Após vetar Flamengo do Engenhão, Botafogo reprova torcida única.

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Foto: Felippe Costa

SPORTV:
O
presidente do Botafogo, Carlos Eduardo Pereira, disse lamentar a determinação
da Justiça do Rio, divulgada nesta sexta-feira, de que os clássicos entre os
quatro grandes do futebol carioca deverão ser realizados com torcida única. O
mandatário do Glorioso, apesar de já ter se posicionado a favor da presença de
torcedores de uma única equipe nos jogos, afirmou que a decisão é exagerada por
penalizar os clubes. Pereira disse que o Alvinegro, ao lado de Flamengo, Vasco
e Fluminense, são partes interessadas no processo, e não réus.


Recebi com muita surpresa essa informação no sentido que os clubes tenham sido
colocados como réu, uma vez que existe toda uma rotina de preservação em todos
os clássicos. Rotina essa que é feita com os clubes, federação, forças
policias, torcidas organizadas. É uma logística amplamente divulgada e sempre
realizada sem nenhum problema. O que ocorreu é que ela foi quebrada no último
domingo. Por ter sido quebrada, ocorreram cenas lamentáveis de violência. Se
querem fazer experiência de torcida única, o Botafogo nada tem contra qualquer
iniciativa em favor do pleno desenvolvimento do esporte, da segurança das
pessoas, está sempre disposto a colaborar. Mas não dessa maneira – disse ao “Tá
na Área”.
O juiz
Guilherme Schiling, do Juizado Especial do Torcedor e dos Grandes Eventos do
Rio, tomou a decisão em caráter liminar ao acatar ação civil pública proposta
pelo Ministério Público do Rio. Em função das cenas de violência ocorridas no
duelo entre Botafogo e Flamengo, no último domingo, pelo Carioca, o MP pediu
que os clássicos passassem a contar com torcida única. Na partida, realizada no
Engenhão, organizadas brigaram antes do jogo – um torcedor foi morto, e oito
ficaram feridos.
Pereira
sugeriu que os clubes, as autoridades e a Ferj se reunissem para discutir a
violência no futebol carioca não de maneira pontual, em função das cenas do
último domingo, mas sim em relação ao que vem ocorrendo há anos nos dias dos
jogos.
– Não
é considerar os clubes réus, mas sim parte importante. Nós fazemos um esforço
muito grande pela não violência. O Botafogo tinha seguranças particulares na
ordem de 300 homens e foi muito importante na contenção da situação com o apoio
da guarda municipal na área externa. Depois, a polícia militar acabou chegando
com um efetivo adequado e a saída do estádio se deu sem problemas.
Pereira
ainda criticou a decisão da Justiça de exigir dos clubes o cadastro de
torcedores violentos, a fim de impedi-los de entrar nos estádios durante os
jogos. Para ele, esta responsabilidade é das autoridades policiais.
– O
Botafogo não tem esse poder. Ninguém pode remeter ninguém a um cadastro de não
for um cadastro espontâneo. Como vai se fazer o controle dos membros de uma
torcida organizada que formalmente não existe. Como vou controlar a entrada de
pessoas sem identificação, sem sistema de controle, que pode ser feito pela
força pública, baseada na lei. Transferir ao clube uma responsabilidade de
controle, não tenho poder de polícia. Como posso barrar uma pessoa que comprou
ingresso, mas porque está usando uma camisa tem que mostrar CPF e esperar um
horário para entrar no estádio. Isso precede toda a preparação do jogo que não
é decidida na roleta. Em um clássico aparecem mais de 20 mil pessoas. Como
vamos fazer uma triagem desse porte.

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