Com controle do jogo, Flamengo podia ter goleado.

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Zagueiro Luan, do Vasco, evitando gol do Flamengo – Foto: Gilvan de Souza / Flamengo

ANDRÉ
ROCHA
: Os menos de dez mil pagantes nas semifinais da Taça Guanabara em Volta
Redonda e Xerém, com toda a relativização da ausência do Maracanã e
inviabilidade do Engenhão, é o símbolo da falência do campeonato carioca e da
crise em que se enfiou a sede das Olimpíadas há menos de seis meses.

No
Raulino de Oliveira, o início teve o roteiro de praticamente todos os grandes
clássicos brasileiros nos últimos tempos: jogadores mais preocupados em mostrar
truculência, pressionar arbitragem para mostrar ao torcedor e ao adversário que
está ”pilhado”. Só esquecem de jogar futebol.
O
Flamengo, com trabalho consolidado e vantagem do empate, entrou primeiro na
disputa tática e técnica. Com calma, trocou passes desde a defesa para sair da
marcação adiantada do Vasco de Cristóvão Borges que só tinha uma jogada: Kelvin
para cima de Trauco, cortando para dentro e batendo de canhota.
Ainda
na primeira etapa, Zé Ricardo voltou ao 4-2-3-1 com pontas velocistas depois da
saída de Mancuello, com desconforto muscular, e a entrada de Gabriel. A equipe ainda
se sente mais confortável desta forma e cresceu no jogo até o pênalti sobre
Everton. Falha da dupla de zaga cruzmaltina: Rodrigo deu condições errando a
tática de impedimento, Luan chegou depois do atacante rubro-negro e o toque
desequilibrou. Cobrança corajosa e precisa de Diego.
O
segundo tempo teve Cristóvão demorando a mexer e fazendo errado. Douglas Luiz
era um dos melhores do Vasco em campo e saiu para a entrada de Guilherme,
recuando Wagner. O meio-campo fez água e passou a sobrar espaços para o
adversário, também pela nítida queda física do time.
Com
Berrío na vaga de Everton e depois Filipe Vizeu no lugar de Guerrero, o
Flamengo empilhou chances aproveitando os espaços generosos. A mais bela jogada
com Diego, Guerrero e conclusão de Willian Arão por cima. Foram nove
finalizações, pelo menos três oportunidades claras, mais o chute na trave de
Diego. Não conseguiu ampliar, porém.
Em
um cenário de nove jogos sem vencer o arquirrival, o risco de sofrer o empate e
recolocar o adversário no jogo foi desnecessário. Cristóvão ainda tentou com
Muriqui e Escudero. Mas Nenê se arrastava em campo e Rever e Rafael Vaz
cortaram todas as tentativas. O Vasco precisa de tempo para igualar todos
fisicamente e adquirir um mínimo de entrosamento – e ainda falta entrar Luis
Fabiano e Bruno Paulista.
O
Fla de Zé Ricardo quebra a sequência de insucessos no clássico e se apresenta
como uma equipe consciente e fria. Mas podia ter goleado. Em confrontos mais
parelhos, como na final do primeiro turno contra o Fluminense, a falta de
contundência pode pesar.
Ainda
assim, o trabalho sério no futebol é um ponto de contraste com o combalido
futebol carioca. Por isso leva o favoritismo para o Fla-Flu.

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