Flamengo cogita abandonar o Campeonato Carioca.

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Eurico Miranda, Pedro Abad, Rubens Lopes e Eduardo Bandeira – Foto: Divulgação Ferj

EXTRA
GLOBO
: A tática utilizada pelos clubes e pela Federação de Futebol do Rio, de
aparentarem união em apelo dramático para manter viva a chance de a semifinal
entre Flamengo e Vasco acontecer no Engenhão, no sábado, com torcida dividida,
foi apenas uma cena que, por trás, tinha um movimento jurídico que deu
resultado. O juiz Guilherme Schilling Pollo Duarte, do Juizado Especial do
Torcedor e dos Grandes Eventos, convocou, ontem à noite, após coletiva dos
presidentes na Federação de Futebol do Estado do Rio, uma audiência especial
que pode ser o caminho para a solução do impasse.

Até o
momento, porém, a partida pelo Estadual não tem local definido, uma vez que a
prefeitura de Juiz de Fora, praça escolhida pela Ferj sem concordância do
Flamengo, vetou o evento por questões de segurança durante o carnaval. Caso a
partida não seja confirmada no Rio até hoje, quando deve ter início a venda de
ingressos, ela precisará ser adiada. O problema é que não há data disponível. O
Flamengo, com foco na Libertadores, já sinaliza abandonar o Estadual.
Desde
a impossibilidade de mandar jogos fora do Rio — Manaus, Brasília e Juis de Fora
foram cogitados —, os clubes buscam alternativas. A mais efetiva foi entrar com
uma petição pedindo para que o juiz Guilherme Schilling reconsidere a sua
liminar a partir de um documento, entregue em mãos, ontem, com o argumento de
que não foi encontrado um estádio para jogar fora do Rio. Na petição, consta
ainda uma declaração da Policia Militar do Rio dizendo apenas que estará
presente na partida — porém, sem juízo de valor sobre garantia de segurança em
caso de torcida dupla.
Para
verificar se acatará o pedido dos clubes, o juiz convocou representantes de
Ministério Público, Botafogo, Flamengo, Fluminense, Vasco, Ferj, Confederação
Brasileira de Futebol, além do Chefe Estado Maior Geral da Polícia Militar e do
Comandante do GEPE. Em juízo, a polícia responderá se pode garantir a
segurança.
Por
parte dos clubes, houve ainda um pedido de voto de confiança das autoridades.
Apenas hoje o Flamengo vai entrar com recurso contra a liminar. O clube já
contratou escritório especializado e estuda a forma de reverter o quadro para
clássicos no futuro. Na reunião na Ferj, que contou ainda com dois
representantes da TV Globo e dois representantes de torcidas organizadas,
chegou a ser ventilada a possibilidade de jogar no Rio com os portões fechados
para atender a liminar.
Sem
definição, os presidentes fizeram apelo público, se eximindo da
responsabilidade pela violência nos jogos. A conta caiu no colo da Polícia
Militar. Caso as partes não cheguem à um acordo, o juiz decidirá se mantêm a
decisão. A Procuradoria Geral do Estado deve entrar ainda hoje com pedido para
ser aceita como parte do processo. Réu, o Flamengo explicou que é contra a
torcida única e vai recorrer mesmo que a manutenção da liminar o favoreça na
semifinal, que teria o mando de campo e a sua torcida.
— Agora
que o Flamengo foi formalmente citado, estamos avaliando qual o melhor recurso
cabível. Temos especialistas estudando isso para tentarmos caçar essa liminar.
Independentemente do que a Procuradoria vá fazer. Pode haver simultaneamente
três ou quatro recursos — disse o advogado Bernardo Accioly.
O
presidente Eduardo Bandeira de Mello, que já se declarou contrário à torcida
única, endereçou uma carta à Ferj ontem e cobrou que o jogo contra o Vasco
fosse no Engenhão com torcida dividida. Mais tarde, ratificou sua filosofia:
— Não
somos inimigos, mas adversários. Temos a noção e a certeza de que um precisa do
outro. E nossas torcidas podem viver em paz. Os torcedores da mesma família,
porém que torcem por clubes diferentes, tem de ter o direito de irem ao estádio
juntos — ponderou.
Eurico
Miranda, do Vasco, que descartou jogar com a torcida única, nesse caso do
Flamengo, também fez um discurso romântico, diferente do que de costume.

— Sou
do tempo em que a o jogo estava rolando e todos ficavam observando a festa das
torcidas nas arquibancadas. Que volte essa época de convivência. Eu sempre
estimulo a rivalidade, mas nunca a violência — salientou Eurico.

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