Custo para reforma atrasa venda do Maracanã.

31
Foto: Divulgação

ESPN: Prevista
para esta sexta-feira, a resposta de quem vai ficar com o Maracanã não sairá
tão rapidamente como se esperava. As conversas da Odebrecht com as interessadas
Lagardère e GL Events estão sendo mais complicadas do que se supunha. O
principal motivo: quem vai pagar pelos estragos feitos pelo Rio 2016 nas
estruturas do estádio? A questão colocada leva à uma infeliz constatação. A de
que a Olimpíada, melhor dizer, Carlos Arthur Nuzman e sua turma, conseguiram
depreciar o valor do estádio que já foi um dia o maior do mundo.

A
expectativa era de que, com pressa e concorrência, os dois grupos interessados
acabassem assumindo a obrigação _ que era do comitê _ de fazer as obras e
consertos necessários para depois cobrar as responsabilidades, mesmo que seja
na Justiça. Acontece que nenhum dos dois grupos topou tamanha caridade, até
agora. Muitas perguntas estão sem resposta: quanto vai custar consertar tudo o
que foi destruído? O quê exatamente foi destruído pelos dirigentes olímpicos e
o que foi causado pelo abandono pós evento? Quem paga essa conta?
O
quanto a Odebrecht é responsável pelo abandono é outra pergunta a se fazer. Em
dezembro _ após os Jogos _ o Maracanã estava funcional. Em que pese os custos
do conserto do gramado tenham sido assumidos pelos usuários, como o Flamengo,
que arcou com o remendo do campo para tapar o enorme buraco deixado pelo
comitê. A partir de então, o Maracanã foi abandonado. Por quem, exatamente?
O
valor da compra, avaliado em cerca de R$ 60 milhões, pode ser menor se o
vencedor aceitar arcar com os custos ainda não calculados. Se isso ocorrer,
perde a Odebrecht que terá de cobrar do Estado o não cumprimento do contrato. O
impasse na mesa de negociações se arrastara, no mínimo, pela próxima semana.
Para se ter uma real noção do prejuízo, os três negociadores terão de embarcar
em diligências técnicas pelo estádio para avaliarem o quanto se gastará com os
reparos necessários.
Uma
conta, que ninguém quer pagar. Mas cujas responsabilidades estavam bem
definidas no contrato de cessão do estádio, firmado entre o Governo do Rio, com
a assinatura do governador Luiz Fernando Pezão, e o Rio 2016, sob
responsabilidade do vice-geral Leonardo Gryner.
Contrato para “inglês ver”
Ao se
ler o contrato, parece-se estar entrando num conto teatral. São 13 páginas
adornadas por carimbos, direitos e deveres. Dos direitos, nenhum em prol do
Estado e da sociedade, até cláusula informando que o Rio não poderia usar a
marca do comitê havia.
“O
Autorizante (Governo) e Interveniente (Odebrecht) não poderão intitular-se
“Fornecedor oficial dos Jogos”, tampouco, “mencionar em seu
material publicitário, de marketing ou em campanhas (…) o fato de prover
produtos e / ou serviços ao Autorizado (Rio 2016)”.
A
“Carta Olímpica” e seus ideias também é citada no contrato. Deveriam
Odebrecht e Estado do Rio, se submeterem aos seus conceitos e valores.
Mas há
também obrigações por quem tomou emprestado, como:
“utilizar,
preservar, manter e guardar a área cedida (…) com o dever de cuidado
necessário a evitar danos à instalação, ressalvados os desgastes naturais (…)
devolvendo no mesmo estado em que recebeu”.
Um
documento que foi redigido sob a batuta dos grandes conselheiros jurídicos de
Carlos Arthur Nuzman. Aqueles que este Blog já mostrou quem eram e quanto
ganharam com o sonho olímpico.
Um
contrato que até agora não saiu do papel e tem sido rasgado a cada dia que
passa. Mais um para a conta da nebulosa relação entre as turmas do Cabral, das
empreiteiras, e dos anéis olímpicos.

COMENTÁRIOS: