Chegam jogadores bons, medianos e ruins da América do Sul.

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Orlando Berrío – Foto: Gilvan de Souza / Flamengo

FOLHA
DE SÃO PAULO
: Botafogo e Atlético-PR, dois times modestos individualmente, são
muito organizados taticamente e têm boas chances de se classificar para a fase
de grupos da Libertadores.

Apesar
do déficit nos orçamentos de quase todos os clubes brasileiros –gastam mais do
que arrecadam–, eles não param de contratar, especialmente jogadores de outros
países sul-americanos. São bem-vindos. Não param de chegar os muito bons, os
bons, os medianos e os ruins. Muitos são caríssimos. Alguns são mais indicados
por empresários do que pelos analistas de desempenho dos clubes.
Os
marqueteiros dos clubes são muito eficientes. Transformam jogadores medianos em
bons e bons em craques. Borja, Berrío, Guerra e outros são bons, mas nem tanto.
São tratados como craques consagrados. Borja é o que mais promete pelo grande
número de gols que tem feito. Porém, todos estão no Brasil porque não tiveram
propostas de grandes ou médios clubes europeus.
O
torcedor do Flamengo está preocupado, porque foi ver Berrío e teve a impressão
de que via novamente Marcelo Cirino. São muito parecidos. São altos, fortes,
velozes, têm pernas compridas e jogam pela direita. Antes de atuar pelo
Flamengo, Marcelo Cirino foi muito bem no Atlético-PR, que aproveitava sua
velocidade nos contra-ataques. O mesmo ocorria com Berrio, no Atlético
Nacional, da Colômbia.
O
venezuelano Otero e o colombiano Cazares, ambos do Atlético-MG, são bons, mas
nem tanto. Cazares é muito habilidoso e faz muitas jogadas de efeito. Porém,
possui muitas deficiências técnicas, finaliza mal e, com frequência, toma
decisões erradas. Parece melhor do que é. Otero é excepcional nas bolas paradas
e nas finalizações. Ponto final. Nos outros fundamentos técnicos, é comum.
O São
Paulo fez uma boa contratação, Pratto, que já está bem adaptado ao futebol
brasileiro. Ele é muito bom, mas nem tanto. Escuto todos os dias que Pratto é
titular da seleção argentina. É, circunstancialmente.
Provavelmente,
não será mais, já que Agüero e Higuaín são superiores.
Não
são apenas jogadores sul-americanos que são supervalorizados. Quando atuava no
Brasil, Jucilei era um volante comum. Ficou cinco anos fora, ninguém o viu
jogar e chega como um ótimo reforço para o São Paulo. Melhor que ele é o jovem
volante João Schmidt.
Será
que a chegada de tantos jogadores não tira o lugar de jovens com talento das
categorias de base, algo parecido ao que ocorre na Europa? Por falar em
categorias de base, a seleção brasileira sub-20, pela segunda vez nos últimos
três torneios classificatórios, ficou fora do Mundial. Entre seis finalistas,
ficou em quinto, atrás da Venezuela. Isso é preocupante.
O
Flamengo possui sete estrangeiros, e os times só podem ter, em cada jogo,
cinco, entre titulares e reservas. Dois não poderão nem ficar no banco. Todos
querem jogar no Brasil para ganhar dinheiro. É o eldorado.
Parece
até que o país não passa por graves problemas econômicos, sociais, políticos e
de violência e corrupção. E ainda tramam contra a Lava Jato.
Muitos
brasileiros querem ir embora. Para onde? O mundo endoidou. Bombas explodem nos
metrôs. Imigrantes são proibidos de entrar nos Estados Unidos. Muros são
erguidos. A intolerância se alastra. Pasárgada não existe mais.
Tostão

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