquer empresa que assumir
buscará seu lucro em cima das receitas do Flamengo. Nosso objetivo é gerar
riqueza para investir em seu time, no relacionamento com seus torcedores, não
enriquecer terceiras empresas. É claro que o clube terá necessidade de empresas
parceiras, mas como prestadoras de serviço e não protagonista. Neste momento,
esta é a discussão que temos com o Estado. Quem paga mais de R$ 100 milhões por
ano em dívida tem capacidade de investir R$ 150 milhões em um estádio. Não
seria bom para o Maracanã nem para o Estado, mas o Flamengo não vai hesitar em
tomar esse caminho, de construir um novo estádio, se necessário – disse Fred
Luz, em declaração reproduzida no site oficial do Flamengo.
Investimento
menor para a nova concessionária
Novamente,
Brasília, que foi a casa rubro-negra no início da temporada, e Cariacica, onde
o Flamengo teve sequência de vitórias até se despedir com derrota para o
Palestino na Sul-Americana, são as opções mais viáveis para o Flamengo se o
governo não desistir de repassar a concessão. Internamente, há consenso de que
o Flamengo não entra no negócio se não administrar o Maracanã. Os dirigentes
rubro-negros chegaram a se reunir com a Lagardère, que tem como sócia a BWA e
também a Ferj. E são justamente os parceiros dos franceses que inviabilizam,
até o momento, qualquer avanço nas conversas. A diretoria do Flamengo não quer
entrar em negócio com sócios e dirigentes da BWA.
O
clube também analisa a opção de jogar no estádio de Deodoro, que pertence ao
Exército e exigiria negociação e adaptações para um campo de 20 mil lugares.
Apesar do relacionamento ruim com a diretoria alvinegra – desde o caso Arão até
a divisão de 90% para 10% no clássico do Maracanã -, nem nova rodada de
tratativas para atuar no Engenhão está fora de cogitação.
A
francesa Lagardère chegou a disputar a licitação com a Odebrecht, mas perdeu.
Administradora do Castelão, em Fortaleza, e do Independência, em Belo
Horizonte, a empresa já mantém contato com alguns fornecedores do Maracanã para
seguir operando no estádio. Pelo contrato original, o investimento da
concessionária seria acima de R$ 500 milhões. Como houve mudanças no escopo do
contrato – a não demolição de complexos esportivos do estádio, por exemplo -,
há acordo encaminhado para estes valores caírem para cerca de R$ 150 milhões. A
Lagardère deve pagar R$ 40 milhões para assumir a concessão.

COMENTÁRIOS:

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here