Botafogo projeta déficit de R$ 8 milhões na temporada.

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Foto: Vitor Silva / SSPress

EPOCA
EC
: Se não tivesse dívidas tão altas, o Botafogo faria uma temporada para lá de
tranquila em 2017. O departamento financeiro projetou, no orçamento do clube,
R$ 191 milhões em receitas. Isso inclui os acordos de televisão e marketing e
as previsões de arrecadação com sócios-torcedores, bilheterias e estádio – o
Nilton Santos começou o ano com bons resultados. Do lado das despesas, o
cálculo fica em R$ 145 milhões. Aí entram todos os custos com futebol, estádio,
clube social e outros esportes, como o remo. Se você puxar uma calculadora, vai
notar que sobrariam R$ 46 milhões para gastar em contratações de novos atletas
e investimentos em infraestrutura. Uma maravilha. Se o Botafogo não tivesse
dívidas tão altas.

O
endividamento botafoguense é um dos mais preocupantes do futebol brasileiro
porque combina dois problemas: pouca receita para muita dívida. O clube se
endividou muito rápido na última década sem que aumentasse sua arrecadação em
ritmo suficiente para dar conta da bronca. Isso tem seu preço. Para 2017 a
diretoria alvinegra separou R$ 54 milhões para o pagamento de dívidas, acordos
trabalhistas e cíveis já existentes e outros que serão firmados no decorrer da
temporada. É um dinheiro que poderia ser investido no futebol, mas vai parar
nas contas de bancos e empresários que, no passado, acudiram o clube com
empréstimos.
O
cálculo, com as dívidas, muda de figura. Se a diretoria financeira estiver
correta em suas projeções, o Botafogo vai terminar o ano com um prejuízo de R$
8 milhões. A primeira solução é desagradável: a venda de atletas. O clube
espera uma arrecadação líquida de R$ 10 milhões em 2017 com transferências para
fechar a conta – o que pode acontecer ou não, a depender do futebol e do
mercado. Isso, numa temporada em que o time volta a empolgar o torcedor com
boas partidas e a presença na Copa Libertadores, soa mal para qualquer
torcedor, mas pode ser melhor do que a segunda solução. Caso não venda ninguém,
a direção terá de tomar mais empréstimos para sanar o buraco no caixa. Aí o
endividamento aumenta, a bola de neve fica maior, e o problema é empurrado para
2018 do mesmo modo que foi até agora. As dívidas continuam a enforcar o
Botafogo.

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