Federações recebem até 10% do total pago por negociar TV.

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Rubens Lopes, Presidente da FERJ, ao lado de Eurico Miranda – Foto: Paulo Fernandes/Vasco.com.br

BLOG
DO MARCEL RIZZO
: As federações estaduais de futebol têm seus torneios regionais
como principal fonte de renda, o que explica porque até hoje os Campeonatos
Estaduais não tiveram um fim nas principais praças e uma mudança de formato
naquelas com clubes de menor expressão e torcida.

E o
dinheiro da televisão é um ativo importante no faturamento vinculado aos
estaduais – em alguns casos chega a 10% do total pago por ano. Por isso que a
Federação Paranaense de Futebol comprou briga com seus dois principais
filiados, Atlético-PR e Coritiba, que resolveram transmitir por conta própria
jogo do Estadual.
Ao
contrário do que ocorre no Campeonato Brasileiro da Série A, organizado pela
CBF mas com os clubes negociando diretamente com as emissoras de TV o
televisionamento em cada uma das plataformas, nos Estaduais são as federações
quem sentam com as TVs para tratar de valores e tempo de contrato. E, na
maioria dos casos, são remuneradas por isso.
No
domingo (19), o clássico paranaense Atlético-PR e Coritiba foi cancelado porque
a Federação local proibiu que uma equipe de transmissão contratada pelos clubes
fizesse a transmissão da partida pela internet. Os rivais não aceitaram a
proposta da Globo, de R$ 2 milhões para cada pelo Estadual de 2017, em
negociação intermediada pela Federação Paranaense, e não assinaram o contrato.
São
dois os motivos financeiros que fazem as federações não abrirem mão desse
protagonismo nas negociações dos direitos de TV.
Primeiro
porque, na maioria dos casos, há pagamento direto da TV que assinou contrato
para a federação, pelo direito de transmitir o torneio organizado por ela. A
Federação Paranaense, em seu último balanço patrimonial divulgado, do exercício
de 2015, não informa separadamente o quanto recebeu por direitos comerciais. No
documento, esse valor é de R$ 2,015 milhões, contando R$ 950 mil de doação da
CBF, que dá dinheiro anual a todas as federações.
Comissão
Mas o
blog apurou, por exemplo, que a Federação Paulista de Futebol recebe 10% do
total pago pelo Grupo Globo por seu Estadual – fechado por cerca de R$ 160
milhões por ano, em todas as plataformas (TVs aberta e fechada, pay-per-view e
internet) até 2021.
A
Federação do Rio, que fechou recentemente contrato com a Globo de mais de R$
120 milhões por ano até 2020 por seu Estadual, colocou em seu último balanço
divulgado (de 2015) que recebeu R$ 5,401 milhões de “direitos televisivos e
comerciais”.
Diz a
Federação do Rio que “os direitos comerciais e televisivos se referem aos
valores pagos pelos canais de televisão em que as partidas são transmitidas em
rede nacional e/ou estadual”. Ou seja, se deixar de negociar diretamente,
talvez perca essa verba, ou parte dela.
Há um
segundo ponto, entretanto. Negociar diretamente com a TV faz com que a
federação tenha mais facilidade para encontrar patrocinadores para os torneios,
atrelando o direito de transmissão com sua marca. Hoje, algumas federações
vendem até o nome do torneio, chamado de “naming rights”, e veem no contrato da
TV uma forma de incentivar que empresas fechem acordos pelos campeonatos.
Por
isso não é estranho que a federação paranaense peite seus dois principais
filiados que não assinaram os direitos de TV com quem a entidade gostaria. Por
Lei, o direito de transmissão é propriedade dos clubes. Portanto, mesmo as
federações negociando e acertando, se os clubes não assinarem, não há jogo.
Como se viu em Curitiba neste domingo.

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