Ecos da goleada do Flamengo sobre o Madureira.

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Foto: Gilvan de Souza/ Flamengo

O
GLOBO
: Por Carlos Eduardo Mansur

O futuro dirá se Lucas Paquetá é mais um exemplo para nos mostrar que o
coletivo potencializa o individual. Foi mal numa seleção brasileira sub-20 que
jamais se encontrou. Ontem, entrou num momento em que o Flamengo já se sentia à
vontade diante de um Madureira com 10 homens. E produziu o momento mais bonito
da vitória por 4 a 0. Um rebote do goleiro, após um belo passe que ele mesmo
tentou, terminou num toque de cobertura que misturou ousadia para tentar e
técnica para executar.

O
lance fechou a goleada que confirmou o Flamengo como primeiro colocado do Grupo
B da Taça Guanabara. No sábado, enfrenta o Vasco na semifinal. O jogo de ontem,
visto apenas sob a ótica do resultado final, pode trazer conclusões açodadas.
Foi
como se houvesse duas partidas em uma em Volta Redonda. Uma, até o Flamengo
fazer seu segundo gol, já quase na metade do segundo tempo, contra um Madureira
que tinha dez homens desde os minutos finais da primeira etapa. Este jogo, o
rubro-negro, a exemplo da maioria dos minutos que leva em campo em 2017, não
deixou boas sensações, com pouca imaginação, pouca inventividade.
Pouco
antes de Trauco lançar Guerrero, no lance do segundo gol rubro-negro, aos 19
minutos do segundo tempo, o Flamengo já tinha feito 32 cruzamentos para a área
rival. Muitos deles em lances forçados, não em jogadas trabalhadas que colocam
o ataque em vantagem sobre a defesa rival. Do outro lado estava um Madureira
bem organizado defensivamente, justificando, em parte, sua presença na briga
pelo primeiro lugar na chave até a rodada final. Mas PC Gusmão preservava
alguns poucos titulares, vale destacar.
O jogo
teve onze jogadores de cada lado por 43 minutos. Neste período, diante de um
adversário fechado, novamente o rubro-negro rodou a bola lateralmente até
forçar um passe pelo meio ou fazer um cruzamento em condições desfavoráveis. Em
tramas coletivas, chegou com perigo só uma vez, quando Pará, Mancuello e
Guerrero combinaram até o peruano obrigar o goleiro Rafael Santos a ótima
defesa.
As
dificuldades recentes do Flamengo se repetiam. Mancuello custa a ser efetivo
partindo do lado direito. E o time fica à espera de uma solução de Diego, o
meia sempre confiável do time, ou de uma movimentação que surpreenda. Como a
penetração de Trauco pelo centro.
Foi
apenas dois minutos após a rigorosa expulsão de Alex Moraes que o Flamengo
chegou ao primeiro gol, de Diego.
O
outro jogo que se viu ontem, a partir dos 2 a 0 no placar, embora jogado diante
de um adversário batido, permitiu a alguns jovens mostrar serviço e a Mancuello
se exibir melhor como um meia mais central do que aberto. O primeiro a
aproveitar a oportunidade foi Felipe Vizeu, que também retornou ao clube após a
desastrosa campanha com a seleção sub-20, no Equador. Em arrancada pela
esquerda, deu o terceiro gol a Mancuello. Depois, veio o lance primoroso de
Paquetá, numa tarde que só não foi perfeita para os dois jovens porque Vizeu
perdeu gol feito.

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