Inter se conforma com rebaixamento e pode não entrar em campo.

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Foto: Tomás Hammes / GloboEsporte.com

GLOBO
ESPORTE
: Atletas de diferentes clubes do futebol brasileiro começam a se
organizar para que o Brasileirão não tenha a última rodada disputada – em
função da tragédia que vitimou 71 pessoas no acidente aéreo da Chapecoense.
Jogadores conversam por grupos de whatsapp e tentam arquitetar uma decisão
coletiva. O objetivo, com isso, é passar uma mensagem de solidariedade aos 19
atletas mortos na Colômbia. O elenco do Inter já foi a público nesta
quinta-feira para pedir que a rodada não seja disputada. Boa parte do grupo do
Palmeiras, campeão brasileiro, também é contrário a ir a campo na última
rodada. Em outros clubes, alguns atletas afirmaram desconhecer a iniciativa.

O
movimento é uma ação de atletas – não envolve, inicialmente, as diretorias. A
ação é embrionária. Ainda está ganhando corpo – os jogadores querem que ela
cresça a ponto de se tornar unânime. Ela parte de atletas experientes – alguns
deles formaram a organização do Bom Senso FC e pertencem a clubes variados.
Os
jogadores pretendem que a decisão seja global para evitar punições da CBF. Eles
entendem que quanto mais clubes participarem, menos poder a entidade terá para
eventuais sanções para quem não for a campo. Por isso, buscam um acordo
nacional: que envolva os 20 elencos. Esse consenso ainda está longe de ser
alcançado. Há questões delicadas a ser resolvidas – especialmente, se a
situação de cada clube na tabela será respeitada como posição final.
Jogadores
do Inter, em luta contra o rebaixamento, decidiram que aceitarão a queda se
essa for uma decisão coletiva. Trata-se de uma opinião dos atletas, não necessariamente
da diretoria. Eles ficaram incomodados com declarações do vice-presidente de
futebol do Inter, Fernando Carvalho, que afirmou ver prejuízo ao clube gaúcho
no adiamento da rodada final do dia 4 para o dia 11 de dezembro. Foi também por
isso que decidiram ir a público – para se desvincular da opinião do dirigente
(que depois se desculpou pelo que disse).
Ao
menos outros dois clubes já se manifestaram contrários a ir a campo na última
rodada. São eles o Atlético-MG e a Chapecoense, que se enfrentariam no dia 11.
O Galo afirmou que não disputará a partida, dada a situação do adversário – que
teve o elenco dizimado pela tragédia na Colômbia. A Chape, por motivos óbvios,
concorda. A CBF é a favor da realização da partida e diz que manterá sua organização.
O América-MG também deu sinais de que não gostaria de ir a campo.
O que pode acontecer
Um
eventual abandono coletivo, de tão inusitado, não é previsto na legislação
esportiva. O regulamento geral de competições prevê que uma equipe será
decretada perdedora por 3 a 0 caso não apareça para jogar. Se nenhum dos dois
times for a campo, ambos serão punidos assim.
Uma
equipe que deixar de comparecer para jogar também pode ser excluída da
competição – desde que isso influencie na situação de terceiros na tabela. Por
isso, a ação coletiva inibiria a punição. O STJD não teria, politicamente, como
excluir todas as equipes do campeonato. Daí a busca dos atletas por um
movimento coletivo.
Aos
clubes, claro, poderá restar a possibilidade de só utilizar jogadores que
porventura não participem da ação.

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