Flamengo já estava negociando quatro jogos no Mané Garrincha.

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Estádio Mané Garrincha em dia de jogo do Flamengo – Foto: Pedro Campos

GLOBO
ESPORTE
: A decisão dos clubes da Série A de proibir os times de mandarem jogos
do Campeonato Brasileiro fora de seus estados de origem desagradou o Governo do
Distrito Federal (GDF). Secretário de Esporte, Turismo e Lazer da capital
federal e responsável pela gestão do estádio Mané Garrincha, Jaime Recena criticou
bastante a medida, que prejudica a agenda de eventos da arena candanga. Segundo
ele, já havia negociação avançada com o Flamengo para a realização de três a
quatro jogos do Rubro-Negro em Brasília pelo Brasileirão.

– É
uma decisão muito ruim. E na minha opinião, equivocada. Fere principalmente o
torcedor. Fere principalmente o torcedor. Não prejudica somente os estados que
não vão mais poder receber jogos. Mas prejudica o torcedor daquele estado, que
vão ter cerceado o direito de ver seu clube na sua casa… O Flamengo estava
encaminhado para alguns jogos do Campeonato Brasileiro em Brasília, já tínhamos
até fechado esse compromisso. Com essa decisão, vamos renegociar tudo – disse
Recena.
Entre
os 20 times da Série A, 14 foram favoráveis ao fim dos mandos fora do estado de
origem. O Flamengo foi um dos seis contrários. Brasília era uma das cidades
mais beneficiadas por jogos do Brasileirão. Em 2016, foram sete partidas na
capital federal, com mandos de Flamengo (4), Fluminense (2) e Botafogo (1).

Para o
secretário de Esporte do DF, os jogos fora do estado de origem são uma
estratégia importante de fortalecimento das marcas dos grandes clubes país
afora.
– Se o
Flamengo quer mandar o jogo fora do Rio de Janeiro, qual o problema nisso? O
Flamengo tem torcedores em outros estados. Todos os times da primeira divisão
têm torcedores em outros estados. Se alguns clubes tem como fortalecimento de
suas marcas os jogos fora, porque cercear isso ao torcedor?
A
principal alegação dos clubes que votaram para a proibição do fora do estado de
origem foi a venda de partidas por alguns times, o que poderia caracterizar inversão
de mando. O secretário Jaime Recena concordou que medidas fossem tomadas para
evitar esse problema, mas sem uma proibição total.
– Se
tem clubes que enxergam dessa forma, por que não fazer uma liberação com
regras? Foi oito ou 80. Por que não discutir uma medida alternativa? Dizer, por
exemplo, que cada clube tem direito a “x” jogos, ou que não pode
mandar fora na reta final (regra aplicada nas cinco rodadas finais do
Brasileirão de 2016).

O
representante do Governo do DF entrou em contato com a CBF para tentar discutir
a proibição aprovada nesta segunda-feira. Porém, a resposta que obteve não foi
animadora.

Ficaram de olhar no estatuto, para ver o que seria possível fazer. Mas disseram
que é uma decisão difícil de ser revertida. Foi uma votação e a maioria dos
clubes optou por não autorizar.
Libertadores entre as possibilidades
O
secretário Jaime Recena fez questão de ressaltar que a proibição de receber
jogos do Brasileirão não acaba com as possibilidades para o Mané Garrincha. Os
clubes de fora da capital federal ainda podem levar jogos de outras competições
para o DF. Este ano, o Flamengo já jogou duas vezes na cidade pela Primeira
Liga e nem jogos da Libertadores estão descartados.
– A
gente perde uma possibilidade, que é o Campeonato Brasileiro. Mas ainda existem
outros campeonatos que não têm proibição ainda, como a Copa do Brasil, a
Libertadores, a Copa Sul-Americana. Com o Flamengo, vamos ter que renegociar
tudo. Conversamos sobre essas possibilidades. Tem outros campeonatos, talvez
Libertadores. É muito difícil, uma coisa para se discutir mais para a frente,
mas não descartada – afirmou.
Além
dos jogos de outros campeonatos, o secretário lembrou ainda que o estádio não
depende apenas de partidas de times de fora do Distrito Federal. Jaime Recena
destacou que a arena recebeu um total de 68 eventos em 2016 entre jogos de
futebol, shows e atividades culturais, e alcançou uma arrecadação para os
cofres públicos de R$ 1.709.270,54.

Nosso modelo não está montado apenas em cima dos jogos de futebol. Temos uma
série de outras iniciativas realizadas no estádio para torná-lo uma coisa viva,
que as pessoas frequentem. Temos mais eventos culturais que jogos. Praticamente
toda semana temos algo no estádio, tem programação de visitas guiadas e
pré-agendadas de escolas, de organizações internacionais, embaixadas –
justificou.
Construído
para a Copa do Mundo de 2014, o Mané Garrincha foi um dos estádios que recebeu
mais críticas por conta do alto custo – mais caro do Mundial, estimado em mais
de R$ 1,8 bilhão -, e da capacidade para mais de 70 mil pessoas, completamente
fora da realidade do futebol do Distrito Federal, que não tem times nas Séries
A, B ou C do Brasileirão.

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