Cartola do Botafogo torce para Patrícia Amorim voltar ao Flamengo.

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Marcio Padilha, dirigente do Botafogo – Foto: Vitor Silva / SSPress

VIRANDO
O JOGO
: Na última semana, o dirigente Márcio Padilha participou do podcast Resenha 37 e
comentou sobre o trabalho no clube e esclareceu dúvidas dos torcedores em
relação às novidades. Abaixo, separamos alguns trechos do bate-papo e você pode
ouvir a entrevista completa no Resenha 37.

Por mais que seja muito simples se
cadastrar como sócio-torcedor do Botafogo, muita gente reclama da dificuldade
no atendimento, principalmente pelo telefone. Você concorda que esse sistema é
falho? Como ele funciona?
Isso
depende muito da demanda. Eu credito o problema ao sucesso do programa. Nós
somos patrocinados pela Cercred, que é uma empresa especializada em call
center, e temos 22 pontos de atendimento. Eu posso apostar com vocês que o
Flamengo, que é o maior clube do Brasil, não tem esse sistema, até porque eles
já entraram em contato com a Cercred para perguntar como nós fizemos isso.
Então o atendimento telefônico se torna complicado a partir do momento que a
demanda aumenta. E atualmente nossa demanda é absurda: o site congestiona, o
telefone congestiona… Nós criamos um WhatsApp do “Sou Botafogo” para atender os
sócios e recebemos cerca de 500 mensagens por dia. E nosso plano vende
check-in, estacionamento, transporte para o estádio… Isso gera muitas dúvidas
diferentes. Apesar de alguns problemas pontuais, eu acho que nosso
teleatendimento é muito bom sim.
Ultimamente o clube tem chamado atenção
por fazer provocações e “jogar para a torcida” nas redes sociais. Como funciona
a gestão dos perfis do Botafogo? Qual a sua opinião a respeito desse
posicionamento?
Desde
que eu assumi a comunicação do Botafogo eu incentivei uma maior interação entre
os clubes nas redes sociais. Quando a provocação é sadia, ela alegra o
torcedor, cria polêmica, mas nunca incitando a violência ou outros problemas.
Infelizmente não foi isso que vimos no último domingo (12/02), quando o clube
adversário (o Flamengo) foi infeliz no tweet e o próprio presidente deles
admitiu isso. Já fizemos provocações ao Vasco, ao Fluminense e ao próprio
Flamengo e a polêmica sempre pendeu para o bom-humor, alimentando a rivalidade,
mas sempre respeitando o adversário.
​Você acha que no último clássico os dois
clubes pesaram a mão nas redes sociais?
Ali
nós estávamos de cabeça quente, logo após um jogo tenso. Eu, por exemplo, nem
assisti à partida, fiquei do lado de fora o tempo todo para tentar ajudar a
torcida a entrar com segurança. Enquanto o jogo rolava, a gente ficou
discutindo com os comandantes do GEPE (Grupamento Especial de Policiamento em
Estádios) e do Jecrim (Juizado Especial Criminal) como seria o esquema na
saída. E por conta disso nós conseguimos que o Batalhão de Choque da PM fosse
ao Nilton Santos. Nós ficamos pensando: qual torcida vai sair primeiro e qual
vai sair depois? Como vai ser no estacionamento, que tem torcedores dos dois
times? Nós recebemos o Flamengo com todo conforto em nosso estádio, a torcida
deles não foi mal tratada em nenhum momento do lado de dentro. Acabou que nem
vi o jogo. E aí depois dessa tensão toda, nós vimos aquela postagem deles
falando de “correu, fugiu” [Nota do Virando o Jogo: a publicação do Flamengo
dizia “Não adianta fugir, não adianta correr. Deu Mengão no Engenhão”], nos
sentimos provocados e a resposta acabou sendo no mesmo tom.
​Você não acha que essa picuinha criada
entre Flamengo e Botafogo, que remonta aos tempos de Eurico Miranda e Márcio
Braga (presidentes de Vasco e Flamengo no início dos anos 2000), não acaba
levando a esse tipo de confusão?
Não
vejo por aí não. Infelizmente, e não é só com o Botafogo, há sempre uma
dificuldade muito grande de relacionamento com o Flamengo. Eles têm uma postura
muito soberba, tentam sempre ser os maiores beneficiados em todas as
negociações, vide agora o caso da renovação com a Globo em relação aos direitos
de transmissão do Campeonato Carioca. Eles não assinaram, prejudicaram os times
de menor investimento e fecharam um acordo em separado. Eles não reconhecem os
outros clubes, acham que estão acima do bem e do mal. Dizer que isso tudo é uma
“picuinha” vai muito da interpretação, porque para toda ação existe uma reação.
A gestão do Eduardo Bandeira de Mello vem
sendo muito elogiada em termos de administração, assim como a do Botafogo. Nem
com essas diretorias o relacionamento entre os clubes melhorou?
Eu
sempre digo que essa gestão do Flamengo está no caminho certo. Inclusive eu
trabalho com campanha política, o dia que a Patrícia (Amorim) ou o Edmundo (dos
Santos Silva) quiserem voltar à presidência do Flamengo, eu faço a campanha
deles de graça. O problema é a empáfia, a soberba. Eu me dou super bem com o diretor
de marketing deles, a gente tem um relacionamento muito bom. No último clássico
mesmo eles queriam fazer uma ação, eu pedi para segurar a onda porque o clima
entre as diretorias não é bom e eles entenderam. O Flamengo está em um modelo
de administração interessante, mas eles têm que entender que o Flamengo
sozinho, sem os outros clubes, não é nada.
​Você acha que esse afastamento entre as
quatro diretorias dos times do Rio de Janeiro pode acabar algum dia? Acredita
em uma união dos clubes, talvez até para criar um campeonato sem a FERJ?
O
relacionamento entre os clubes tem que ser sadio, mas com o Flamengo não é. Nós
nunca conseguimos chegar a um final de conversa em bons termos. Quando se fala
da FERJ, por exemplo, o Botafogo não está alinhado, nem está contrário. É
preciso ter um bom relacionamento, assim como temos com o Vasco e com o
Fluminense, que melhorou após uma picuinha com o ex-presidente Peter Siemsen.
Antigamente os outros faziam o Botafogo de gato e sapato e ficava por isso
mesmo, agora não. Agora tem um presidente que não deixa o clube ser
menosprezado nem desrespeitado. Quem não quiser aceitar o Botafogo como um dos
maiores clubes do país não vai ser bem tratado, vai sempre receber o troco.

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