Diga-me com quem andas e eu te direi quem és!

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Foto: Divulgação

FALANDO DE FLAMENGO: Por Cadu Silva

A
segunda-feira foi dia de comentar a “selvageria dos estádios” a “morte de um
torcedor”, a “briga entre torcedores” e, pasmem, a responsabilidade dos dirigentes
de Flamengo e Botafogo no atentado que resultou no homicídio no entorno do
Engenhão. Isso tudo pela imprensa esportiva, como se homicídio de membro de
torcida organizada fosse algo inerente ao espetáculo, quase um impedimento mal
assinalado.
Tenho
convicção que a solução passa pela correta definição do problema. Temos que dar
nomes aos bois.
O
homem assassinado participava de uma organização que abriga criminosos
violentos cujo principal objetivo é confrontar outros criminosos violentos que
usam outra camisa. Nem todos os membros dessa organização são criminosos ou
violentos, mas dão suporte anímico e/ou financeiro para que essas quadrilhas se
auto-denominem “torcidas”; e pior, “organizadas”. Abro aqui o parêntesis para
excluir algumas honrosas exceções de torcidas organizadas pautadas pelo
legítimo apoio às suas agremiações.
Não
precisa ser muito inteligente para saber que se trata de uma atividade de
risco.
A esse
caldo violento que escolheu o futebol como medida de inclusão em uma ou outra
associação criminosa, some-se a leniência da Polícia Militar que, em justa
reivindicação por salários, adota a covarde estratégia de colocar lenha na
fogueira da violência para fazer de um clássico do futebol carioca um palanque
para os seus pleitos.
Finda
a partida, a principal discussão gira em torno de um post do Flamengo no
Twitter, prontamente respondido pelo Botafogo e a troca de farpas entre os
presidentes dos clubes. Como se aqueles marginais que cometem homicídios
precisassem de incentivo ou aval para cometerem as barbaridades que,
infelizmente, já fazem parte da rotina deles. Pelo amor de Deus!
Até
quando vamos bradar contra a violência, quando o correto é prender O violento?
A
birra da diretoria do Botafogo vem da contratação do Arão e, a despeito de
algumas decisões lesivas aos cofres já combalidos de General Severiano, como
achar que pode prescindir dos jogos do Flamengo no Engenhão, está sendo
resolvida pelos homens de terno, nos tribunais; com toda a fidalguia e liturgia
inerentes à atividade jurídica. Sem violência.
Cansei
de descer a rampa do Bellini zoando ou sendo zoado pelo torcedor rival que
estava ao alcance das minhas mãos, ambos sabendo que a segunda-feira seria
dedicada ao deboche daquele que houvesse perdido algum clássico. Isso sempre
fez parte da magia do futebol. Pelo menos aqui no Rio: o jogo começava domingo
de manhã, na banca de jornais e acabava no almoço de segunda-feira, depois da
humilhação sadia dos perdedores. Alguém matava o adversário? Alguém levava
porretes para a porta do estádio? Então, menos!
Pelos
clássicos com torcida mista, pelas musicas provocativas, pelos posts irônicos,
pelo papel higiênico e picado, pela rivalidade entre dirigentes, pela
provocação entre jogadores e, PRINCIPALMENTE, pela prisão dos bandidos. Por
que, sem bandidos nos estádios, todo o resto está permitido.

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