Custo de R$ 20 milhões deve barrar árbitro de vídeo no Brasil.

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FOLHA
DE SÃO PAULO
: A implantação da tecnologia de vídeo no futebol nacional ficará
para a próxima temporada. A CBF (Confederação Brasileira de Futebol) decidiu
adiar o uso da tecnologia por considerar o valor inviável financeiramente.
De
acordo com a entidade, o sistema custaria aproximadamente R$ 20 milhões somente
para arcar com o aspecto operacional, sem contar a remuneração dos envolvidos.

Com a
decisão, a CBF vai apostar novamente nos árbitros adicionais, que ficam atrás
das traves, para o Campeonato Brasileiro de 2017.

“Nosso
objetivo era implantar o árbitro de vídeo neste ano, mas o processo ainda está
em fase embrionária e será muito difícil, praticamente impossível. É um sistema
que temos que analisar vários aspectos, como o tipo de equipamento ideal. Não
pode ser de qualquer forma”, disse o Coronel Marcos Marinho, presidente da
Comissão Nacional de Arbitragem.
A CBF
negocia com cinco empresas a implantação da tecnologia de vídeo, e deseja ter
no mínimo oito câmeras à disposição em cada partida.
“Temos
que preparar também pessoas para fazer esse trabalho. É necessário que sejam
ex-árbitros”, afirmou.
De
acordo com Marinho, dois testes já foram feitos na Granja Comary com as
categorias de base da seleção brasileira. Um deles foi o treino da equipe
sub-17 e contou com o trio de arbitragem formado pelo árbitro Marcelo de Lima e
os assistentes Dibert Pedrosa e Lilian Fernandes. O manuseio foi feito pelo
ex-árbitro Manoel Serapião.
A
entidade ainda planeja fazer testes na Copa do Brasil sub-17 e sub-20 e até no
Campeonato Brasileiro feminino, que começa em março.
A
opção pelo retorno dos adicionais foi definida após uma análise feita pela
comissão de arbitragem. A solução dos dois juízes foi utilizada no Nacional
entre 2012 e 2014, mas depois foi abolida. A intenção da entidade é
aproveitá-los também a partir das oitavas da Copa do Brasil.
“Chegamos
à conclusão de que os dois assistentes ajudam bastante quando estão bem
treinados. Os árbitros aprovaram a utilização até porque não teremos a
possibilidade da utilização do vídeo”, afirmou Marinho.
Árbitros
ouvidos pela Folha aprovaram a medida, mas com algumas ressalvas.
“É
muito válida a utilização dos adicionais, já que são mais quatro olhos. Só são
necessários alguns ajustes, como a utilização de árbitros experientes e equipes
de arbitragem fixas”, disse o baiano Jailson Macedo Freitas, 46.

para o carioca Marcelo de Lima Henrique, 45, ex-árbitro Fifa, é imprescindível
que as “equipes de arbitragem sejam fixas para ter afinidade. Não é
possível conhecê-lo [o adicional] na hora do jogo”, apontou.
Marinho
assegurou que as equipes de arbitragem serão fixas. Ele também afirmou que os
três melhores “sextetos” —árbitro, assistentes, adicionais e o quarto
árbitro— da rodada receberão um bônus de 40% a 50% na remuneração.
A
melhor equipe de arbitragem no final do Brasileiro vai dividir uma premiação de
R$ 500 mil.
SAIBA MAIS
Aprovada
pela Comissão Nacional de Arbitragem, a utilização dos árbitros adicionais já
provocou confusão em alguns jogos.
Duas
aconteceram no Estadual do Rio. Em 2014, o meia Douglas, ex-Vasco e atualmente
no Grêmio, marcou um gol de falta durante duelo contra o Flamengo. A bola
ultrapassou mais de 30 cm a linha do gol, mas o adicional Rodrigo Castanheira,
que estava de frente, não viu.
Neste
ano, o Botafogo venceu o Macaé com um gol irregular aos 52 minutos do segundo
tempo. O adicional Leandro Newley não viu a bola sair pela linha de fundo. Na
jogada, Guilherme cruzou e Vinícius Tanque marcou.
O
Estadual do Rio foi o primeiro que utilizou os dois árbitros atrás do gol —em
2008.

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