Força, Chape!

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Foto: Reprodução

REPÚBLICA PAZ E AMOR: De uma semana que começou com o Palmeiras campeão já não dava para
esperar muita coisa. Mas jamais imaginei que ela pudesse ficar tão escrota.
Evidente que qualquer comentário que eu tivesse a fazer sobre a primeira e
última vitória do Flamengo no Maraca em 2016 perdeu completamente a sua
relevância, que já não era muita. E olha que o Flamengo jogou direitinho,
finalmente com ares de dono da casa, sufocou o Santos e acabou com a palhaçada
do Brasileiro em grande estilo. Muito bem, rapaziada, cumpriram com sua
obrigação. Mas por que não jogaram assim nos outros 3 jogos no Maracanã?
Esqueçam, não precisa responder.

Ainda
falta uma rodada, mas o Brasileiro acabou. E acho que o Flamengo foi muito bem,
superando as minhas expectativas. Tivemos um inicio claudicante e demoramos um
pouco de tempo demais para encontrar a melhor formação. O que perece ser algo
natural quando o elenco é montado durante a competição. O Flamengo teve falta
de atacante jogando com o Guerrero, não adiantou nada ter Damião e Vizeu no
banco, eles deveriam ter jogado mais com o nosso 9. Faltou um meio de campo
mais capaz de municiar o ataque. E faltou o Flamengo ganhar jogos contra os
reais postulantes ao título. Que por uma dessas coincidências da vida esportiva
nacional, são todos membros da Federação da qual é oriundo o presidente da
Confederação. É, aquele mesmo. Aquele paulista que não pode nem ir à Las Vegas
encontrar os mano e as mina na hora do ratatá.
Nós,
fechados com o certo, não podemos culpar a ninguém. Tá tudo na nossa conta. O
Flamengo não ganhou de nenhum dos times paulistas, com exceção do Santos na
última rodada. Ora, sem ganhar deles fica muito difícil ser campeão brasileiro.
Seria inédito, um campeão brasileiro que não ganhou de nenhum paulista o ano
todo. Inédito e ligeiramente embaraçoso. Poderia até ensejar maledicências ao
estilo daquela lenda de que o Flamengo ganhou a Libertadores de 1981 porque os
times argentinos não participaram por causa da Guerra das Malvinas. Ainda que a
tal guerra só tenha se iniciado em 1982, quando o Flamengo lutava com o Peñarol
pelo bicampeonato do continente.
Portanto,
podem anotar aí nos seus caderninhos de receita que para ganhar Brasileiro é
preciso vencer mais, perder menos, um elenco equilibrado, um treinador ousado,
uma diretoria não porr*-louca, uma torcida participativa, contas e salários em
dia e ganhar da porr* dos paulistas! Se não for pra ser campeão assim eu nem quero.
Assim
como também não quero nem falar do que rolou nas imediações do aeroporto de
Medellín na madrugada de terça-feira. Uma tragédia nacional, um evento de
consequências globais, que arrancou com extrema violência um pedaço enorme do
esporte brasileiro. Um pedaço que vamos demorar um longo tempo para
reconstruir. Impossível não se sensibilizar com a resposta que o mundo do
esporte deu à tragédia. Sem megalomania, deu até para suspeitar de que façanhas
cívicas seríamos capazes se um dia resolvermos lutar todos pelos mesmos
objetivos.
Contudo,
a aspereza da realidade se impõe até diante do mais nobre gesto de galanteria
esportiva. A ideia de anular a última rodada do Brasileiro em respeito às
vítimas é bonitinha e imbecil. Que abre um precedente extremamente perigoso.
Ainda que as quatro últimas equipes na tabela concordem em abrir mão dos seus
jogos, o campeonato não pode parar. Ainda que a sombra do terrível desfecho
reservado ao time da Chapecoense obscureça qualquer possível alegria esportiva,
o campeonato não pode parar. Ainda que tudo que aconteceu coloque em cheque o
protagonismo que o futebol exerce em nossas vidas, o campeonato não pode parar.
O
campeonato não pode parar porque quando o céu desaba em nossas cabeças o que
mais precisamos de um chão sólido onde se firmar. Precisamos de alguma
estabilidade, de algum resquício de ordem e continuidade. Se com 38 rodadas
jogadas os cartolas fazem o diabo nos tribunais esportivos para defenderem seus
interesses, imaginem o conflito que vai dar se não tiver a última rodada. Será
uma porta aberta para todo tipo de malandragem, tapetada e canetada, recursos
antidesportivos nos quais nossa classe dirigente demonstra inquestionável
proficiência e uma inconfessa predileção. Recursos indignos que, infelizmente,
temos notícia de que já vem sendo tentados por clubes nem tão grandes assim.
Penitenziagite!
Penitenziagite, cartolada sem vergonha! Preservem o mínimo de moralidade no fim
da jornada. Parem de esculhambar com a competição. Não façam como nossos congressistas,
que se aproveitaram da comoção nacional para agirem como reles descuidistas e
se cobrirem ainda mais de vergonha. Respeitem o luto alheio. Tenham compostura!
Ou o Palmeiras, coitado, corre o risco de ter que pendurar mais um fax na sua
sala de troféus. Bem, pelo menos ele não seria o único fax na parede.
Mengão
Sempre
ARTHUR
MUHLENBERG

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