Com Luís Fabiano, Eurico repete fraude de 1999 com Edmundo.

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Foto: Reprodução / O Globo

CHUTE
CRUZADO
: A inscrição de Luis Fabiano no Campeonato Carioca pelo Vasco pegou
muitos de surpresa. O atacante ainda tenta a rescisão com o Tianjin Quanjian,
da China, para voltar ao Brasil e assinar contrato com o clube. Mas é apenas o
presente reprisando o passado. Em comum, o Vasco e seu presidente, Eurico
Miranda. Há quase 18 anos, em 1999, Eurico também causou polêmica ao inscrever
Edmundo no Campeonato Carioca mesmo com o então atacante ainda em ação pela
Fiorentina, da Itália.

Na
ocasião, o Vasco, então detentor do título da Libertadores, flertava com uma
crise. O time fora derrotado na final da Taça Guanabara para o rival Flamengo
e, em seguida, deu adeus à defesa da taça e acabou eliminado nas oitavas de
final da competição sul-americana pelo Palmeiras. Eurico Miranda, então vice de
futebol, sacou a contratação de Edmundo da manga. A dois dias do prazo final da
inscrição no Estadual, o dirigente inscreveu Edmundo na Federação de Futebol do
Rio de Janeiro (Ferj), à época ainda sob a gestão de Eduardo Viana, o Caixa
D’água.
Para
inscrever o Animal, o Vasco se baseou em um documento assinado pelo jogador,
chamado Pedido de Transferência, no qual ele simplesmente manifestava o desejo
de jogar pelo Vasco. Foi aceito pela Federação. A liberação oficial da
Fiorentina e da Federação Italiana, no entanto, não tinham chegado ao Brasil.
Foi o bastante para o início de um grande polêmica. Flamengo e Botafogo
apontavam a inscrição do atacante no Carioca como irregular e prometiam acionar
a Justiça para impedir que o jogador entrasse em campo. O Vasco e Eurico, no
entanto, tinham o suporte da Ferj. A CBF não reconhecia a transferência de
Edmundo e garantia que sua condição era irregular, mas o dirigente desdenhava.
“Não
me interessam a CBF, a Fifa ou quem quer que seja. Eu não seria maluco de pôr o
Edmundo em campo se ele não tivesse condições. Não sei qual a mecânica da CBF,
mas se eles acham que o documento não chegou, que informem como acharem
devido”, disse Eurico ao jornal O Globo em 29 de maio de 1999.
O
dirigente vascaíno garantia que o documento da Fiorentina informando que o Vasco
havia honrado o valor de 13 milhões de dólares da contratação era o suficiente
para a regularização. Flamengo e Botafogo mostravam irritação.
“Não
podemos impedir Edmundo de jogar no domingo, mas nada impede que recorramos
após o jogo. Não faz sentido uma data limite se o clube inscrever um jogador
sem contrato”, disse Alberto Macedo, então vice de futebol do Botafogo.
Mas
não houve jeito. Edmundo foi apresentado em São Januário no fim de maio e, dias
depois, enfrentou o Botafogo em sua reestreia pelo clube. Bastava ao Vasco uma
vitória para ser campeão da Taça Rio e decidir o Campeonato Carioca com o
Flamengo, campeão da Taça Guanabara. O clássico terminou empatado em 1 a 1 e a
decisão do segundo turno ficou para a última rodada, em um clássico justamente
entre Flamengo e Vasco. Aí, a cartada de Eurico mostrou ter sido decisiva.
O
clube cruzmaltino terminou campeão ao bater o Flamengo de Romário por 2 a 0,
dois gols de cabeça de Edmundo sob uma chuva torrencial no Maracanã. Na finalíssima
do Carioca, Edmundo esteve em campo e marcou o gol vascaíno no empate em 1 a 1
no primeiro jogo. Por ter melhor campanha, ao Vasco bastava um empate no
segundo jogo. Mas um gol de falta de Rodrigo Mendes deu a vitória e a taça ao
clube da Gávea.

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