Diego: a um título de ser ídolo do Flamengo.

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Diego com a camisa do Flamengo – Foto: Thomas Santos/AGIF

ESPN
FC
: Quando Diego começou a ser cogitado no Flamengo, admito que não me
empolguei. Talvez porque a imagem que eu tinha dele era de um jogador de baixa
intensidade e tendência a problemas nos clubes; talvez porque ainda tinha em
mim as sequelas emocionais que apenas alguém que acreditou de coração que
Carlos Eduardo ia resolver os problemas do meio de campo do Flamengo poderia
ter. Diego veio e, enquanto via a torcida tomando o aeroporto pra comemorar sua
chegada, eu, transformado num Grinch de contratação, olhava pra tela do
computador e dizia um amargo “também não é pra tanto”.

Quando
Diego estreou com gol, um lado meu, o lado mais flamenguista, gritou aquele
“AGORA TEMOS CAMISA 10”, mas uma parte minha, possivelmente os genes que herdei
da minha mãe botafoguense, ainda sussurrava um “calma que isso pode ser fogo de
palha, não tira conclusão precipitada, lembra que ir ao estádio dá azar e fazer
gol no começo dá mais tempo pro outro time virar o placar”. Como eu disse, eu
fui criado por uma botafoguense.
Flashforward
pra ontem. Flamengo x Madureira em Volta Redonda. Um calor capaz de não apenas
fritar um ovo como logo depois causar no ovo o fenômeno da sublimação e ele
evaporar na sequência. Diego causa a expulsão do zagueiro do Madureira, Alex
Moraes, e já coloca o Flamengo em vantagem numérica. Falta cobrada, jogada se
desenrola, tentativa de tabela na frente, sem sucesso. Zagueiro vai tentar
passar, Diego aplica um carrinho, a bola vai pra frente, defensor tenta tirar,
Diego recupera a bola, domina, quase caindo chuta. Gol.
E
ainda que Diego tenha ganho ano passado prêmio entre os melhores do campeonato,
ainda que tenha feito gols e tido atuações decisivas, admito que foi aí, nessa
jogada, que eu finalmente entendi que, sim, estamos vendo nascer um ídolo no
Flamengo.
Claro,
existem muitas variáveis. Diego tem só 8 meses de clube e no futebol de hoje em
dia qualquer jogador pode apenas dizer no intervalo de uma partida que vai sair
pra comprar um maço de cigarros e nunca mais voltar. Diego ainda não ganhou
nada pelo Flamengo e, ao contrário de outros clubes onde você pode se tornar
ídolo puxando briga em jogo ou sendo artilheiro de competição, na Gávea é
vencer ou nada, idolatria não é como exame de sangue, não acontece em jejum.
Mas
Diego quer vencer, Diego quer jogar, Diego quer ser ídolo. Não apenas porque é
dos jogadores mais regulares desse elenco – pode não fazer sempre jogos
brilhantes, mas é difícil recordar de um jogo ruim dele desde que chegou ao
clube –, não apenas porque é dos mais decisivos, não apenas porque abraçou a
torcida e se adaptou ao clube numa velocidade incomum pra um jogador que passou
tanto tempo na Europa e nunca havia jogado no Flamengo.
Você
sabe que Diego quer ser ídolo por lances como o de ontem. Porque ele está
disposto a, num jogo contra o Madureira em Volta Redonda, meter o pé pra dar
carrinho, ir disputar bola com zagueiro, chegar lá na frente e decidir, mesmo
caindo, pra depois comemorar como se fosse um gol numa final de Libertadores.
Onde outros jogadores poderiam se acomodar, onde já vimos vários fazerem apenas
o mínimo, Diego quer mais, porque sabe que, para que possamos conquistar coisas
grandes, não existe jogo pequeno o bastante pra não ser levado a sério. E
poucas coisas são mais Flamengo que isso.

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