‘Vítimas’ de punição da Fiba, Clubes atacam gestão da CBB.

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Foto: Bruno Lorenzo

ESTADÃO:
Desde que fundaram a Liga Nacional de Basquete (LNB) e conseguiram a chancela
da Confederação Brasileira de Basquete (CBB) para organizar o campeonato
nacional masculino, os clubes brasileiros adotaram uma postura alheia aos
problemas da entidade gestora da modalidade no País. Cada um cuidava de suas
atribuições, sem interferir no trabalho do outro.

Agora,
porém, a crise da CBB atinge diretamente as equipes. A punição imposta pela
Federação Internacional de Basquete (Fiba) pela má gestão do basquete
brasileiro impede não só as seleções nacionais de jogarem competições, mas tira
também os clubes do país de eventos internacionais. A decisão, anunciada na
segunda-feira, afeta Bauru Basket, Flamengo e, talvez, o Mogi.
Campeão
e vice da oitava edição do Novo Basquete Brasil (NBB), Flamengo e Bauru estavam
classificados para a Liga das Américas, espécie de Copa Libertadores do
basquete. Seu campeão joga um Mundial de Clubes contra o campeão europeu.
“Isso
é péssimo. Não é nada que nós ocasionamos. Somos vítimas dos problemas da CBB.
Não temos relação direta com a CBB. Somos impactados por algo que não fizemos.
Conseguimos a classificação dentro da quadra”, reclama Vitor Jacob, gestor do
Bauru.

“Os clubes não têm acesso algum à CBB. Nós não votamos, não temos
direito a voto. É o grande erro do sistema.”

Ainda
que gerem orçamentos milionários, os clubes profissionais mal têm poder de
decidir os presidentes das federações – em São Paulo, por exemplo, as ligas
regionais cumprem esse papel. E são as 27 federações, mais a associação de
atletas, que definem o presidente da CBB. Para a eleição do ano que vem, um
candidato é o presidente da federação do Paraná, Estado que não tem times
profissionais, e o outro é o técnico Antônio Carlos Barbosa, apoiado por federações
do Norte, principalmente, pouco representativas.
Afetados
diretamente pela gestão da CBB, os clubes agora exigem mudanças. A própria LNB,
que historicamente adotava uma política de não interferência nos assuntos da
CBB, hoje se diz “proativa” na busca de soluções.
“A LNB
tem ciência de seu papel neste cenário e de maneira proativa estará, como
sempre esteve, pronta para ajudar sob a liderança da Fiba e não medirá esforços
para buscar junto às entidades que organizam o esporte no Brasil, como
Ministério do Esporte e Comitê Olímpico do Brasil (COB), uma solução rápida
para que a modalidade no País continue sendo desenvolvida da melhor forma
possível”, disse a Liga, em nota.
Os
clubes, porém, se sentem de mãos atadas. “A primeira coisa é alterar o formato
de eleição, se a CBB continuar existindo. Mudar a participação dos clubes, dos
atletas”, diz o dirigente bauruense. Para ele, a CBB é uma “instituição
completamente falida” e o único caminho é criar uma nova entidade gestora do
basquete no País.
Ainda
segundo Jacob os clubes tinham expectativa de que as coisas poderiam melhorar
na CBB após a Olimpíada, o que não aconteceu. Agora, com a punição, Bauru e
Flamengo terão um “prejuízo de imagem absurdo” ficando fora da Liga das
Américas, competição de mais visibilidade no basquete do continente.
O Mogi
das Cruzes/Helbor, por enquanto, não é prejudicado. A equipe está na final da
Liga Sul-Americana e poderá jogar a decisão contra o Bahía Blanca Basket, da
Argentina. O problema é que, se for campeão, o Mogi não poderia usufruir da
vaga que conquistaria na Liga das Américas.
“É uma
vergonha para nós, agir para cima da gente e prejudicar quem investe no
basquete. A gente não está sendo prejudicado de momento, mas estamos vendo o
empenho de Bauru e Flamengo, que estão sendo penalizados. Cada time custa 5, 6
milhões de reais por ano. A gente sai à luta, monta um time e fica como
agora?”, questiona Nilo Guimarães, gestor do basquete de Mogi.
Os
clubes devem aproveitar a presença de dirigentes da Fiba Américas em Mogi das
Cruzes para os dois primeiros jogos da final, nos dias 23 e 24 de outubro, para
tentar reverter a decisão. A Liga das Américas começa na primeira quinzena de
janeiro, mas a punição à CBB vai pelo menos até 28 de janeiro, quando será
reavaliada.
A LNB
diz entender que “tal ato é compreensível na medida em que se busque o caminho
para a retomada do crescimento do basquetebol no Brasil”.

“Esta ação, por mais
dura que possa parecer, deve trazer consigo a esperança, o entendimento e a
soma de esforços para que solucionemos os graves problemas que afligem a nossa
Confederação”, afirma a liga, que critica só a punição aplicada aos clubes. 

“Uma medida como essa serve, apenas, para agravar a atual situação”, avalia.

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